BLACKSWAN fala sobre singularidades como grupo multicultural de K-POP

O girl group BLACKSWAN conquistou a atenção internacional ao fazer seu debut este ano com um time de integrantes inesperado e surpreendente. A empresa coreana DR Music Entertainment reuniu os talentos únicos das coreanas Youngheun e Judy, a senegalesa Fatou e a nipo-brasileira Leia.

Pela primeira vez artistas do Brasil e de Senegal debutaram na Coreia do Sul, em um grupo de Kpop. Fato que cativou os fãs de kpop pelo mundo, sobretudo os Brasileiros. No dia 16 de outubro as meninas debutaram oficialmente com a faixa ‘Tonight‘, parte do álbum “Goodbye RANIA“, lançando um MV de conceito sexy com uma coreografia memorável.

Tivemos o prazer de entrevistar o BLACKSWAN, onde as integrantes responderam várias perguntas sobre o grupo, carreira, sonhos e muito mais. Vem ver!



Para quem ainda não conhece o grupo, elas fazem questão de contar como cada uma descreveria o BLACKSWAN. A ex-Stellar, Youngheun disse tudo logo de cara, “seria uma pena não apresentar esse grupo para outras pessoas“. Errada? Não está!

O Blackswan é único em sua formação. Introduzindo a brasileira Leia e também a senegalesa Fatou, que além da nacionalidade africana, é negra. Sobre o debut inédito, Fatou complementa: “O BLACKSWAN é um grupo único não apenas porque somos multinacionais, mas porque temos diversidade. Se você nos juntar, nos tornamos essa imagem interessante.” Para a brasileira Leia o BLACKSWAN “é um grupo para mostrar aos nossos fãs que tudo é possível. Como a teoria do cisne negro. Temos um grande impacto e somos muito únicas.”. Porém, Hyeme brinca que “mesmo tendo aparência forte, somos pessoas gentis”.

Ser um ídolo do k-pop não é tarefa fácil e ter sucesso na carreira também é difícil. É preciso ter muita força de vontade e dedicação na busca do reconhecido na indústria. Segundo Fatou, a maior força do BLACKSWAN é a persistência. “Podem surgir dificuldades pelo caminho, mas enquanto nós formos o BLACKSWAN, continuaremos seguindo. Seria ótimo se o público pudesse receber esse tipo de mensagem: ‘Siga em frente e acredite em si’.”

Youngheun e Judy concordam quando falam que querem ser reconhecidas por serem parte de um grupo diverso como o BLACKSWAN, onde as integrantes falam línguas diferentes e tem inúmeros talentos. Leia ainda ressalta que sonha em fazer a diferença na indústria com músicas diversas e que agradem o público.



A pandemia da COVID-19 bagunçou a agenda de eventos ao redor do mundo, e infelizmente afetou o Blackswan diretamente após atrasar o debut do grupo.

A integrante Youngheun revelou que o adiamento do debut a afetou psicologicamente, devido a crises de ansiedade. Ainda em 2019, havia sido decidido que o debut aconteceria em Março de 2020. Entretanto, com o período de quarentena na Coreia do Sul, distanciamento social e a supensão de diversas atividades, dificultou os preparativos da estreia e Youngheun chegou a acreditar que o debut seria cancelado.

Apesar da animação para a estreia, Judy contou que” foi muito difícil assistir enquanto tudo era adiado tantas vezes” – sobre ver os eventos do grupo adiados ou cancelados devido ao debut atrasado.

Apesar do videoclipe e da coreografia estarem prontos, faltava o lançamento oficial. Leia e Fatou compartilhavam do mesmo sentimento de incerteza, mas ambas também sentiam iriam debutar de qualquer forma.

Hyeme, por sua vez, foi a única que não chegou a se preocupar com o debut, ela tinha certeza que iria acontecer. “Eu sabia que nosso CEO garantiria nosso debut, então não me preocupei.”


Hyeme foi a primeira integrante a ser revelada no BLACKSWAN. Ela era a única que já havia debutado no grupo Rania, da mesma agência. A cantora inclusive foi a responsável por anunciar o nome do grupo. Ao escolher Blackswan, Hyeme quis mostrar que a indústria tem vários idols bonitos e talentosos. “Se você pensar em idols como cisnes, nós queremos ser especiais, como os cisnes negros (BLACKSWAN).“, disse a cantora.

Apesar de algumas integrantes do BLACKSWAN terem experiência de palco, as dificuldades ainda existem. Leia inclusive confessa que ter resistência para o palco e aprender a dança era difícil: “Sou meio lenta para aprender a coreografia, mas as unnies (irmãs mais velhas) não desistiram e me ajudaram até eu aprender”.

