História

Yoo Kwan Soon, a jovem heroína da Independência Coreana

No Dia das Mulheres e mês da Independência Coreana relembramos uma grande figura feminina da história, por meio dessa tradução do artigo do nosso parceiro XiahPop.

Às vezes as heroínas vivem muitos anos lutando. As vezes apenas com poucos anos de vida conseguem marcar a história de um país. Yoo Kwan Soon é uma destas últimas, com apenas 18 anos foi uma peça fundamental para a Independência da Coreia. No primeiro de março a Coreia comemora o “Movimento da Independência” e é onde a Joana D’Arc coreana, como algumas a chamam, se torna protagonista.

Biografia

Primeiro vamos conhecer um pouco da sua história. Kwan Soon nasceu no dia 15 de março de 1904 na província de Chungcheong, Coreia. Sempre foi uma menina ativa e inteligente. Quando estava no colégio, sua professora Alice Sharp, uma missionária ocidental, lhe recomendou seguir seus estudos universitários na Universidade Ewha de Mulheres , onde é claro foi aceita.

Infelizmente seu tempo lá foi curto. Depois uma grande manifestação a universidade foi fechada pelo governo japonês, que na época tinha o poder sob a Coreia após invadi-la em 22 de agosto de 1910. E é ai que de fato começa a luta de Kwan Soon, e de toda uma nação…

Yoo Kwan Soon e sua luta pela Independência

Em janeiro de 1919, Gojong que era o rei da Coreia, foi morto depois de uma luta difícil pelo seu país. Isso provocou um enorme desejo de coreanos para recuperar o que era deles e que, pouco a pouco, o regime japonês foi negando. Não muito depois, em março do mesmo ano, quando foi realizado o funeral do imperador Gojong, 33 ativistas estabeleceram a Declaração de Independência que foi lido para o público em Tapgol Park, no centro de Seul, esta declaração foi então enviada para o governador-geral da Coreia.

A jovem Kwan, que havia retornado à sua cidade natal, não ficaria de mãos abanando. Com sua pouca idade, e com grande desejo de ver novamente a sua Coreia brilhar livremente, organizou no mesmo dia uma grande manifestação que atraiu milhares de vizinhos gritando “Viva a Independência da Coreia!” (“대한 독립 만세”) .

A polícia japonesa dispensou a manifestação e Yoo Soon Kwan foi presa junto com outros manifestantes. Seus pais foram mortos pela polícia japonesa.

Um final e um princípio

Depois de ser presa, Yoo Soon Kwan recusou a oferta para admitir o seu “crime” e cooperar dando nomes ao governo japonês e assim obter uma sentença menor. Mas ela se negou e continuou protestando pela Independência da Coreia mesmo na prisão, recebendo terríveis torturas de oficiais japoneses. Até sua morte na prisão em 28 de Setembro de 1920, devido à tortura.

Embora a história desta luta termine tragicamente, os coreanos hoje a recordam com orgulho. Uma mulher em tempos de dor e opressão foi a inspiração para todo um povo. Ela foi uma das primeiras mulheres icônicas que tem nomeado na história da Coreia.

Hoje queríamos dedicar esta nota para lembrar que a união faz a força, sem importar a idade, e sim o desejo de lutar pelo que é certo. Graças Yoo Kwan Soon para ser a mãe da nação coreana!

Traduzido por Amanda Soares
Texto original XiahPop
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Gaecheonjeol, o dia da Fundação da Coreia: mito ou realidade?

A fundação da Coreia (como um estado único) data de mais de 5 mil anos atrás, e ela é repassada aos seus descendentes por meio de um mito. A lenda conta que Dan-Gun (ou Tangun, dependendo da romanização) foi o fundador de Gojoseon, o primeiro reino coreano localizado na parte norte da Península Coreana.

 

A lenda

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O avô de Dangun, Hwan-In, também conhecido como “Senhor do Céu”, teve um filho Hwan-Ung. O filho desejava viver na terra entre as montanhas e assim com a benção de seu pai, Hwan-Ung, os Deuses do Vento, Chuva e Nuvem, junto com 3.000 seguidores fundaram Sinsi (a “Cidade de Deus”). Ele ensinou aos humanos as artes da medicina e da agricultura, se tornando um grande líder.

Um tigre e um urso procuraram o imperador e oraram para que se tornassem humanos, ao ouvir seus pedidos Hwan-Ung ordenou que se alimentassem de 20 dentes de alho e um pacote de artemísia. Caso se alimentassem somente destes alimentos sagrados por 100 dias, ele atenderia o desejo deles. O tigre cansou-se em 20 dias, mas o urso perseverou e ao fim do prazo foi transformado numa mulher.

