Coreia do Norte

Em encontro histórico, líderes coreanos buscam a paz entre Coreia do Sul e do Norte

Na manhã desta sexta-feira do dia 27 (no horário da Coreia do Sul) o presidente sul-coreano Moon Jae-in e o líder norte-coreano Kim Jong-un fizeram história em Panmunjeom, Coreia do Sul, fronteira com a Coreia do Norte.

Em um encontro diplomático e cheio de expectativas, os líderes coreanos conversaram sobre a possível desnuclearização da Coreia do Norte e redigiram uma declaração conjunta, onde asseguram que trabalharão unidos pela paz, melhoria das relações e bem-estar de ambos países. Segundo o porta-voz da presidência sul-coreana, Yoon Young-chan, esses foram os assuntos entre os dois países, que tecnicamente ainda seguem em guerra.
Você pode ver aqui com detalhes o documento histórico criado e assinado pelos dois líderes, onde buscam a paz, o respeito e maior integração entre as duas nações.

Artistas de K-pop farão show na Coreia do Norte pela primeira vez desde 2005

A Coreia do Sul afirmou que irá enviar artistas de k-pop e cantores veteranos para performarem na Coreia do Norte pela primeira vez em mais de uma década.

Uma caravana de mais de 150 membros serão encaminhados para uma série de apresentações do dia 31 de março a 4 de abril. Entre eles, estão o grupo feminino Red Velvet e cantores como Cho Yong Pil, Seohyun (SNSD), Baek Ji Young, Lee Sun hee e Choi Jin Hee. Red Velvet será o quinto grupo idol a performar no Norte após Sechskies, Fin.K.L, Shinhwa e Baby Vox.

Cho Yong Pil foi o último cantor sul coreano a performar no Norte, em um concerto em Pyongyang em 2005.

A visita é uma forma de reciprocidade após a Coreia do Norte enviar artistas para as Olímpiadas de Inverno de Pyeongchang e para continuar estreitando as relações entre os dois países.

Por Caroline Akioka
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Coréia do Sul suspende instalação do THAAD

O novo governo sul-coreano suspendeu a instalação do polêmico sistema de defesa antimíssil dos EUA que esticou as relações com a China e irritou a Coréia do Norte.

Um funcionário disse à CNN na quarta-feira que, embora Seul não retire os dois lançadores do Terminal de Defesa de Área de Alta Altitude (tradução livre para a sigla THAAD) que já estão em ação, quatro lançadores adicionais não serão implantados até que “uma avaliação de impacto ambiental completa seja completada.”

O presidente Moon Jae-in, ainda durante a recente campanha eleitoral, já havia pedido que o lançamento do THAAD fosse interrompido e que qualquer decisão sobre seu futuro fosse avaliada pelo parlamento do país.

Após a implantação inicial do sistema de defesa, que conta com radares potentes, as relações entre Seul e Pequim se agravaram significativamente, afetando empresas sul-coreanas e coreanos que vivem na China. Segundo a China, o sistema poderia também servir como uma espécie de especial do país.

Um porta-voz do Pentágono disse que os Estados Unidos trabalharão com o governo sul-coreano “ao longo deste processo”.
“Os EUA confiam (na posição da Coréia do Sul) que a instalação do THAAD foi uma decisão de aliança e não será revertida”, disse Gary Ross, comandante da Marinha Norte-Americana.

 

O Que é o THAAD?

Imagem: Lockheed Martin.

O sistema de defesa THAAD, além das bases antimíssil, também inclui um radar sofisticado que se encaixa em sua série sobreposta no complexo sistemas de defesa antimíssil dos EUA, que inclui os navios de guerra Aegis que operam no Pacífico e Baterias de mísseis Patriot implantadas no Japão.
O radar poderia fornecer dados críticos de rastreamento antecipado para esses sistemas de interceptação de mísseis, bem como aqueles que protegem o Guam, o território mais próximo dos EUA para a Coréia do Norte.

