[Crônicas da Coreia] A surpreendentemente calorosa recepção coreana

New Shilla Kwan

Os leitores que nos acompanham há um tempinho devem saber que duas de nossas colaboradoras foram à Coreia no começo do verão coreano (ou inverno brasileiro). Naira e eu fomos convidadas pelo Naver V Live App à assistir o showcase de comeback do EXO, com o álbum EX’ACT, em uma das mais maravilhosas experiências que já tivemos desde que começamos a nos envolver com o K-pop. E isso será assunto em um próximo capítulo.

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Pra quem não conhece ainda, me chamo Carol Akioka e tenho 23 anos, sendo 5 deles dedicados à KoreaIN Magazine. Trabalho como corretora de imóveis e cuido da revista nas horas vagas (ou seria ao contrário? haha!). Através dessa série Crônicas na Coreia, queremos passar um pouquinho das “aventuras” que tivemos nessa primeira viagem internacional da vida, ainda mais para um lugar tão sonhado por nós (e muitas vezes por vocês!).

Lembro que essa é apenas a minha opinião, de uma turista brasileira que passou duas semanas em terras coreanas, e que de forma alguma é a verdade absoluta. Pode significar que tive uma sorte incrível, então se tiverem dúvidas ou comentários, gostaria muito de ouvi-los.

Estaria tudo bem se fosse uma viagem planejada, porém soube da possibilidade da viagem num dia e no seguinte já estava embarcando sem saber direito onde ficar, o que fazer, onde comer. Para falar a verdade, mal sabia o que estava levando na mala, que tinha feito completamente de última hora.

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Mil malas, mas o que tem nelas?

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Uma dica importantíssima: Antes de comprar as passagens, verifique onde será sua conexão. A Coreia do Sul não exige visto de brasileiro até 90 dias com a finalidade de turismo. A princípio íamos viajar pela Korean Air, porém pouco antes de comprar vimos que as escalas dessa companhia são nos Estados Unidos. Para isso, íamos precisar de visto americano ou visto de trânsito, coisa que não tínhamos e que não iríamos conseguir em 1 dia. O responsável pela viagem foi super compreensivo e nos reservou outro voo, mas por não ter mais lugar disponível, eu e Naira fomos por companhias diferentes: eu pela Qatar Airways com escala no Qatar e ela pela Emirates com escala em Dubai. Ambos trajetos não exigem visto para brasileiros.

Outra dica: Vá confortável! O trajeto é mega longo e cansativo, quase 14 horas até o Qatar e mais 8 horas até a Coreia. Acho incrível que idols ainda cheguem animados quando vêm para shows aqui no Brasil.

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Imagem: Yes and Yes

Reservei o hostel enquanto esperava o embarque no avião. Simplesmente usei a mesma técnica que uso quando viajo nacionalmente: o mais barato e perto do metrô. Caímos em um tal de Kimchee Downtown Guesthouse, em Chungjeongno, na frente da estação. Apesar de escolhido às pressas (e do ótimo valor), aquele lugar tem algum tipo de “luz”, se me permitem assim dizer. As pessoas ali são ótimas! O ambiente é tão confortável que após 2 dias, já estava chamando de “casa”. O lugar era simples, mas aconchegante e com uma ampla área social.

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Lembro que um dia chegamos umas 4 horas da manhã e encontramos o pessoal cantando e dançando “Ai se eu te pego“, animadíssimos no hall. Outro dia que meu cartão foi bloqueado, fiquei quase uma hora no celular do gerente do hostel com o atendente do banco aqui no Brasil. Detalhe: quem me salvou e encontrou o número para ligar foi ele.
Este hotel tem um sistema legal, onde as pessoas podem ajudar na limpeza e na recepção e trocar por hospedagem. Vale a pena dependendo de quanto tempo você for ficar na Coreia.

Encontramos pessoas incríveis ali, coreanas e internacionais. Uma família filipina me chamou atenção. Duas irmãs e suas duas primas na faixa dos 14 anos viajaram com o pai e a avó até a Coreia para tentar encontrar o Seventeen. Elas tomavam banho cantando ‘Mansae‘ tudo errado… igual eu.

Uma das minhas companheiras de quarto era coreana e mora na Austrália há 2 anos. Voltou à Coreia para buscar uma documentação para tentar o visto permanente em seu novo país. Ela namora um chileno, que por um estranho motivo, a ensinou diversas palavras em português. Ela tinha o maior repertório de palavrões brasileiros que eu já vi em todos os anos de minha vida e acordava com Luan Santana no alarme. Graças à ela, encontrei um dos melhores lugares pra fazer compra em Seul.

