Cinema

[Festival do Rio] Crítica: A dama de Baco (Jug-yeo-ju-neun Yeo-ja)

Helder Novaes é escritor, pesquisador e editor, formado em Letras (USP), Artes (Senac) e Cinema (Escola São Paulo), nos traz mais uma crítica estruturada e historicamente ambientada, dessa vez sobre o filme “A Dama de Baco”, do diretor E J-Young, um drama corajoso que expõe graves problemas sociais da Coreia.

So-young é uma idosa que vende serviços sexuais a aposentados em um parque em Seul. Esse é o ponto de partida do filme, cujo título vem da tática utilizada para atrair os clientes: oferecer uma garrafa de Bacchus – bebida energética bastante popular na Coreia – é o código para convidar os interessados em um encontro rápido. Ela não é a única, mas para o desgosto de suas colegas de profissão, é a mais procurada pelos solitários velhinhos. Uma das maiores economias do mundo, a Coreia tem grandes dificuldades em lidar com o outro lado do seu desenvolvimento acelerado: uma imensa população de idosos vivendo na pobreza, com aposentadorias que mal cobrem os gastos mínimos de sobrevivência, abandonados pelos filhos bem sucedidos, e que passam seus últimos anos de vida sem perspectivas e mergulhados na solidão.

 

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Os dias de So-young (proposital trocadilho com “tão jovem”, em inglês) não andam muito tranquilos. Uma gonorreia atrapalha seus serviços, a polícia constantemente realiza batidas nos motéis contra a prostituição, e um insistente documentarista tenta de todas as formas convencê-la a participar de seu filme sobre as “damas de Baco” – aqui temos um recurso interessante de E J-young, especialmente pelas negativas de So-young ao jovem cineasta, argumentando que ninguém se interessa por esse tipo de história. E seus contratempos só aumentam depois que ela leva para casa um menino filipino, cuja mãe é presa após um confronto com o ex-parceiro, que não quer assumir o caso extraconjugal.

Ela encara o desafio como uma obrigação. Em sua casa o pequeno e assustado Min-ho convive com um vizinho de uma perna só e uma transexual, formando um temporário e inimaginável núcleo familiar. O garoto é para So-young um reencontro com o seu passado: de um relacionamento com um soldado negro norte-americano teve um filho que, por falta de recursos, entregou à adoção.

 

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Paralelamente, So-young vê seus melhores e mais recorrentes clientes começarem a rarear e aos poucos os problemas desses seus conhecidos começam a entrar em sua vida. De alguém capaz de proporcionar momentos de prazer ela é inesperadamente alçada à condição de anjo da morte. Ela reluta esse papel, mas sente-se de alguma forma compelida a ajudar os velhos amigos a terminar suas vidas de maneira menos deprimente.

A atuação excepcional da veterana atriz Youn Yuh-jung, com quem o diretor E J-young já havia trabalhado em outros filmes, é um dos pontos altos do impactante A dama de Baco, que aborda de maneira sóbria e cativante temas delicados da sociedade coreana contemporânea.

 

Texto colaborativo por Helder Novaes
Contato heldernovaes@gmail.com

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[Festival do Rio] Crítica: Você e os seus (Dangsinjasingwa dangsinui geot)

Hoje termina o Festival do Rio, que apresentou uma mostra de filmes de diversas parte do mundo, entre elas a Coreia do Sul. O escritor, pesquisador e editor Helder Novaes, formado em Letras (USP), Artes (Senac) e Cinema (Escola São Paulo), nos traz uma crítica clara e direta sobre o filme “Você e os Seus”, do diretor Hong Sang-soo.
O mais novo filme de Hong Sang-soo, exibido no Festival do Rio 2016, apresenta um inquietante romance disfuncional. Youngsoo é um pintor com problemas em seu relacionamento. Sua namorada, Minjung, tem fama de beber demais e andar com outros homens. Todos os seus amigos comentam. Youngsoo discorda, mas reconhece que ela gosta de beber e alega tentar controlar o quanto ela pode beber. Desse cenário um tanto quanto insólito se estabelece a tensão inicial da trama e, embora Youngsoo confie na namorada e no amor que sente por ela, a fofoca o coloca em dúvida. Após uma discussão, Minjung pede um tempo na relação. Fosse um filme qualquer teríamos uma sucessão mais ou menos previsível de fatos e eventos, mas o cinema de Sang-soo não opera dessa forma. Somos levados a um jogo em que a cada cena uma dúvida é lançada. Porque na prática o que se vê são diferentes versões de Minjung circulando pela cidade à procura de amor, ou a mesma Minjung se metamorfoseando em outras em busca de um companheiro ideal.
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“O álcool atua, portanto, como um elemento chave…”

