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Resenha: Na companhia dos Deuses – Dois Mundos combina elenco de peso e produção grandiosa em aventura sobrenatural

Um bombeiro morre ao salvar a vida de uma garotinha durante um incêndio. Essa não é uma cena rara em finais emocionantes de filmes mas, em Na companhia dos Deuses – Dois Mundos trata-se dos cinco minutos inicias da trama e que dá início à aventura de Kim Já-Hong e seu trio de advogados/guardiões sobrenaturais.

Inspirado na webcomic “Singwa Hamgge” (Com os Deuses, em tradução livre) que, por sua vez, baseia-se no dogma Budista do Carma, Julgamento e Renascimento, o longa metragem tornou-se o segundo filme mais assistido na história cinematográfica da Coreia e será uma das obras exibidas durante a Mostra de Cinema Coreano que acontece durante a próxima semana (19-22 de Junho) em São Paulo.

Na Companhia dos Deuses conta a história de Kim Ja-hong (Cha Tae-hyun), um dedicado bombeiro que morre em serviço e é levado ao submundo pelos guardiões Deok-choon (Kim Hyang-gi), Hewonmak (Ju Ji-hoon) e Gang-lim (Ha Jung-woo). É no portal do Mundo Espiritual que Ja-hong é informado de seu destino. Devido à sua morte honrosa e à vida virtuosa que levou, ele é um ‘modelo ideal’ e o primeiro candidato à reencarnação em 19 anos. Para que possa ter uma nova vida (e de quebra ajudar seus guardiões a conseguirem o mesmo), durante 49 dias, ele precisa enfrentar sete julgamentos: violência, traição, impiedade filial, assassinato, indolência, trapaça e injustiça. Os planos dos guardiões, entretanto, são interferidos por um Ja-hong que se recusa a aceitar sua condição de modelo ideal, alegando que a vida generosa não passou de uma farsa, e por um espírito vingativo que persegue o grupo e parece estar conectado ao passado familiar complicado de Kim Ja-hong, sua mãe muda e seu irmão ressentido.

O filme, que foi gravado em duas partes e promete uma sequência para agosto deste ano, conta com um elenco de primeira que, por muitas vezes, chama mais atenção que os efeitos especiais que renderam um Baeksang Award ao diretor técnico. Os veteranos Cha Tae-Hyun, Ha Jung-Woo, Lee Jung-jae (como o rei dos deuses), Oh Dal-su e Lim Won-hee (como os atrapalhados promotores do Inferno) dispensam apresentações e, como esperado, esbanjam carisma. Responsáveis por um show de atuação são, também, os atores mais jovens do longa: Kim Hyang-gi (que você também pode ver no fantástico e triste Snowy Road) rouba a cena como a guardiã assistente Deok-choon que, com sua doçura e compaixão, se recusa a perder o caso de Ja-hong; Do Kyung-Soo (sim, o do EXO!) já mostrou que tem talento de sobra e, mais uma vez, encanta a todos com o sensível e abalado soldado Won Dong-yeon; e, apesar de sua curta participação, a fofa e talentosa Kim Su-an (de Invasão Zumbi) encanta como a jovial, e ligeiramente assustadora, Deusa da Trapaça.

Na Companhia dos Deuses pode não se encaixar nos romances dramáticos ou suspenses sanguinários pelos quais a Coreia do Sul é conhecida, mas o sensacional elenco aliado à mensagem moral “Seja uma pessoa decente e cuide dos seus pais!” deixam uma sensação agradável ao final do filme e as cenas finais, que mostram um pedacinho da sequência (Na Companhia dos Deuses – os 49 dias finais) deixam a audiência com gostinho de quero mais.

Por: Jeiciane Torres
Não retirar sem os devidos créditos.

Filmes coreanos premiados são parte de mostra de cinema gratuito em São Paulo

O Consulado Geral da Coreia do Sul em parceria com o Centro Cultural São Paulo, trazem grandes obras do cinema coreano para mostra gratuita em São Paulo. No mês de junho, filmes premiados que dominaram os cinemas coreanos principalmente em 2016 e 2017, serão apresentados entre os dias 19 e 22 no CCSP.