 

Tradução e adaptação: Naira Nunes
Fonte: CNN
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5 coisas que você precisa saber sobre as ameaças nucleares da Coreia do Norte

Coreia do Norte, Coreia do Sul e Estados Unidos parecem estar à beira de uma guerra nuclear. A cada dia surgem notícias sobre um novo teste, uma nova resposta e mais estragos. Nesta segunda-feira (22), a Coreia do Norte afirmou que testou com sucesso um míssil balístico que agora poderá ser produzido em massa. Além da Ásia, as ações de Kim Jong-un ameaçam toda a segurança mundial. Por isso, para entender melhor essa disputa internacional, a K-IN reuniu cinco pontos principais que resumem algumas questões. Confira abaixo:

 

1) Como tudo começou

Embora as tensões envolvendo a Coreia do Norte venham sendo muito discutidas ultimamente, a rivalidade entre o país, seus vizinhos e os Estados Unidos iniciou-se há muito tempo. Com o fim da Guerra Fria, a família Kim, que comanda a Coreia do Norte, percebeu a ameaça iminente dos EUA e começou a investir na corrida nuclear. Há mais de 60 anos, o argumento é que o programa militar tem caráter defensivo contra a política agressiva dos EUA de manter forças armadas operacionais na região.

Desde então, o programa de armas de Pyongyang tem demonstrado grande avanço, passando pelo foguete tático de artilharia em 1960 e 1970 aos mísseis balísticos de curto e longo alcance em 1980 e 1990. Atualmente, um sistema de maior alcance está sendo desenvolvido, o que aumenta a preocupação com uma possível guerra, intensificando portanto a tensão entre os países.

 

2) Qual é a situação atual

Durante algum tempo, os Estados Unidos optaram pela diplomacia, propondo soluções pacíficas. No entanto, as provocações da Coreia do Norte continuaram e seu poder bélico foi apenas se fortalecendo. O objetivo atual, aparentemente, é colocar uma ogiva nuclear em um míssil balístico intercontinental, capaz de atingir alvos ao redor do mundo.

Ciente disso, a Coreia do Sul, em guerra com o Norte desde quando o território foi dividido entre comunista e capitalista (1950), conta agora com um sistema intitulado THAAD (Defesa Aérea de Alta Altitude Terminal). Basicamente, ele é capaz de interceptar mísseis inimigos. Assim, Kim Jong-un não poderá acertar os 28 mil soldados americanos instalados na Coreia do Sul. A tática prova a veracidade das palavras do vice-presidente americano Mike Pence. Segundo ele, provocar os EUA é um erro, pois a era da “paciência estratégica” acabou.

 

3) Qual é a chance real de uma guerra acontecer

Apesar do regime fechado que impera na Coreia do Norte dificultar a precisão das informações, estima-se que o país tenha mais de mil mísseis com capacidades distintas, incluindo os de longo alcance que poderiam, inclusive, supostamente alcançar o território norte-americano.

Desde 2006, os testes norte-coreanos sempre foram seguidos de hostilidade e ameaças, mas sem resultar em nenhum confronto militar direto. Além da evolução dos danos causados a cada teste, o Council on Foreign Relations aponta outros motivos que podem mudar esse cenário e que indicam uma possível guerra.

A primeira razão seria a inexperiência de Kim Jong-un, um líder jovem que herda a postura de hostilidade de sua família contra o imperialismo ocidental, e a incerteza sobre até onde ele iria com suas ações. Somando-se a isso, Kim enfrenta agora um novo líder, Donald Trump, também considerado imprevisível e agressivo.

Outro motivo citado pelo Council on Foreign Relations é o fato de Kim ser considerado mais agressivo do que qualquer outro líder norte-coreano. Quando estava no poder, seu pai realizou dois testes nucleares em cinco anos, já Jong-un caminha para o quarto teste em seis anos. Além disso, Kim parece não medir esforços para consolidar seu poder – o atual líder é acusado de ter ordenado o assassinato de seu tio e de seu irmão.

4) O papel dos EUA

Apesar dos avisos por parte dos Estados Unidos, o vice-ministro das Relações Exteriores da Coreia do Norte, Han Song-Ryol, informou à BBC que o país continuará a realizar testes de mísseis “semanalmente, mensalmente e anualmente” e ainda alertou sobre um possível cenário de guerra caso o país do presidente Trump insistir em interferir com ações militares.

