Igreja Shincheonji investigada por propagação da COVID-19 na Coreia do Sul

A Coreia do Sul entrou em estado de alerta por conta dos novos casos de COVID-19 no país. De acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças da Coreia (KCDC), foram relatados 30 novos casos elevando o número total de casos para 11.629.

Ainda segundo o KCDC, os novos casos estão ligados a cultos de igrejas, que não respeitaram o isolamento social e assim contribuíram para a propagação do vírus. Das 30 infecções locais, 24 casos foram localizados em igrejas na província de Gyeonggi, nas proximidades de Seul e Incheon.

This photo, taken on June 1, 2020, shows a church in Incheon, west of Seoul, where cluster infections of the new coronavirus were reported. (Yonhap)
Foto tirada em 1 de junho de 2020 em frente a igreja em Incheon, onde foram relatadas infecções do COVID-19. (cr. Yonhap)

Shincheonji e a transmissão do vírus

No mês de março a Coreia do Sul registrou pelo menos 7.500 pacientes de COVID-19, e grande parte dessa contaminação está ligada a Igreja de Jesus de Shincheonji (“novo céu e nova terra”, em português), uma das seitas religiosas que mais cresceram no país desde a década de 80. As acusações começaram após muitos dos membros da igreja serem registrados como pacientes do COVID-19. O Governo sul coreano responsabilizou o líder Lee Man-Hee por ter contribuído pela disseminação da doença a partir de investigações, baseadas em testemunhos e ideologias dos cultos de Shincheonji.



Estima-se que a igreja possui mais de 245.000 seguidores. Muitos dos cultos e estudos inclusive são secretos. Algumas igrejas e reuniões são feitas escondidas do Governo, e não é possível registrar com exatidão quantos grupos de Shincheonji estão espalhadas por 30 territórios -principalmente- pelo leste asiático.

Quase metade das infecções registradas em território sul-coreano estão ligadas à igreja de Shincheonji”, diz o governo. Ainda segundo o governo, a grande maioria dos pacientes fazia parte da Shincheonji de Daegu, ou são pessoas que entraram em contato com os fiéis. Outros casos também surgiram em Cheongdo, próximo a Daegu (terra natal inclusive de Lee), conhecido por ser um dos destinos de peregrinação para os seguidores do culto.

No dia 22 de maio, a promotoria sul coreana invadiu todas as instalações pertencentes a Shincheonji para prosseguir com as investigações e apreensões de provas que comprovem que a Igreja Shincheonji manteve as portas abertas dos culto durante o período de quarentena, contribuindo assim para a disseminação do vírus. Cerca de 100 promotores e investigadores do Ministério Público do Distrito de Suwon começaram a busca e apreensão na sede da seita em Gwacheon, província de Gyeonggi, bem como em suas filiais em Busan, Gwangju e Daejeon, no início da sexta-feira.

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Acusação e Defesa

Quando acusado de ser o epicentro de disseminação do COVID-19, Lee Man-Hee declarou que “tudo não passava de preconceito contra o culto”, e recusou a divulgar o nome de seus seguidores para investigação do governo. Entretanto, as acusações ficaram ainda mais forte quando membros da igreja vieram a público para declarar as ideologias e crenças de Lee Man-Hee pregadas no culto. Segundo eles:

O líder acreditava que doenças, brigas políticas e outras “catástrofes” surgiriam na terra para colocar os fiéis em “provação”, e que o sofrimento seria a libertação e chave de entrada para o céu.

Com a notícia do COVID-19, o líder começou a agir, e declarou que “o novo vírus era a salvação que todos esperavam”.

Entretanto, após o início das investigações e diversas declarações do governo à mídia, Man-Hee veio a público para se desculpar. Disse que falhou em sua primeira fala, e também em não divulgar o nome dos seguidores. Mesmo assim, negou que as ações e ideologias da igreja contribuíram para a epidemia do corona vírus. A igreja foi fechada após os inúmeros escândalos e também pelo número de seguidores contaminados.

“Ofereço minha palavra de um profundo pedido de desculpas ao povo”, disse Lee em coletiva de imprensa, ajoelhando-se e curvando-se no chão. Foi um contraste em relação à mensagem da semana passada, quando ele atribuiu a epidemia ao “mal que ficou com ciúmes do rápido crescimento de Shincheonji”.

Declaração feita em 02/03/2020


cr .Kim Ju-sung/Yonhap/AP

As investigações contra a igreja estão em andamento. A polícia sul-coreana reúne testemunhos de ex membros para compreender as ações do líder Lee.

Novos Casos

Os novos casos noticiados na segunda-feira mostram aumento em relação aos 27 identificados no dia anterior. Entretanto, a contagem parece estar em trajetória descendente, depois de atingir a máxima de quase dois meses em 75 na quinta-feira.

Citizens line up to receive tests for the new coronavirus at a "walk-through"-style testing site in the financial district of Yeouido in Seoul on May 31, 2020. (Yonhap)
Cidadãos fazem fila para receber testes para o COVID-19 em Yeouido, em Seul, em 31 de maio de 2020. (cr. Yonhap)

Também foram registrados 5 novos casos importados e 1 óbito, aumentando o número total de mortos para 271. O número total de pessoas recuperadas do vírus chegou em 10.499 até a atualização final desta matéria. O país vem realizando testes constantes, contabilizando 921.391 teste desde 3 de janeiro de 2020.

Fontes: (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7), (8), (9) e (10).
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