Além da apresentação dos filmes, o aclamado diretor coreano Jung Huh terá uma sessão de debate com os presentes após a exibição de seus dois sucessos Esconde-Esconde (Hide and Seek, 2013) e O Mímico (The Mimic, 2017). Nascido na Coreia do sul em 1981, Huh estreou como diretor de longa-metragem em 2013. Com atores desconhecidos, o thriller marcou o público e colocou o diretor no centro das atenções, ganhando o prêmio de Melhor Novo Diretor na Associação Coreana de Críticos de Cinema.

Os ingressos para as sessões podem ser retirados na bilheteria do CCSP, porém o debate com o diretor possui vagas limitadas e você deve encaminhar sua incrição antecipadamente para o email contato@kccbrazil.com.br .

A mostra traz blockbusters recentes com atores e diretores renomados. Confira a programação e filmes que serão exibidos:

 

Esconde-Esconde
Jung Huh
2013 | 107 min | Suspense
Sung-soo tem tudo: uma bela mulher e filhos, uma casa confortável e um carro de luxo, e muito dinheiro no banco. Quando descobre que seu irmão afastado desapareceu, Sung-soo visita seu apartamento em busca de respostas e encontra estranhos símbolos escritos sob as campainhas, e os vizinhos aterrorizados que trancam suas portas à visão de um estranho. Com seus próprios pesadelos saindo do controle, Sung-soo deve encarar seus medos mais primitivos para revelar a chocante verdade por trás do terror cada vez mais intenso. Esconde-Esconde é um elogiado thriller que conseguiu a oitava posição na lista de filmes que mais arrecadaram na Coreia do Sul em 2013, além de ser o thriller que arrecadou dinheiro mais rápido na história do cinema coreano.

O Mímico
Jung Huh
2017 | 100 min | Suspense
Uma mulher com o filho desaparecido adota uma garota que ela achou próxima a uma misteriosa montanha cujas lendas dizem que vive uma criatura mística que mimetiza os humanos. Novo filme do diretor do hit Esconde-Esconde.

O Túnel
Kim Seong-hun
2016 | 126 min | Drama
Jung-su (Jung-woo Ha) é um vendedor de carros. Certo dia, ele sai de seu trabalho e vai o mais rápido possível para casa, tentando chegar a tempo de comemorar seu aniversário com sua família. No entanto, algo bizarro e inesperado impede a conclusão da jornada de Jung-su: um túnel despenca, deixando o homem preso nos escombros.

Eu posso falar
Hyun-seok Kim
2017 | 119 min | Comédia/Drama
O filme conta a história de uma senhora de idade e um jovem oficial em serviço. Eles ficam amigos quando a senhora começa a ter aulas de inglês com o oficial. Eventualmente, o oficial acaba descobrindo as verdadeiras razões pela qual a senhora resolveu aprender inglês. O filme ganhou os principais prêmios da academia cinematográfica coreana, além de diversos prêmios para a atriz principal do filme.

Companhia dos Deuses, Dois Mundos
Kim Yong-hwa
2017 | 139 min | Drama/Fantasia
O primeiro filme da Coreia do Sul a ser produzido como uma franquia. O filme segue a jornada de Ja-hong, um bombeiro que após ser morto inesperadamente, é levado ao encontro com os Deuses no submundo espiritual para reencarnar como herói. Para isso ele precisa superar sete testes no período de 49 dias.

Olhos Frios
Ui-Seok Jo , Byung-seo Kim
2014 | 119 min| Ação
Uma gangue de assaltantes, liderada por James (Woo-sung Jung), está comentando grandes furtos. Para impedi-los a unidade do Departamento de Crimes Especiais da polícia coreana organiza uma operação sem falhas para captura-los através de um grande sistema de vigilância. Há Yoon-joo (Hyo-ju han) se junta ao Chefe Hwang (Kyung-gu Sol), líder da unidade e da missão de caçar James.

Motorista de Taxi
Hun Jang
2017 | 137 min | Histórico/Ação
Em maio de 1980, um taxista de Seul recebe uma proposta de um repórter estrangeiro que consiste em transportá-lo para Gwangju e depois voltar para o local de origem por uma bagatela que cobrirá meses de seu aluguel pendente. No local, o taxista descobre uma realidade que ainda não conhecia: a ditadura militar na Coreia, quando centenas de civis foram massacrados pelo governo.

Serviço:

Mostra de Cinema Coreano
Data: 19 a 22 de junho de 2018
CCSP – Centro Cultural São Paulo – Av. Vergueiro, 1000 – Paraíso
Entrada Franca
Mais informações: (11) 2893-1098 ou contato@kccbrazil.com.br

 

Por Caroline Akioka
Não retirar sem os devidos créditos.