Acontece que, apesar de adorar a Coreia e afins há quase 10 anos, minha fluência no idioma é praticamente ZERO, arriscando apenas no famoso “annyeonghaseyo” (e mesmo assim devo falar bem errado). E isso era assustador no início.

Cheguei no aeroporto sem ter ninguém para me receber. Ok que já era esperado, mas quando chega a hora, bate um certo desespero. Então estava eu ali, com praticamente 40kg de bagagem, tentando pegar o metrô.

Mais dicas: As cotações monetárias variam conforme o lugar que você vai. No aeroporto e em bancos, normalmente você paga mais taxa. Se puder, troque o mínimo necessário no aeroporto e depois procure casas de câmbio em Myeongdong ou Hongdae. Elas parecem suspeitas, mas lá é normal e dá tudo certo no fim.

Fiquei maravilhada com o transporte público coreano. O aeroporto já é integrado ao metrô, o que facilita bastante. Lá, você paga pelo trajeto, então você coloca onde está e para qual estação vai, que eles calculam o valor e emitem um cartão para você. ATENÇÃO: Você coloca o cartão na hora de entrar e na hora de sair da estação, então fique atento, porque quase joguei fora após passar a catraca.

Tem um cartão chamado T-Money, que você pode comprar por 2000~3000 won nas lojas de conveniência e pode carregar lá mesmo ou nas máquinas nas estações. Esse cartão pode ser utilizados nas lojas de conveniência, ônibus, metrô e táxis, ajuda muito ter e economiza tempo de comprar o passe toda vez que for se locomover de transporte público.

Coreanos estão sempre correndo olhando para seus celulares. Lêem webtoons, vêem dramas, assistem programas de variedades, respondem o kakao. Eu deveria estar com uma cara de desesperada no meio deles pra tentar não perder o ponto da baldeação. Arrastava duas malas no horário de pico, com o metrô cheio, mal sabendo pra onde ir. Um senhor pegou minha maior mala, subiu as escadas e a deixou lá em cima. Ele me ajudou, mas não tive tempo de agradecer.

Quando finalmente cheguei na estação certa, não estava conseguindo passar meu cartão. Um rapaz me ajudou a sair e ainda se ofereceu pra me ajudar com as malas até o hostel.

Na verdade as pessoas me ajudaram tanto naquele país, que se eu for citar todas as vezes, ficaremos aqui o dia inteiro, eu escrevendo e você lendo.

Me perdi no metrô e um ahjussi disse “follow me” e me levou até a saída certa, depois disso me recomendou alguns lugares que deveria visitar enquanto estivesse pelo país, com um inglês quebrado completamente adorável. Me senti verdadeiramente acolhida.

Raramente você vê alguém falando fluentemente inglês, então não tenha medo de arriscar no pouco de coreano que aprenderam em dramas e músicas, pode ser que te ajude. A frase “todo mundo fala inglês” não é verdadeira lá, da mesma forma que a expressão “coreanos são frios” também não é.

Coreanos são calorosos, à sua própria maneira. Não “brasileiramente” calorosos, mas “coreaneamente” calorosos, se posso assim dizer. Não são de abraçar, de beijar, de sorrir, de tocar. Porém, posso sentir verdadeiramente que gostam de ajudar. Eles não tentam falar seu idioma ou arriscar falando algo que não sabem como nós, no embromation. Eles falam devagar, no próprio idioma e com gestos. Não entendeu? Não tem problema, eles param o que estão fazendo pra te ajudar e te guiar. Passamos por isso na rua, no metrô, até na loja de conveniência pararam para me ensinar a fazer o tal do macarrão instantâneo no microondas e a desenrolar o kimbap triangular (não pensem que é fácil, o primeiro que tentei comer caiu no chão).

Esses dias passando pelo facebook, vi uma postagem de uma brasileira orgulhosa por ter dado uma de superior para cima de um gringo, que procurava o caminho do metrô no Rio de Janeiro. Esse tipo de coisa me faz pensar o quão ignorante podemos ser, sem saber nada por trás das necessidades daquela pessoa pedindo ajuda. Em minha primeira viagem ao exterior, pude perceber o tanto de pessoas boas que estão por aí, independente de esteriótipos e rótulos que colocamos nelas. Me surpreendi, e muito! É sempre bom saber que o copo ainda está meio cheio.

No próximo capítulo, a Naira vai contar tudo da visão dela, então esperem por isso!

Conte-nos suas experiências e dúvidas. E acompanhem conosco nas próximas semanas.

Por Caroline Akioka
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