Homens reconhecem Minjung, de bebedeiras passadas – é importante destacar que a bebida exerce sempre um papel importante nas histórias de Sang-soo, seja para aproximar as pessoas, expor seus pensamentos ou tumultuar as relações – e em resposta a cada reconhecimento ela nega sua identidade, confundindo-os ao mesmo tempo em que os instiga a querer conhecer a mulher que se parece exatamente com Minjung. O álcool atua, portanto, como um elemento chave ao embaralhar as percepções, de Minjung que se transforma em outras, dos homens que creem reconhecê-la, e do espectador que não já tem a certeza se pode confiar naquilo que lhe é apresentado.

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Figura recorrente nos principais festivais do mundo, Hong Sang-soo é um cineasta com um estilo único e bastante diferente do cinema contemporâneo, trabalhando à exaustão temas do cotidiano e brincando com as personagens como se fossem marionetes. Cenas longas, com diálogos prosaicos e sem cortes, extraindo o máximo de cada plano.

Embora não tenha a mesma força de outros trabalhos, Você e os outros é uma comédia bem construída, capaz de prender o interesse do espectador com suas ironias e paralelismos.

Texto colaborativo por Helder Novaes
Contato heldernovaes@gmail.com

Fonte de imagens:  Festival do Rio
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“The age of shadows” é a escolha sul coreana para disputar o Oscar 2017

Estrelando grandes nomes do cinema sul coreano, o filme será o representante do país para a categoria de Melhor Filme Estrangeiro na 89ª edição da premiação em 2017.

The Age of Shadows” se passa nos anos 1930 e trata a independência da Coreia por um grupo que luta contra a opressão japonesa no período colonial e tem a espionagem como tema principal. O longa foi produzido pela Grimm Pictures e teve o investimento de mais de oito milhões de dólares.

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Apesar da escolha um tanto polêmica, devido ao favoritismo de The Handmaiden de Park Chan Wook, “o filme ganhou pontos não apenas nos alcances estéticos, mas também na direção, no reconhecimento dos atores, distribuição internacional e marketing potencial”, disse o Conselho de Filmes Coreanos (KOFIC) em uma declaração.

A direção é de Kim Ji Woon, responsável por filmes de ação e suspense como The Good, the Bad, and the Weird (2008), I Saw The Devil (2010) e The Last Stand (2013) protagonizado por Arnold Schwarzenegger. No elenco de “Shadows”, grandes nomes como Song Kang Ho (Snowpiercer – Expresso de Amanhã) que concorreu ao Oscar de 2016 com The Throne e Gong Yoo, aclamado esse ano devido ao sucesso de Train To Busan.

 

O primeiro filme financiado e distribuído pela Warner Bros. na Coreia foi gravado localmente e teve sua première no Festival de Veneza antes de viajar para o Canadá, participando do Toronto International Film Festival. Se for selecionado pela academia, será o primeiro filme coreano a receber o grande prêmio.

 

Por Caroline Akioka
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Fontes: Hollywood Reporter, Indie Wire.

Aprecie o cinema coreano no Festival do Rio

Ontem iniciou o Festival do Rio 2016, um festival de cinema que vai durar de 6 a 16 de outubro, onde por dez dias o Rio de Janeiro será a capital mundial do cinema. O festival foi criado em 1999 e esse ano conta com 3 filmes coreanos na programação. As sessões serão transmitidas no Rio de Janeiro e em Niterói.

É uma ótima oportunidade para conhecer e debater sobre o mercado cinematográfico não apenas da Coreia do Sul como do mundo, além de encontrar outros cinéfilos e conhecer as novidades do audiovisual. Confira os filmes:

A dama de Baco

Direção: E J-yong
Exibição:
07/10 (sexta-feira) – 17:00 e 21:45 horas – Kinoplex São Luiz 2
08/10 (sábado) – 15:30 horas – Roxy 3
10/10 (segunda-feira) – 17:30 horas – Estação NET Ipanema 1
16/10 (domingo) – 13:10 horas – Reserva Cultural Niterói 2
Sinopse: “Youn So-young é uma das muitas senhoras coreanas que, para evitar a mendicância, passam as tardes no parque Jongmyo vendendo Baco, uma espécie de refrigerante energético de muito sucesso na Coreia do Sul. Apesar da idade avançada, Youn, bem como muitas outras senhoras, não oferece apenas a bebida, mas também serviços sexuais. Quando a mãe do pequeno Min-ho é presa, So-young assume os cuidados do menino. Ele, que só fala filipino, vai conhecer um mundo novo ao lado de sua ‘nova mãe’ e seus melhores amigos: uma vizinha transexual e um jovem de uma perna só. Festival de Berlim 2016.”