Aumenta a representatividade feminina nos dramas e filmes coreanos

Em contraste com personagens carismáticos masculinos que tem tido uma forte presença em produções coreanas, as personagens femininas tem aparecido apenas em algumas e em quantidade bem menor que os masculinos. Isso devia-se ao fato das personagens femininas não serem vistas como “rentáveis”.

Os tempos mudaram.

No mês de junho poderemos observar mulheres que fazem artes marciais, andam de moto e participam de perseguições de carros em filmes e dramas.

A atriz Lee SiYoung, que também é uma profissional de boxe, no novo drama de ação da MBC “The Guardians” é uma combatente. Ela representará o papel de uma ex-detetive de homicídios que perde a sua filha em um assassinato e depois se junta a um grupo de vigilantes com a intenção de se vingar da pessoa responsável pela morte da sua filha. Ela luta contra vilões, corre, rola e se agarra em carros em movimento, sem o apoio de uma dublê.

Nesta temporada todos os dramas de Segunda e Terça, em todas as emissoras, têm mostrado personagens femininas fortes.

Na emissora SBS, no drama de fantasia histórico “My Sassy Girl”, a atriz Oh YeonSeo, interpreta uma princesa da era Joseon. Ela enfrenta as injustiças e as formalidades vazias da vaidade na corte real, com sua excentricidade ela luta pelo que acha certo. Já no drama da emissora KBS, “Fight for my way”, Kim JiWon interpreta uma jovem que trabalha como recepcionista em uma loja de departamentos, mas que sonha e luta em se tornar uma apresentadora de jornal.

Já nos cinemas, atrizes de ação com ar de heroínas têm aparecido cada vez mais. No filme recém lançado “The Villainess”, a atriz Kim OkVin, interpreta uma assassina habilidosa chamada de SukHee, que atira, esfaqueia e mata com armas que vão desde adagas a machados. O filme foi convidado a participar na categoria da sessão da meia–noite, do 70º Festival de Cannes, infelizmente o filme não concorrerá a prêmios, será apenas exibido. Kim fez 90% de suas cenas de ação sem a ajuda de uma dublê.

Kim OkVin no papel de SukHee no filme “The Villainess”

“Eu fui atraída pelo filme pelo fato de que poucos filmes retratam o processo de crescimento de uma personagem feminina” disse a atriz em recente entrevista a um jornal local. Ela também lamentou sobre os números limitados de personagens que atrizes tem na indústria coreana cinematográfica. Neste mesmo filme Kim SeoHyun também possui uma forte presença, interpretando uma chefe da Agência de inteligência coreana que recruta SukHee e a treina para ser uma agente disfarçada.

“Quando eu disse aos meus amigos que eu iria fazer um filme completamente centrado em uma personagem feminina eles pareciam mais preocupados do que felizes e disseram que é ainda muito cedo para fazer algo do tipo. Depois disso tive mais certeza de que precisava fazer este filme.”

Jung ByungGil diretor do filme “The Villainess” .

Em outro filme também recém-lançado, “The Merciless”, que por acaso também participou da mesma sessão da meia-noite do festival de Cannes, a atriz Jeon HyeJin interpreta uma policial, que coloca outro policial disfarçado na cadeia para se aproximar de um líder de uma gangue. Entre tantos gangsters masculinos, com sangue frio e carismáticos personagens, a atriz causou grande impacto.

Jeon HyeJin no papel de Chun InSook em “The Merciless”

Mais filmes de ação e crime com personagens femininas estão para serem lançados. No título do filme ainda não confirmado “Negotiation”, a atriz Son YeJin fará o papel de uma intermediadora que trabalha em uma equipe policial de negociação em casos de sequestro, enquanto HyunBin interpretará o sequestrador do chefe da equipe. Outro filme de ação a ser lançado é “Witch”, que contará a história de uma menina do ensino médio que é treinada para ser uma assassina depois de passar por experimentos em laboratório. Muitos tem dito que o filme será uma versão coreana de “Ghost in the Shell.”