Já notaram que nosso amado Kim (mascote da KoreaIN) é uma mistura de urso e tigre? Sua inspiração veio da lenda.
Já notaram que nosso amado Kim (mascote da KoreaIN) é uma mistura de urso e tigre? Sua inspiração veio da lenda.

O Ung-Yeo (urso-mulher, em tradução livre), estava agradecida e prestou oferendas para Hwan-Ung, mas sem marido logo se tornou triste e desejosa por uma filho. Ela então orou novamente, abaixo de um vidoeiro, pedindo para ser abençoada com uma criança. O filho do deus comovido com seu pedido transformou-se em humano e ambos tiveram um filho, Dan-Gun.

Dan-Gun ascendeu ao trono e construiu uma cidade murada perto de Pyongyang (a localização não é exata) e fundou a dinastia de Joseon governando a Coreia por 1.500 anos.

 

Coreia do Norte e o Mausoléu de Dangun

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O antigo líder da Coreia do Note, Kim II-Sung definiu que Dan-Gun não era apenas um mito, mas um personagem real nascido há cerca de 5012 anos. Um mausoléu foi construído no suposto local de seu sepultamento, na encosta de Montanha Taebaek, em Kangdong. Em 1993 arqueólogos norte-coreanos localizaram seus restos mortais, mas não há clara comprovação e não é reconhecido pela Coreia do Sul, considerando sítio controverso.

A sepultura de Dan-Gun tem o formato de uma pirâmide com 50 metros de altura.

 

Outras origens

A associação de Dan-Gun com a agricultura levou a se especular que o personagem lendário fosse na realidade um líder histórico que aprendeu sobre os segredos do solo nas cidades-estados de vale de Huang Ho.

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Há um altar na Ilha KangHwa que dizem ter sido construído pelo próprio Dan-Gun, é uma pequena estrutura de pedras localizada nas montanhas sagradas. Todo 3º dia do 10º mês, um grupo se reúne para fazer o serviço cerimonial.

 

O mito é importante para seu povo, pois liga a nação coreana a uma origem celeste. Como parte de sua cultura milenar, os coreanos abraçam sua história e continuam a propaga-la para os jovens o orgulho de descender de deuses e ursos.

 

Por Amanda Soares
Fontes: KoreaPost, Visit Korea, “Celestial lancets: a history and rationale of acupuncture and moxa” de Needham, “Korea: The Impossible Country: The Impossible Country” de Daniel Tudor.
Não retirar sem devidos créditos.

[Chuseok] Sua origem e os atuais costumes dos coreanos

Desde que você tem feito parte dos fãs de kpop ou dos admiradores da cultura coreana, a palavra Chuseok já deve ter se repetido algumas vezes. Em uma comparação mais palpável, esse feriado seria como um misto entre o Dia de Ação de Graças, do calendário Norte Americano, e o Dia de Finados, do calendário de feriados católicos. O sentimento geral é de gratidão, já que o povo coreano usa os 3 dias de descanso para encontrar seus familiares, trocar presentes e principalmente prestar homenagem aos parentes falecidos.

O Chuseok reserva 3 dias dedicados a ele no calendário, sendo um dos feriados mais importantes da cultura coreana, junto do 설날 (Soelnal, ano novo lunar) e 단오/ 수릿날 (Danoh/Suroetnal, festival da primavera). De origem incerta, é celebrado desde o Reino Silla (57a.C.-935d.C.) e originalmente conhecido como Hangawi (한가위) (“grande meio”). Suas celebrações começaram por conta da “Lua da Colheita”,  no 15º dia do 8º mês do calendário lunar, por volta do equinócio de outono. Em uma antiga Coreia predominantemente agrícola, as famílias se reunião para agradecer a boa colheita, a fartura e venerar seus antepassados. Hoje, com a maioria dos setores econômicos voltados para tecnologia e serviços, o feriado tem sido dedicado a reunião de família, agradecimento pelas conquistas e principalmente o cuidado em memória dos familiares falecidos.

O costume atual é se reunirem na casa de seus pais ou avós (sempre na casa do familiar mais velho), e na manhã do feriado fazerem um banquete típico, com frutas diversas e tteoks (떡, ou “bolinhos de arroz”), feitos preferencialmente de arroz recém-colhido, que neste dia é também chamado de songpyeon (송편). Trata-se de um bolinho, no formado de meia-lua, recheado com pasta de feijão vermelho, castanhas, gergelim em pó ou apenas açúcar mascavo.