O túnel

Direção: Kim Seong-hun
Exibição:
07/10 (sexta-feira) – 21:20 horas – Reserva Cultural Niterói 2
10/10 (segunda-feira) – 21:45 horas – Kinoplex São Luiz 2
16/10 (domingo) – 18:50 horas – Cine Odeon – Centro Cultural Luiz Severiano Ribeiro
19/10 (quarta-feira) – 13:00 horas – Roxy 2
Sinopse: “Jung-su dirige para casa. No caminho, algo inacreditável acontece: um túnel despenca, deixando-o preso entre os escombros. O episódio gera um frenesi na mídia local, e um repórter consegue fazer uma entrevista com Jung-su por celular. Em poucos dias, uma série de erros primários no resgate colocam-no em uma situação ainda mais complicada, deixando-o sem comida, sem água e incomunicável. Os dias passam, as buscas não progridem e todos começam a perder as esperanças, enquanto sua família é forçada a tomar uma difícil decisão, sem saber se Jung-su está vivo ou morto. Festival de Locarno 2016.”

https://www.youtube.com/watch?v=4YyyVkkKT-s

Você e os seus

Direção: Hong Sang-soo
Exibição:
08/10 (sábado) – 14:50 horas – Roxy 2
10/10 (segunda-feira) – 16:00 horas – Museu da República
13/10 (quinta-feira) – 19:15 horas – Kinoplex São Luiz 2
Sinopse: “O pintor Young-soo está com problemas em sua vida pessoal. Sua mãe está doente e ele ficou sabendo que Minjung, sua namorada, saiu para beber na companhia de um homem desconhecido. Quando ele a confronta, ela diz que quer dar um tempo. No dia seguinte, ele volta a procurá-la, mas não a encontra. Ele cruza então com várias mulheres com algum tipo de semelhança com Minjung. E todas elas estão a caminho de encontros amorosos. Será que essas várias versões de Minjung estão buscando nos solteiros da região alguém para substituir Young-soo? Novo filme do diretor Hong Sang-soo. Toronto 2016.”

 

O festival também contará com palestras, workshops e seminários. Para conferir a programação completa acesse o site.

Sinopses e informações retiradas do site do festival.
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‘Train to Busan’ estreia nos cinemas brasileiros em Novembro

Com o nome de “Invasão Zumbi”, o blockbuster coreano já tem data de estreia no Brasil.

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Novembro promete ser emocionante para os fãs brasileiros. O sucesso sul coreano chega aos cinemas no dia 24 através da Paris Filmes.

Train to Busan já é considerado o filme desse ano mais comentado da Coreia. De seu elenco à direção e roteiro, é tudo feito de forma impressiva. O filme teve sua premiere no Festival de Cannes em maio e surpreendeu pelo “apocalipse zumbi” somado à sublimes comentários políticos-social, relacionados também ao egoísmo das corporações e da sociedade.

O sucesso foi tanto que a produção rapidamente alcançou mais de 8 milhões de expectadores na Coreia do Sul e arrecadou mais de 35 milhões de dólares na primeira semana de lançamento, quebrando recordes. Hoje, grandes companhias de Hollywood e da Europa brigam pelos direitos do remake e uma continuação do filme com os atores originais está sendo estudada.

O filme dirigido por Sang Ho Yeon e estrelado por atores consagrados como Ma Dong Seok e Gong Yoo, se passa em Seul, nos dias atuais. Nele, a Coreia é dominada por uma epidemia que transforma pessoas em zumbis e as pessoas neste trem bala direcionado a Busan lutam por suas vidas. De forma aterrorizante (e as vezes engraçada), somos envolvidos pelo desespero dos personagens para se salvarem. Vale a pena conferir!

Por Caroline Akioka
Não retirar sem os devidos créditos.
Fonte: Cinepop