Ex-produtor da SM expõe problema com direitos de músicas do EXO, NCT e mais

Paul Thompson - MARZ - em publicação feita em seu Instagram

O produtor musical e compositor Paul Thompson –  integrante do MARZ, ou MZMC, empresa de compositores e produtores -, um dos principais nomes na produção dos álbuns e singles da SM Entertainment – ganhou os direitos de sincronização das faixas para os artistas da empresa. Ele é um dos nomes por trás de alguns dos hits de diversos grupos como Red Velvet (Rookie e RBB), EXO (Tempo, Love Shot, Ko Ko Bop), Girls’ Generation e SHINee, além de solos da Taeyeon e outros artistas administrados pela empresa.



As questões envolvendo copyright (que são divididos em sync e master rights) das músicas começou em 2019, quando acusaram a SM Entertainment e o EXO de plágio, após notarem a semelhança entre Love Shot (do álbum de mesmo nome lançado em 2018) e Back to You do cantor britânico Louis Tomlinson. A faixa, então, recebeu mudanças nos créditos e tanto Tomlinson como os outros responsáveis por Back to You foram creditados. Thompson foi responsável por parte da composição e produção do single coreano, junto ao MARZ.

Em março de 2020 uma nova batalha iniciou, agora envolvendo o próprio Paul Thompson contra a SM Entertainment.



Após a demissão do produtor, ele exigiu os direitos de reprodução de suas músicas e ganhou. Anteriormente, Thompson já havia feito uma livestream pelo Instagram para explicar a diferença entre sync rights (direitos de sincronização) e master rights (direitos de execução). De acordo com o produtor, o direito de execução das faixas é para fazer o uso em MVs, CDs e reprodução ao vivo (sem a gravação para audiovisual), mas os direitos de sincronização proíbem a mesma música de estar em trilhas sonoras, programas de TV e outras formas gravações audiovisuais. Através da justiça, ele obteve os sync rights e, a partir de agora, sempre que os artistas as apresentarem ao vivo com gravação, a empresa tem que pagar uma taxa extra aos produtores.

Ainda de acordo com o produtor, o problema vem do fato da SM Entertainment não pagar muito bem seus produtores para obter os direitos de sincronização das músicas. Em suas palavras:

“Então, desculpa SM, mas eles não pagam bem pela sincronização. Eles pagam horrivelmente. Pelo que já experienciei, eles são uma das companhias que pior pagam pelos direitos de sincronização. Assim, eu recebo 25, 30 vezes mais por companhias chinesas pagando pelos mesmos direitos de sincronização. Eles podem pagar pelos direitos de sincronização das músicas da SM, então na China recebo melhor pelos direitos de sincronização das produções para o EXO, 30 vezes mais do que a SM. Então, sinceramente, não aceito o pedido de sincronização, o que quer dizer que eles podem performar as músicas, mas não podem vender a música ou sincronizar em concertos online pagos. É isso, se a SM pagasse melhor, eu aceitaria.”

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A polêmica envolvendo MARZ e a SM se aqueceu novamente no último mês, quando foi anunciado o lançamento do DVD NCT DREAM SHOW, da unit NCT DREAM, mas as canções Candle Light, We Go Up e Best Friends foram retiradas devido ao direitos. O produto será liberado no dia 5 de agosto.

Em junho deste ano, a SM Entertainment já tinha sido alvo de críticas em relação ao pagamento de seus produtores e compositores. Tiffany Red, um dos nomes por trás do hit Go, do NCT Dream, fez uma série de stories em seu Instagram explicitando que a empresa tentou comprar os direitos de sincronização da faixa por 13,33% do preço total pago à ela (US$ 500 dólares, ou R$2671,95), o que equivale a US$66 dólares (ou R$356 em reais na cotação atual). Ela publicou prints do e-mail enviado à SM Entertainment e EKKO Music Rights (responsável por representar Tiffany e outros profissionais da área artística em relação ao copyright), dizendo que processaria a empresa caso usassem Go sem os direitos de sincronização autorizados.

A produtora Tiffany Red, responsável pro Boss e Go do NCT.


Confira a lista completa das músicas produzidas por MZMC/MARZ/Paul Thompson:

BoA:
Encounter
Good Love

Super Junior:
Spin Up!
Me & U
Scene Stealer

Super Junior D&E:
Livin’ In
RUM DEE DEE

Girls’ Generation:
One Last Time

Taeyeon:
Starlight (feat. DEAN)
Fine
저녁의 이유 (All Night Long) (feat. Lucas do WayV)
너의 생일 (One Day)

SHINee:
Feel Good
1 of 1
Prism
I Want You
네가 남겨둔 말(Our Page)
셀 수 없는(Countless)

Jonghyun:
환상통 (Only One You Need)

Taemin:
Drip Drop
오늘까지만 (Until Today)
Heart Stop (feat. Seulgi)
Thirsty
Back to you