Uma das formas tradicionais de se servir a primeira refeição do Chuseok.
Songpyeon – o tradicional bolinho de arroz do Chuseok.

Durante esse comento de confraternização eles relembram seus antepassados – principalmente daqueles que conheceram e já se foram, como avós ou bisavós – e prestam-lhes homenagens. Muitos também vão aos túmulos levar flores, alguns alimentos como oferenda e cuidar da lápide.

A blogueira Ariane, que mora em Daejeon – uma cidade da Coreia do Sul, contou em seu blog “H(angu)k com Açaí” sobre sua experiência durante o Chuseok.

“Nas lojas e supermercados, já tinha me acostumado com o que eles chamam de “gift set”, ou seja, uma combinação de itens de comida (caros) para presentear os familiares, além de produtos de higiene pessoal, tipo shampoo e condicionador. O mais engraçado para mim foram os pacotes de carne.”

Ariane também visitou um mercado de frutas, legumes e hortaliças, algo semelhante aos Ceasas que temos aqui no Brasil. Relata que se assustou com os preços das frutas e com toda a questão financeira ligada aos presentes. Segundo ela, dentro da família os mais jovens devem presentear todos os integrantes mais velhos, e o presente que lhe será entregue deve ser no mesmo valor do recebido.

Um fato interessante é que toda as cidades e pessoas se mobilização para o feriado pelo menos uma semana antes. As lojas e mercados ficam cheios, assim como as rodoviárias, aeroportos e estações de trem, pois todos procuram passagens para estarem com seus familiares no dia do feriado.

Já no dia do feriado, as lojas não costumam abrir e as pessoas não saem às ruas sem estarem em família, cultivando o verdadeiro sentido da festa, que é agradecer por estarem juntos e tendo bons momentos em família. A comemoração é sempre complementada com jogos entre as famílias e em muitas cidades acontecem eventos e festividades com apresentações típicas de dança, canto e teatro, geralmente com entrada livre para todos .

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Nesta semana, vamos agradecer por todas as nossas conquistas e por estarmos juntos, como uma família!

O que vocês faria no Chuseok?

  • Passaria um tempo com a minha família. (50%, 10 Votes)
  • Provavelmente estaria atrás dos meus idols. (15%, 3 Votes)
  • Vou me divertir com meus amigos. Eles são minha família. (15%, 3 Votes)
  • Faço o tipo solitário. Não iria atrás da minha família. (15%, 3 Votes)
  • Internet? (5%, 1 Votes)

Total Voters: 20

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Por Naira Nunes
Fonte: De Prosa na Coreia; Hanguk com Açaí; 88 Milhas; Kpop Now; AllKpop; JKwave
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18 de Maio: O Massacre de Gwangju e o Movimento Democrático Coreano

36 anos após o levante que pavimentou a democracia na Coreia, o país segue como uma das democracias mais consolidadas do mundo, mas as marcas dos protestos ainda continuam.
A Democracia no Brasil percorreu um longo caminho para chegar onde está atualmente e na Coreia do Sul não foi diferente. Com o fim da guerra civil nos anos 1950, o país passou por um regime ditatorial, que ao mesmo tempo rígido, foi o que trouxe as políticas de desenvolvimento que levaram o país para onde está hoje. Com o custo do sacrifício da população, que tinham poucos direitos trabalhistas, o país se desenvolveu no regime de Park Chung-Hee.

O ditador manteve o país com pulso firme, e é lembrado até hoje por sua disciplina em público. Mesmo após sua esposa ser assassinada na sua frente, Park continuou a discursar enquanto os seguranças prendiam o assassino. Park Chung-Hee é o pai da atual presidente sul-coreana Park Geun-Hye, que usou como exemplo o governo do pai, prometendo crescimento ao país.
Os anos 1980 foi marcado por um processo de democratização pelo mundo inteiro, com ditaduras chegando ao fim na América Latina e na Ásia. A Coréia do Sul seguiu a onda do processo democrático, e em Maio, na cidade de Gwangju, foi iniciado uma série de levantes que duraram pouco mais de uma semana, e ajudaram a pavimentar a democracia no país.