Fatou revelou que pra ela o maior problema era a confiança. “Eu não tinha muito [confiança] no começo e a coisa mais importante para um artista é a confiança, porque ela determina que tipo de apresentação você faz. Mas as integrantes me ajudaram bastante e agora estou fazendo bem.”, disse a rapper.

Youngheun, no entanto, sendo uma ex-integrante do girl group Stellar teve outras dificuldades. Por vir de outro grupo, ela estava acostumada a treinar de maneira diferente: “No começo eu ficava confusa porque a forma que eu praticava a coreografia era diferente e a forma que eu seguia os passos também”. A adaptação ao estilo de treinamento das agências coreanas foi complicado tanto para as integrantes estrangeiras, quanto para as coreanas. “Pensamos muito em como praticar respeitando as diferenças culturais de Fatou e Leia. O k-pop valoriza grupos bons na dança. Então apesar delas serem boas dançarinas, Fatou, que tem seu próprio swag e sentimento, teve muito trabalho no começo.”, comentou Youngheun.



Todas tinham suas próprias carreiras e pontos fortes, mas ainda assim houveram dificuldades no início do treinamento, afinal cada uma tinha um jeito diferente. Hyeme e Youngheun como veteranas, ambas debutadas pela primeira vez em 2011, Leia com experiência de apresentações em outros países, Judy como parte do grupo de dança ‘Crew One’ e Fatou com uma carreira inicialmente focada em ser modelo.

Hoje elas já se entenderam quanto a prática da dança após meses treinando juntas. Youngheun aproveitou o momento para agradecer as integrantes estrangeiras: “Obrigada por nos acompanhar tão bem, acho que todas tivemos que compartilhar nossas opiniões e nos dar bem umas com as outras”.

Judy, que foi a última a entrar no grupo, também confessa que tinha dificuldades na dança e no aprendizado da música e sempre perguntava como fazer isso ou aquilo. “Quando tivemos problemas com o áudio durante uma performance, Youngheun e Hyeme lidaram tão bem com a situação, fiquei muito agradecida e segura.”, disse Judy sobre as outras integrantes sempre a ajudar.



Sendo um grupo tão diverso e de nacionalidades tão incomuns no k-pop, é natural que haja alguns choques culturais. Youngheun acha que a etiqueta coreana é muito complicada e confusa: “A Fatou e a Leia nos olhavam meio que “hein?”. Houveram muitas situações assim. Nós ficávamos confusas umas sobre as outras. Eu senti como se meu cabelo estivesse ficando branco de confusão.”

Apesar disso, Youngheun não classifica como desentendimentos, apenas como confusões culturais. Tanto ela quanto Hyeme admitem que o grupo levou um bom tempo até que todas se entendessem. “Houveram muitos momentos em que nosso trabalho em time foi muito ruim, mas nós conversamos e tentamos nos entender. Agora só precisamos de um olhar ou uma piscadinha para nos entendermos.”, revelou Hyeme sobre a convivência e a cinergia do grupo.

Para Fatou o maior choque cultural não foi necessariamente no dia a dia, mas sim durante os treinos. “O quão estruturado e rígido fica dentro da sala de prática, foi um choque. Claro que na Bélgica também há estrutura, mas é muito mais livre”.

A brasileira Leia, de apenas 19 anos, é quem mais fala sobre as diferenças culturais. Diferente da Coreia do Sul, no Brasil não há a “cultura de maknae”, onde a pessoa mais nova tem que servir os mais velhos. “Tenho choques culturais todos os dias. A ‘cultura de maknae’ é muito difícil de entender. Às vezes me pergunto ‘Por que tenho que fazer isso?’ ou ‘Por que apenas eu tenho que fazer isso’? Mas estou tentando meu melhor para entender a cultura.“, conta Leia.

Para Judy, as integrantes estrangeiras não eram diferentes das coreanas. “Penso que todos vivem no mesmo mundo, mesmo que hajam diferentes nacionalidades. Enquanto praticamos, conseguimos nos entender e nos divertir”, conta a cantora, que não se sentiu pressionada com as diferenças.

Leia e Hyeme são as únicas que já estiveram no Brasil antes. Leia nasceu na cidade de Curitiba e Hyeme passou por São Paulo e Recife, durante uma turnê do Rania no Brasil. Para a brasileira, “o Brasil é um país de alma quente. É quente se você entende o país, mas você também se queima. Todos são muito gentis e calorosos e a comida é deliciosa”.

Hyeme, que esteve por aqui em 2018, relata que foi muito bem recebida. “Quando fui pro Brasil, os fãs nos receberam tão bem, foi lindo. Mas o tempo de voo foi difícil. Temos que pensar na Leia, que vai e volta o tempo todo, então vamos nos esforçar para passar para Primeira Classe.”, brincou sobre as longas horas de voo entre Brasil e Coreia do Sul.