Uma das razões para que personagens femininas estejam marcando tanta presença em produções coreanas, segundo especialistas da indústria cinematográfica, é que o perfil dos telespectadores mudaram. Os principais telespectadores dos dramas são mulheres entre 20 e 30 anos. Por isso os dramas necessitam refletir o seu público, mulheres ativas e independentes. “Por muito tempo, os filmes coreanos em sua maioria foram com personagens masculinos, estes novos filmes com mulheres nos papéis principais é uma mudança bem-vinda e veremos mais filmes como estes no futuro.”, disse um dos oficiais de distribuição de filmes.

Tradução e adaptação: Lorena Tarabauka
Original: Korea Times
Não retirar sem os devidos créditos.

Primeira produção coreana da Netflix recebe aplausos de pé no Festival de Cannes

Contem leves spoilers.

O primeiro filme coreano produzido pela Netflix, Okja, foi exibido no Festival de Cannes e recebeu aplausos de pé pela platéia. O filme bilíngüe é uma comédia que gira em torno de uma empresa de alimentos e trata da sua ética, que é a GMO produtos. O filme é estrelado por atores globalmente reconhecidos como: Tilda Swinton, Jake Gyllenhaal, Steven Yeun e a atriz-mirim Ahn SeoHyun.
Okja utiliza a alegoria da amizade entre animal e criança, infalível para contar uma boa história. O que também é infalível nesse filme é a habilidade criacional de seu diretor, que busca narrar a trajetória de Mija (Seo-hyun) em proteger sua amiga, um super porco – misto de hipopótamo e cachorro, extremamente dócil e fiel – chamada Okja.
Em momento algum Okja abandona o discurso em defesa à natureza, nem mesmo quando o filme se torna ação e um toque de humor infantilizando, para então lhe desvendar toda a batalha midiática antes oculta.

Tilda Swinton caracterizada para sua personagem com ares de anime.

Dirigido por Bong JoonHo, sofreu algumas críticas por parte da Federação Nacional Francesa de Cinema no Festival de Cannes, devido a escolha do filme ser lançado em um serviço de streaming, ao invés de ser lançado nos cinemas, uma vez que é uma produção cinematográfica.

Mija, personagem de Ahn Seo-hyun.

Contudo, ocorreram alguns problemas técnicos durante a projeção, como o desalinhamento da tela, que freqüentemente cortava os rostos dos atores, algumas vezes até por vários minutos. Mesmo com esses problemas a audiência gostou da linda mensagem do filme e ficaram muito impressionados com o desempenho dos atores.

Okja estará disponível na Netflix a partir do dia 28 de junho. Confira o trailer abaixo:

Por Lorena Tarabauka
Tradução e adaptação: Koreaboo + Adoro Cinema
Não retirar sem os devidos créditos.

Review: Hyung – My annoying brother

Ficha técnica

Título original:
Data de lançamento: 23 de novembro de 2016
Roteiro: Yoo YoungA
Direção: Kwon SooKyung
Elenco: Jo JungSuk, Do KyungSoo (D.O) e Park ShinHye

Sinopse

Doo Young (Do KyungSoo) estava experimentando o ápice da sua carreira como um atleta de judô, até que um dia em dos seus combates, ele acaba sofrendo uma queda que danifica seu nervo óptico, fazendo com ele perca a sua visão.
Ao saber disso seu irmão DooSik (Jo JungSuk) que está preso, resolve se beneficiar dessa situação e sensibilizar os promotores para conseguir uma diminuição da sua pena, para supostamente cuidar do seu irmão já que o único familiar que está vivo e pode ajudá-lo.
Porém a relação entre os dois nunca foi uma das melhores, e agora que são obrigados a conviver juntos, começam a construir laços.

 

Crítica

Hyung tem o roteiro escrito por Yoo YoungA, responsável por muitas outras obras conhecidas como Always, The Tower, As one, Like for likes, entre muitos outros. Seguindo a tendência de seus trabalhos anteriores, os personagens são bem escritos e a história apresenta uma cronologia regular, sem pontas soltas, são redondos com um começo, meio e fim, bem marcados. A direção é por conta de Kwon SooKyung que não possui trabalhos muitos expressivos em seu currículo sendo esse o seu segundo trabalho.

No começo do filme já somos atingidos com a perca de visão de DooYoung, e com o seu irmão já saindo da cadeia. A partir de então filme foca em mostrar a tristeza de DooYoung em lidar com o fato de ficar cego da noite para o dia e a sua dificuldade em se adaptar a sua nova realidade, adicionado ao fato de agora ter que conviver com o seu irmão da qual nunca teve uma relação muito boa. No começo Soo Sik aparenta não ter um pingo de afeição pelo seu irmão ou empatia por sua condição, que até chega a irritar o telespectador.

