5 coisas que você precisa saber sobre as ameaças nucleares da Coreia do Norte

Fonte: AFP

Coreia do Norte, Coreia do Sul e Estados Unidos parecem estar à beira de uma guerra nuclear. A cada dia surgem notícias sobre um novo teste, uma nova resposta e mais estragos. Nesta segunda-feira (22), a Coreia do Norte afirmou que testou com sucesso um míssil balístico que agora poderá ser produzido em massa. Além da Ásia, as ações de Kim Jong-un ameaçam toda a segurança mundial. Por isso, para entender melhor essa disputa internacional, a K-IN reuniu cinco pontos principais que resumem algumas questões. Confira abaixo:

 

1) Como tudo começou

Embora as tensões envolvendo a Coreia do Norte venham sendo muito discutidas ultimamente, a rivalidade entre o país, seus vizinhos e os Estados Unidos iniciou-se há muito tempo. Com o fim da Guerra Fria, a família Kim, que comanda a Coreia do Norte, percebeu a ameaça iminente dos EUA e começou a investir na corrida nuclear. Há mais de 60 anos, o argumento é que o programa militar tem caráter defensivo contra a política agressiva dos EUA de manter forças armadas operacionais na região.

Desde então, o programa de armas de Pyongyang tem demonstrado grande avanço, passando pelo foguete tático de artilharia em 1960 e 1970 aos mísseis balísticos de curto e longo alcance em 1980 e 1990. Atualmente, um sistema de maior alcance está sendo desenvolvido, o que aumenta a preocupação com uma possível guerra, intensificando portanto a tensão entre os países.

 

2) Qual é a situação atual

Durante algum tempo, os Estados Unidos optaram pela diplomacia, propondo soluções pacíficas. No entanto, as provocações da Coreia do Norte continuaram e seu poder bélico foi apenas se fortalecendo. O objetivo atual, aparentemente, é colocar uma ogiva nuclear em um míssil balístico intercontinental, capaz de atingir alvos ao redor do mundo.

Ciente disso, a Coreia do Sul, em guerra com o Norte desde quando o território foi dividido entre comunista e capitalista (1950), conta agora com um sistema intitulado THAAD (Defesa Aérea de Alta Altitude Terminal). Basicamente, ele é capaz de interceptar mísseis inimigos. Assim, Kim Jong-un não poderá acertar os 28 mil soldados americanos instalados na Coreia do Sul. A tática prova a veracidade das palavras do vice-presidente americano Mike Pence. Segundo ele, provocar os EUA é um erro, pois a era da “paciência estratégica” acabou.

 

3) Qual é a chance real de uma guerra acontecer

Apesar do regime fechado que impera na Coreia do Norte dificultar a precisão das informações, estima-se que o país tenha mais de mil mísseis com capacidades distintas, incluindo os de longo alcance que poderiam, inclusive, supostamente alcançar o território norte-americano.

Desde 2006, os testes norte-coreanos sempre foram seguidos de hostilidade e ameaças, mas sem resultar em nenhum confronto militar direto. Além da evolução dos danos causados a cada teste, o Council on Foreign Relations aponta outros motivos que podem mudar esse cenário e que indicam uma possível guerra.

A primeira razão seria a inexperiência de Kim Jong-un, um líder jovem que herda a postura de hostilidade de sua família contra o imperialismo ocidental, e a incerteza sobre até onde ele iria com suas ações. Somando-se a isso, Kim enfrenta agora um novo líder, Donald Trump, também considerado imprevisível e agressivo.

Outro motivo citado pelo Council on Foreign Relations é o fato de Kim ser considerado mais agressivo do que qualquer outro líder norte-coreano. Quando estava no poder, seu pai realizou dois testes nucleares em cinco anos, já Jong-un caminha para o quarto teste em seis anos. Além disso, Kim parece não medir esforços para consolidar seu poder – o atual líder é acusado de ter ordenado o assassinato de seu tio e de seu irmão.

4) O papel dos EUA

Apesar dos avisos por parte dos Estados Unidos, o vice-ministro das Relações Exteriores da Coreia do Norte, Han Song-Ryol, informou à BBC que o país continuará a realizar testes de mísseis “semanalmente, mensalmente e anualmente” e ainda alertou sobre um possível cenário de guerra caso o país do presidente Trump insistir em interferir com ações militares.

Já por parte dos Estados Unidos, o vice presidente do país, Mike Pence disse no último mês, enquanto estava a bordo do porta-aviões USS Ronald Reagan, que promete um resposta esmagadora a qualquer vinda por parte da Coreia do Norte. Pence também já havia afirmado anteriormente que “todas as opções estão sobre a mesa” caso o país continue com seus testes.  O governo de Trump continua a contar com o apoio de países como Japão e China para lutar e exercer pressão sobre o regime de Kim Jong-Un.

Trump enviou um navio porta-aviões e um grupo tático para a península da Coreia, e os EUA e a Coreia do Sul estão posicionando um polêmico sistema de defesa antimísseis em preparação para possíveis hostilidades.

 

5) Possíveis resultados

Enquanto a Coreia do Norte continua a manter seus testes de mísseis, o que violaria resoluções da ONU, os Estados Unidos mantêm a postura e o discurso de que caso a Coreia do Norte continue as provocações, um cenário de guerra é possível. Os Estados Unidos também contam com o apoio da Coreia do Sul, sendo que ambos os países estão realizando exercícios de defesa aérea em conjunto.

O embaixador da Coreia do Norte na ONU, Kim In-ryong, classificou os exercícios americanos e sul coreanos como agressivos e afirmou que o país estava pronto para “qualquer tipo de guerra” que os EUA pudessem desejar.

Tensão entre os países continua: de um lado, os EUA reafirmam que não irão mais tolerar testes nucleares ou de mísseis por parte de Kim Jong-Un, enquanto o ditador norte coreano reafirma que o país está pronto para guerrear e que uma guerra termonuclear pode estourar a qualquer momento.

Em contrapartida, Mike Mullen, um dos autores de um estudo conduzido pelo Council on Foreign Relations, ressalta que a capacidade internacional de monitorar o que acontece dentro da Coreia do Norte também melhorou muito nos últimos anos. Isso permite aos analistas trabalhar com mais informações quando comparado a regimes anteriores.

 

Por Erika Nishida e Jô Mesquita
Não retirar sem os devidos créditos
Fontes:
BBC, G1, Veja e Nexo