População protestando em Gwangju 

Em torno de 250 mil pessoas participaram do levante, que foi brutalmente reprimido pelo governo em gestão. O movimento é considerado o pivô da luta democrática no país. O descontentamento da população podem ser traçados desde o governo de Syngman Rhee, que sempre governou o país com mão firme, e desse momento em diante, o país viu golpes sucessivos no controle do governo.

Polícia indo em direção a manifestantes 

Protestante sendo arrastado por policial durante protesto 

O último, e que desencadeou uma instabilidade política no país, foi o assassinato de Park Chung-Hee. O governo que assumiu, se mostrou mais despótico e autoritário que o anterior, e os desejos de democracia entre a população se afloraram, principalmente entre a população mais jovem. Os protestos surgiram a partir da aplicação de lei marcial no país, pois com a morte de Park Chung-Hee, ativistas pro democracia tinham a esperança da instauração de um governo popular. Chun Doo-hwan, então presidente, aplicou a lei marcial, o que significava que aglomerações populares em lugares públicos e movimentações sem aprovação prévia do governo estavam completamente proibidas.
O Brasil viveu algo similar com os Atos Institucionais (conhecidos como AI) que cortavam direitos da população e aumentava o peso do governo sobre o povo. Na Coréia, Chun Doo-hwan prendeu seus adversários políticos, espalhando pelo país o temor e a repressão. A ditadura era apoiada pelos EUA (caso parecido com o Brasil), que tinha com preferência, governos autoritários e anti-comunistas, do que ditaduras, que estavam abertas a mudanças e livre associação com países inimigos no período de guerra fria.
A complacência dos EUA foi revelada com a liberação de documentos em que o governo americano aprovava o governo sul-coreano de usar forças militares para dissolver a rebelião popular, o que facilitou o massacre em Gwangju.

Os americanos sabiam do sentimento anti-americano entre os movimentos pró-democracia e preferiam manter um bom relacionamento com o governo sul-coreano, então não se pronunciaram sobre o que estava acontecendo dentro do país.

Manifestantes são atacados por bombas de efeito moral

Exército atacando manifestantes com bombas de efeito moral
Os protestos começaram de 18 de maio e seguram até o dia 27, mas a democracia não veio logo em seguida com a abertura do governo. 

No Brasil, a ditadura acabou em 1985, mas na Coréia, a luta continuou por mais 5 anos até que no início do anos 1990, Chun Doo-hwan saiu do cargo e abriu espaço para eleições.
O número de mortos não é exato, mas estima-e que mais de duas mil pessoas tenham morrido nos confrontos, por fontes não oficiais, enquanto fontes oficiais estimam que apenas 170 morreram.

Caixões de vítimas dos ataques promovidos pelo exército e polícia

 Mães de luto pela morte dos filhos 
O motivo dos protestos terem começado especificamente em Gwangju, na região de Jeolla (atualmente dividia em Jeolla do Norte e Jeolla do Sul), também se deve ao regionalismo. A população da região se sentia abandonada pelo governo central, e que tinha se favorecido muito pouco da industrialização no país. Até nos dias de hoje, Jeolla ainda não é uma das regiões mais ricas do país. A população tinha um sentimento de que desde o presidente Park Chung-Hee, a região de Gyeongsang foi a que mais se beneficiou com o rápido crescimento do país.
Em Gwangju, o dia 18 de maio ainda é lembrado em reconhecimento as vítimas dos protestos.
Em 2013, o grupo de k-pop SPEED, lançou a versão drama da música “That’s my Fault + It’s Over” que faz alusão aos acontecimentos e relembra as vítimas dos protestos.
Veja também o documentário “The Fight for Democracy” feito pela Pacific Century.
Por Caio Garcia
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Daehan Minguk Manse! A Formação do Estado Coreano Moderno

Neste mês é comemorado a resistência coreana ao governo japonês. Para entendermos a importância da data, precisamos nos contextualizar historicamente e então perceber que no dia primeiro de março e durante todo o mês, os coreanos festejam a liberdade

A História

Durante o início do século XX, o munda acabara de sair da primeira guerra mundial e o colonialismo assombrava povos de nações menos desenvolvidas com a agressiva expansão de nações europeias ao redor do globo. Mas não só nações europeias colonizaram outros países, o Japão também teve seu pedaço nesse período da história.

Enquanto a China sofria com invasões de diversas nações europeias que a forçavam a abrir para o comércio com nações industriais, o Japão permanecia ainda isolado, com pouco contato exterior e sob o domínio dos Xoguns. O país só mantinha laços comerciais com portugueses e com holandeses. O xogunato ainda era do clã Tokugawa, e o Japão ainda vivia sob tempos que a Europa já havia abandonado: O feudalismo.