EXO:
Artificial Love
They Never Know
Can’t Bring Me Down
Twenty Four
전야 (前夜) (The Eve)
Ko Ko Bop
소름(Chill)
내가 미쳐(Going Crazy)
지나갈 테니(Been Through)
Fall
Good Night
Tempo
Love Shot
오아시스 (Oasis)
닿은 순간(Ooh La La La)

Red Velvet:
Rookie
RBB (Really Bad Boy)

NCT:
일곱 번째 감각 (The 7th Sense)
Another World
Baby Don’t Like It ( 나쁜 짓)
Cherry Bomb
Running 2 U
We Go Up
Knock On
악몽 (Come Back)


A repercussão


O assunto causou alvoroço nas redes sociais. Muitos fãs ficaram confusos para saber se seus artistas preferidos teriam que abrir mão de suas músicas, incluindo faixas-título. Para tentar esclarecer alguns dos questionamentos, Thompson fez uma live em seu Instagram pessoal (@mzmc) e respondeu aos espectadores.

O produtor negou várias das acusações feitas. A uma pessoa que assistia a live e perguntou sobre as músicas do SHINee, ele respondeu: “Você pode esclarecer o que vai acontecer com as músicas do SHINee? Nada, elas estão todas ok. Não sei de onde veio isso. Acho que alguém viu um tweet com a lista de músicas do NCT e da SM e disse ‘Oh, ele rejeitou todas’. Isso é falso, está tudo bem. Eles podem apresentar todas, não há nada de errado nisso.


Veja o vídeo da declaração:

Em outro vídeo, Thompson fala sobre a suposta acusação de plágio. Segundo ele, não faria sentido ele pedir os direitos da própria música e plagiá-la. No mesmo registro, ele também esclarece que está tentando negociar um pagamento mais justo pela utilização de suas músicas, visto que a SM apenas ofereceu $1000 dólares enquanto a própria como empresa lucra milhões. Além disso, o mesmo disse não ter sido demitido. O que teria acontecido é que o contrato da SM com a empresa que o representa – EKKO – expirou e o mesmo optou por não renová-lo.

https://twitter.com/jjonginni/status/1283137238415683586

As declarações sobre o caso estão todas baseadas no que está sendo divulgado pelos fãs nas redes sociais e nos trechos das lives de Thompson. Acessando seu Instagram, não é possível ter acesso ao conteúdo das lives porque não foram salvas. Também não houveram declarações formais por escrito e nenhuma manifestação por parte da SM para esclarecer os fatos.

O fãs estão tentando entender a incomum situação juntando as peças do “quebra-cabeça”. Somado a isso, o assunto não foi abordado por nenhum veículo de informação confiável, abrindo espaço para mais suposições. Porém, podemos reunir alguns depoimentos do que está disponível na internet com relação aos casos citados.



O que pode ser comprovado e algumas suspeitas

Sobre a acusação de plágio, Louis Tomlinson foi creditado como autor de Love Shot em janeiro de 2019 – pouco mais de um mês após o lançamento da faixa – conforme pode ser observado no registro da ASCAP (American Society of Composers, Authors and Publishers), organização norte-americana de proteção de direitos autorais.

Mesmo Thompson tendo dito que não faria sentido acusá-lo de plagiar sua própria música, tendo em vista que também produziu a faixa de Tomlinson, usar o sample dela em outra composição, implicaria em creditar todos os responsáveis pela canção usada como fonte desde o início.

Além disso, de acordo com o que foi dito por Thompson nos vídeos gravados das suas lives, os artistas têm, sim, permissão para performar suas músicas. O pagamento dos direitos pertencentes a ele só seriam feitos caso houvesse registro de tais gravações para fins comerciais (tais como lançamento de DVDs de shows).

Tais restrições não afetam os materiais lançados antes da disputa começar, mas talvez interfiram nos futuros lançamentos. E existe um lançamento que pode ainda está pendente: os vídeos do Beyond Live.

Após a tramissão online dos shows, os mesmos serão disponibilizados em formato de VOD (Video On Demand, ou vídeo sob demanda) para que os fãs possam rever as apresentações. O tempo médio de espera deveria ser de um mês, tempo para que o material pudesse ser editado e aprovado pelo conselho de censura coreano. Porém, como a disputa entre Thompson e a SM começou em março, as apresentações foram feitas entre abril e maio, o Beyond Live já seria o primeiro lançamento sob as novas condições.

Por conta da demora na liberação dos shows, fãs suspeitam que a causa não seja mais por conta dos processos internos aos quais os lançamentos naturalmente teriam que ser submetidos, mas sim o fato de Thompson ter os direitos de sincronização de algumas músicas que foram apresentadas nos shows.


Seguimos na espera da SM Entertainment se pronunciará sobre o caso. Acompanharemos o desdobrar da situação e manteremos as atualizações.


Fontes: (1), (2), (3), (4)
Não retirar sem os devidos créditos.

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