Filmes sul-coreanos retratam histórias reais de abuso infantil

Hoje, 18 de Maio, é o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. O dia foi estabelecido por um caso de extrema Violência e impunidade contra uma menina de 8 anos no Espirito Santo, conhecido como “Caso Araceli“. 44 anos depois nos perguntamos: o que estamos fazendo para proteger nossas crianças?

Não sendo conhecidos pela timidez, o cinema sul-coreano por vezes toca na ferida e também aborda sobre casos de pedofilia de forma nua e crua. Homens poderosos, impunidade e a falta de suporte as vítimas são algumas das coisas que estes filmes querem combater. Para dar sua contribuição, KoreaIN separou dois filmes que tratam sobre o tema. (Por favor, observar a classificação indicativa).

 

Silenced

Censura: 18 anos

Disponível no Drama Fever

Dirigido por Hwang Dong-hyuk, estrelado por Gong Yoo e co-estrelado por  Jung Yoo Mi, conta a história de um professor que após o suicídio da esposa procura recomeçar numa escola para crianças surdas. Seus alunos se demonstram distante e desanimados e ao tentar evitar o suicídio de um deles, Kang In Ho se depara com uma chocante realidade: os alunos são abusados sexualmente pelos professores. Procurando justiça, Kang ainda tem que enfrentar um sistema que encobre os abusos: o próprio governo.

Baseado em fatos reais

O ator Gong Yoo entrou em contato com esta história por meio de um livro durante o serviço militar, nele constam os fatos reais de estudantes surdos que sofreram abusos e nunca obtiveram justiça. Ele então decidiu que precisava contar esta história, para trazer ao menos um pouco de justiça para aqueles que sofreram e que com pressão popular os culpados pudessem ser punidos.

 

Hope

Censura: 16 anos

Disponível no Netflix

Ao caminhar rumo a escola, So-Won de 8 anos é estuprada. Um filme que não é para qualquer um, Hope tem uma abordagem totalmente diferente do filme anterior. Ele fala do sofrimento da pequena menina que tem que lidar com este grande trauma. O filme não foca apenas na criança, mas também na família que tem que lidar com a dor, como agir e que sequelas elas trarão. Apesar de não mostrar o estupro de forma gráfica (afinal este não é o objetivo aqui), a película não se torna mais facilmente digerível.

Inspirado numa história real

A história do filme é mais uma inspirada nas injustiças do mundo. Conhecido como “O Infame Caso Nayoung”, em 2008 uma menina de 8 anos chamada de Na-young pela imprensa coreana, foi estuprada e espancada por um homem bêbado de 57 anos em um banheiro público. O caso que ganhou as manchetes da Coreia do Sul, casou extrema indignação quando o acusado foi condenado a apenas 12 anos de prisão mesmo cometendo um crime brutal. O diretor Lee Joon-ik não deixou pedra sob pedra e a semelhança entre So-Won e “Na-young” é totalmente proposital, escolhendo a mesma idade da criança do caso real. O filme é uma crítica ao sistema conivente e ineficaz, mas também é uma lição para famílias e suporte as vítimas.

 

São filmes difíceis, mas que precisam ser vistos e o assunto precisa ser debatido. Enquanto varremos o assunto para debaixo do tapete, são 21.021 denúncias de violações de direitos humanos de crianças e adolescentes no primeiro trimestre deste ano no Brasil. Em relação a violência sexual são 4.480 denúncias, são quase 50 casos por dia. Qualquer caso suspeito tem que ser reportado, se você acredita que uma criança vem sofrendo qualquer tipo de violência, Disque 100, denuncie!

Por Amanda Soares
Fontes: IMDB, Netflix, Drama Fever
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