Com a chegada de navios americanos aos portos japoneses, os forçando a abrir, não restou outra saída: ou negociavam com as nações ocidentais, ou tinham o mesmo destino que a China.

Com a abertura dos portos, em algumas décadas o Japão conseguiu se modernizar de forma tão rápida que isso impressionou até os ocidentais daquele tempo. E depois de longos séculos, o imperador voltava a ter poderes no país (antes o imperador era somente uma figura decorativa e quem realmente governava eram os xoguns).

Com a industrialização do país começou a surgir um problema: falta de recursos naturais. O arquipélago japonês, embora montanhoso e com vários vulcões, é pobre em recursos naturais. E é aqui que entra a Península Coreana na história.

Por anos, os japoneses tinham como intenção tomar a Coreia da esfera de influência chinesa, e em muitas vezes não conseguiu bons resultados. Nesse ponto, com a China enfraquecida e o Japão tecnologicamente avançado, a Coreia poderia finalmente ser anexada ao Império Japonês.

Tentativa japonesa de invasão ao forte de Busanjin

No final do século XIX o Japão fez o rei coreano assinar uma série de tratados, que traziam uma série de  desvantagens para o país e o submetiam a influência japonesa.

A Coreia (então auto-intitulada Joseon) se reorganiza numa tentativa de se fortalecer frente aos japoneses e se modernizar. Foi então que o país se tornou império. No entanto, isso não mudou muito as relações nipo-coreanas quando, em 1910, morre o imperador coreano Sunjong e os japoneses finalmente tomam controle do país.

Durante todo o processo gradual de anexação da Coreia pelo Japão, parte da população formou uma resistência para lutar contra a tirania do domínio japonês.

Jornal da época com a manchete ‘A Revolução Continua: A Coreia demanda o reconhecimento de Independência’

Seguindo os “Quatorze Pontos de Wilson”, a resistência coreana tentava mostrar à comunidade internacional que o país não pertencia ao Japão e que não se sentiam parte do Império Japonês, partindo do ponto de autodeterminação dos povos.

Em Primeiro de Março de 1919, o primeiro ato de resistência acontecem e ficou conhecido como “Movimento Samil” (삼일이동). O nome é em alusão a data 01/03 (em coreano 31), na qual aconteceram as manifestações. O ato foi a primeira demonstração de resistência em grande escala no país e foi marcado também pelo grito de “Vida Longa à Coreia!” (Daehan Minguk Manse!).

Adaptações para a TV

Esse período da história também inspirou o drama“Bridal Mask” (em coreano: 각시탈).

Poster de Divulgação de ‘Bridal Mask’

O drama se passa entre os anos de 1919, até o fim da segunda guerra em 1946, com a liberação da Coreia. Conta a historia de um oficial da policia, Lee Kang-to (Joo won) e seus conflitos familiares e pessoais, que o levam a se tornar em um herói e inspiração da resistência.

‘Lee Kang-to/Sato Hiroshi como ‘Bridal Mask’’

Lee Kang-to, um policial pró-Japão, teve uma infância pobre, morando nas favelas de Seul. Ele se vê no meio de um conflito familiar, pois seu irmão, que tinha feito parte da resistência, fora capturado e torturado até se tornar senil. Kang-to então resolve se unir aos algozes de seu irmão, numa tentativa de melhorar as condições de vida de sua família, mas a ação acabou sendo mal vista por todos em sua volta. Quando em sua ira para capturar o justiceiro “Bridal Mask”, ele acaba descobrindo de maneira dolorosa a identidade do herói local.

Com essa dor, Kang-to (agora sob o nome de Sato Hiroshi) decide assumir o lugar do justiceiro, e então vive uma vida dupla: de um lado demonstra apoiar a dominação japonesa e de outro ajuda a resistência a desmontar os japoneses dentro da Coreia.

A data

As demonstrações de resistência no mês de março foram de grande importância para a afirmação dos coreanos como povo e da Coreia como país. Durante todo o período japonês na península coreana, demonstrações contra o governo japonês eram fortemente reprimidas e atos como esse fundamentaram o nacionalismo coreano, que levou então à fundação de dois estados distintos após o fim da Segunda Guerra.

O dia ‘Primeiro de Março’ na Coreia do Sul é um feriado nacional, feito para lembrar aqueles que lutaram pela liberdade do país frente ao Japão. 

Por Caio Augusto
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