Contudo no meio do filme até o final, o enredo nos presenteia com expressões lindas, carismáticas e exemplares do amor fraternal, a medida que vamos entendo os motivos das atitudes do irmão mais velho. Bem como a redenção de Soo Sik. D.O que já havia surpreendido no drama It’s okay that’s love, nos dá mais uma vez motivos para acompanhar seus próximos trabalhos.

Enfim, é um filme para se emocionar e dar risadas ao mesmo tempo, uma prova para nunca se perder a fé na próximo.

Por Lorena Tarabauka
Não retirar sem devidos créditos

Crítica: The Handmaiden (A criada)

Finalzinho de 2016 e começo de 2017 tem sido muito bom pro cinema coreano, foi nesse período que mais temos visto filmes desse país passando em cinemas brasileiros. Por mais que no momento a maioria só esteja falando de Invasão Zumbi (Train of Busan), outro filme está entrando em cartaz nos salas nacionais, este filme chegou até ser cogitado a representar a Coreia do Sul na corrida ao Oscar na categoria de filme estrangeiro, mas acabou perdendo para Age of Shadows, e foi muito bem recebido pelos críticos e destaque no Festival de Cinema de Cannes, estamos falando de The Handmaiden traduzido para o português como A Criada.

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Ficha técnica

Título original: 아가씨 (Agassi)
Data de lançamento: 1 de Junho de 2016 (Coreia do Sul)
Roteiro: Park ChangWook e Chung SeoKyung
Diretor: 
Park ChangWook
Elenco: 
Kim MinHee, Kim TaeRi, Ha JungWoo, Cho JinWoong e Moon SoRi

Sinopse

The Handmaiden tem seu roteiro baseado no romance Fingersmith da autora britânica Sarah Waters. O enredo foi adaptada no contexto coreano, mais precisamente no ano de 1930, época em que a Coréia estava sob a ocupação japonesa.

O filme conta a história de Hideko (Kim MinHee) uma mulher herdeira de uma considerável fortuna de seu tio Kouzuki (Cho JinWoong). Esta possui certos traumas devido a uma criação abusiva que recebeu dele. Ciente disso Fujiwara (Ha JungWoo) cria um plano no qual consiste em seduzi-la, casar-se com ela, herdar a fortuna e depois trancá-la em um sanatório. E para isso ele conta com a ajuda de SooKee (Kim TaeRi) uma batedora de carteira, muito boa em persuadir e mentir, sob a promessa de receber uma parte da fortuna de Hideko. Porém o que Fujiwara não esperava era que as duas acabasse se apaixonando uma pela outra.

 

Crítica

The Handmaiden é um filme trincado, que erroneamente pode te enganar nos primeiros minutos, digo isso devido a que no começo ele parece ser um filme com personagens típicos, a ingênua, uma fortuna e dois sujeitos inteligentíssimos tentando se dar bem. Pois não deixe os primeiros 20 minutos te enganar. Acredite o filme é bem mais do que isso. Alguns podem achar o começo um pouco lento, porém é o ritmo necessário para o desenvolvimento do roteiro e para o restante do filme.

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Este é o tipo de filme que você desiste de entendê- lo e decifrá-lo, chega um ponto em que você só deve deixá-lo te levar. Você passa a entender que nada é o que aparece, os personagens não se encaixam no pré-moldes que você pode criar. Park ChangWook avança e retrocede no tempo dos acontecimentos para demonstrar o ponto de vista de cada um. A passo de você já não saber quem está enganando quem.

 

Ele sim é considerado um filme erótico, mas acredito que o filme ultrapassa as barreiras de um gênero, as partes sensuais do filme não são o foco aqui, mas algo mais profundo e inteligente (que a muito tempo eu não via). O filme possui o poder de te arrastar para a história e fazer com que duas horas de filme pareçam 15 minutos.

A fotografia desse filme é de tirar o fôlego, tudo muito bem dosado e com as cores certas para passar ao filme o tom de mistério que ele possui.

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Para os moldes da sociedade coreana esse filme ganha um significado maior quando falamos em choque, foi um filme completamente arriscado e de muita personalidade perante uma sociedade que afirma que não existe homossexualidade em seu país, é claro que os tempos estão mudando, a nova geração já não acredita tanto nessa ideia e aceita melhor as diferenças. Este filme é uma prova da mudança e de incentivo a essa nova consciência coletiva.