Leia aproveitou para abrir o coração sobre como foi se mudar para Coreia do Sul como o objetivo de se tornar uma idol. “Eu ainda não acredito, muitas coisas aconteceram e tudo parece um filme na minha cabeça. Mas estou muito feliz por estar onde estou agora.”, contou a primeira brasileira que debutou em um grupo de k-pop,

Leia, que é filha de pai japonês e mãe brasileira, é conhecida pela família como Larissa Ayumi. Foi aprovada com apenas 13 anos, em numa audição da empresa coreana PLEDIS Entertainment.

A Brasileira ainda ressalta que não esperava passar por momentos tão difíceis. “É um grande obstáculo que eu tenho que atravessar e estou tentando ao máximo”. Fatou ainda revelou que a parte mais difícil é estar longe da família. “Mas isto é meu sonho há muito tempo, então vale a pena totalmente”, se conforma.

Apesar das dificuldades, é impossível mensurar a importância de ter uma idol brasileira e uma senegalesa de pele negra como ídolos de k-pop. Para Fatou e Leia concordam que trazer diversidade no k-pop é o mais importante e é um reflexo do futuro, uma vez que o gênero agora é uma tendência mundial. Fatou sente-se como se “estivesse aproximando culturas“. O sentimento de Leia não é diferente, pois vê a representatividade como algo importante: “Com a diversidade temos mais atenção de outros países e pessoas”.

Nas publicações feitas pela KoreaIN sobre o BLACKSWAN podemos perceber que diversos fãs Brasileiros falam se sentirem inspirados pelo grupo e pelas integrantes estrangeiras. Sobre isso, Leia declarou que “Nada é impossível, mesmo que seu sonho esteja do outro lado do mundo. Você é único, não deixe outra pessoa te por pra baixo, não desista nunca, você pode fazer isso acontecer. Nunca desista!”.

Fatou aconselha que quem quiser ser um idol tem que “acreditar 100 % naquilo e trabalhar duro, porque a oportunidade não vai cair no seu colo. Se você quer isso, corra atrás independente do que outras pessoas vão dizer. Vai ser difícil, mas com amor e paixão você vai ser capaz de conseguir”.



Após revelarem o quanto se sentiam animadas e estimuladas a trabalharem mais pelo sucesso do BLACKSWAN, por causa do forte apoio e interesse dos fãs Brasileiros, as integrantes do girl group deixaram mensagens especiais.

Judy entregou que quer muito se apresentar no Brasil: “O amor dos nossos fãs brasileiros já nos foi entregue, então temos que ir entregar o nosso amor aos nossos fãs! Gostaria de conhecê-los pessoalmente para dizer ‘Olá'”. Ela e Youngheun torcem para que a COVID-19 seja erradicada, para que possam então conhecer os brasileiros. “Espero que vocês não fiquem doentes e fiquem saudáveis o tempo todo! Certifiquem-se de usar máscara! Te amo~!! ♥♥”, finaliza Judy.

Para Youngheun o mais importante são as performances e os fãs. “Poder mostrar uma boa performance ao vivo e conversar com vocês. Até lá, por favor, nos deem muito amor. Amo vocês!”. Hyeme e Fatou agradeceram o apoio que têm recebido do Brasil e está ansiosa para conhecer a todos que as acompanham pela internet: “Onde quer que vocês estejam, quero ir ao seu encontro!”.

Fatou acrescenta que o grupo trabalhará arduamente na intenção de retornar todo o amor que recebem do Brasil: “Espero que possamos nos encontrar em breve!”. Leia tem alguns desejos específicos, além de conhecer os fãs, que pretende realizar quando chegar aqui: “Meus pais podem me ver no palco e eu posso encontrar os fãs brasileiros, comer coxinha e pão de queijo! Brasil? Já quero ir!”.



Contando com individualidades únicas e muito carisma, o BLACKSWAN desafia a indústria do entretenimento sul coreana, enquanto persegue seus sonhos do debut. Graças ao imenso talento do grupo, conquistaram uma grande fanbase internacional e o videoclipe oficial de estreia alcançou mais de 3 milhões de visualizações em poucos dias.

O BLACKSWAN também participou de um desafio com expressões brasileiros para o canal da KoreaIN no YouTube. Confira aqui:


ENTREVISTA CONCEDIDA ANTES DO DESLIGAMENTO DE HYEME DO GRUPO.

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Por Greyce Oliveira e Izabely Durant
Tradução: Jeice Torres
Imagens: DR Music
Não copie sem os devidos créditos.