Enfim, é um filme incrível que eu acredito que a Coreia não erraria caso o tivesse escolhido como seu representante ao Oscar, ouso até dizer que o filme tem um roteiro muito melhor e original do que as produções americanas que irão concorrer nas principais categorias. Vale a pena do primeiro minuto até o último.

Por Lorena Tarabauka
Não retirar sem devidos créditos

Aprecie o cinema coreano no Festival do Rio

Ontem iniciou o Festival do Rio 2016, um festival de cinema que vai durar de 6 a 16 de outubro, onde por dez dias o Rio de Janeiro será a capital mundial do cinema. O festival foi criado em 1999 e esse ano conta com 3 filmes coreanos na programação. As sessões serão transmitidas no Rio de Janeiro e em Niterói.

É uma ótima oportunidade para conhecer e debater sobre o mercado cinematográfico não apenas da Coreia do Sul como do mundo, além de encontrar outros cinéfilos e conhecer as novidades do audiovisual. Confira os filmes:

A dama de Baco

Direção: E J-yong
Exibição:
07/10 (sexta-feira) – 17:00 e 21:45 horas – Kinoplex São Luiz 2
08/10 (sábado) – 15:30 horas – Roxy 3
10/10 (segunda-feira) – 17:30 horas – Estação NET Ipanema 1
16/10 (domingo) – 13:10 horas – Reserva Cultural Niterói 2
Sinopse: “Youn So-young é uma das muitas senhoras coreanas que, para evitar a mendicância, passam as tardes no parque Jongmyo vendendo Baco, uma espécie de refrigerante energético de muito sucesso na Coreia do Sul. Apesar da idade avançada, Youn, bem como muitas outras senhoras, não oferece apenas a bebida, mas também serviços sexuais. Quando a mãe do pequeno Min-ho é presa, So-young assume os cuidados do menino. Ele, que só fala filipino, vai conhecer um mundo novo ao lado de sua ‘nova mãe’ e seus melhores amigos: uma vizinha transexual e um jovem de uma perna só. Festival de Berlim 2016.”

O túnel

Direção: Kim Seong-hun
Exibição:
07/10 (sexta-feira) – 21:20 horas – Reserva Cultural Niterói 2
10/10 (segunda-feira) – 21:45 horas – Kinoplex São Luiz 2
16/10 (domingo) – 18:50 horas – Cine Odeon – Centro Cultural Luiz Severiano Ribeiro
19/10 (quarta-feira) – 13:00 horas – Roxy 2
Sinopse: “Jung-su dirige para casa. No caminho, algo inacreditável acontece: um túnel despenca, deixando-o preso entre os escombros. O episódio gera um frenesi na mídia local, e um repórter consegue fazer uma entrevista com Jung-su por celular. Em poucos dias, uma série de erros primários no resgate colocam-no em uma situação ainda mais complicada, deixando-o sem comida, sem água e incomunicável. Os dias passam, as buscas não progridem e todos começam a perder as esperanças, enquanto sua família é forçada a tomar uma difícil decisão, sem saber se Jung-su está vivo ou morto. Festival de Locarno 2016.”

https://www.youtube.com/watch?v=4YyyVkkKT-s

Você e os seus

Direção: Hong Sang-soo
Exibição:
08/10 (sábado) – 14:50 horas – Roxy 2
10/10 (segunda-feira) – 16:00 horas – Museu da República
13/10 (quinta-feira) – 19:15 horas – Kinoplex São Luiz 2
Sinopse: “O pintor Young-soo está com problemas em sua vida pessoal. Sua mãe está doente e ele ficou sabendo que Minjung, sua namorada, saiu para beber na companhia de um homem desconhecido. Quando ele a confronta, ela diz que quer dar um tempo. No dia seguinte, ele volta a procurá-la, mas não a encontra. Ele cruza então com várias mulheres com algum tipo de semelhança com Minjung. E todas elas estão a caminho de encontros amorosos. Será que essas várias versões de Minjung estão buscando nos solteiros da região alguém para substituir Young-soo? Novo filme do diretor Hong Sang-soo. Toronto 2016.”

 

O festival também contará com palestras, workshops e seminários. Para conferir a programação completa acesse o site.

Sinopses e informações retiradas do site do festival.
Não retirar sem devidos créditos.