Já por parte dos Estados Unidos, o vice presidente do país, Mike Pence disse no último mês, enquanto estava a bordo do porta-aviões USS Ronald Reagan, que promete um resposta esmagadora a qualquer vinda por parte da Coreia do Norte. Pence também já havia afirmado anteriormente que “todas as opções estão sobre a mesa” caso o país continue com seus testes.  O governo de Trump continua a contar com o apoio de países como Japão e China para lutar e exercer pressão sobre o regime de Kim Jong-Un.

Trump enviou um navio porta-aviões e um grupo tático para a península da Coreia, e os EUA e a Coreia do Sul estão posicionando um polêmico sistema de defesa antimísseis em preparação para possíveis hostilidades.

 

5) Possíveis resultados

Enquanto a Coreia do Norte continua a manter seus testes de mísseis, o que violaria resoluções da ONU, os Estados Unidos mantêm a postura e o discurso de que caso a Coreia do Norte continue as provocações, um cenário de guerra é possível. Os Estados Unidos também contam com o apoio da Coreia do Sul, sendo que ambos os países estão realizando exercícios de defesa aérea em conjunto.

O embaixador da Coreia do Norte na ONU, Kim In-ryong, classificou os exercícios americanos e sul coreanos como agressivos e afirmou que o país estava pronto para “qualquer tipo de guerra” que os EUA pudessem desejar.

Tensão entre os países continua: de um lado, os EUA reafirmam que não irão mais tolerar testes nucleares ou de mísseis por parte de Kim Jong-Un, enquanto o ditador norte coreano reafirma que o país está pronto para guerrear e que uma guerra termonuclear pode estourar a qualquer momento.

Em contrapartida, Mike Mullen, um dos autores de um estudo conduzido pelo Council on Foreign Relations, ressalta que a capacidade internacional de monitorar o que acontece dentro da Coreia do Norte também melhorou muito nos últimos anos. Isso permite aos analistas trabalhar com mais informações quando comparado a regimes anteriores.

 

Por Erika Nishida e Jô Mesquita
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Fontes:
BBC, G1, Veja e Nexo

A Coreia do Sul elege um novo presidente: Moon Jae-in

O candidato, e logo presidente, Moon Jae-in do Partido Democrático Liberal da Coreia manteve uma liderança confortável sobre os rivais na contagem de votos.

Com já 75% dos votos contabilizados, Moon Jae-in já é declarado vencedor com 39,8%, seguido por Hong com 25,7% e Ahn 21,4%. Um grande número da população participaram da eleição movidos pela onda democrática observada desde os protestos contra a ex-presidente Park Geun-hye. Foram 33,8 milhões de pessoas, cerca de 77,2% da população, é o maior número desde 1997, quando o presidente Kim Dae-jung foi eleito.

O resultado final ainda será revisado na manhã dessa quarta-feira. Se não encontrar nada de errado com os resultados, a organização irá declarar Moon Jae-in como vencedor oficial. Com a declaração, o vencedor será declarado imediatamente como presidente, sem o luxo do período de transição.

Moon, de 64 anos, advogado dos direitos humanos e político, recebeu muito apoio devido suas promessas de ampla repressão à corrupção e injustiças arraigadas à sociedade coreana.

“Esta vitória esmagadora era esperada e é uma vitória do anseio”, disse Moon aos membros do partido antes mesmo de sair os resultados. “Seu suor e lágrimas nunca serão esquecidos por mim”.

Eleição em meio a tensão

As promessas do provável novo presidente se devem ao escândalo de corrupção da ex-presidente Park Geun-hye (Entenda mais no dossiê da KoreaIN). Além desse fator, há as tensões com a vizinha Coreia do Norte, o presidente eleito terá o desafio de lidar com a intensificação agressiva e novas ameaças sobre os testes nucleares. Também terá que resolver a política confusa adotado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação ao caso.

Eleito, Moon deve adotar uma medida mais diplomática no trato com o Norte. Nos debates presidenciais Moon afirmou acreditar que a diplomacia é a melhor saída para convencer os norte-coreanos a deixar os testes nucleares. Ele pretende adotar uma política de diálogo e colaborações econômicas.

 

Por Amanda Soares
Fontes: The Korea Times, G1, Abc News, CNN
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O impeachment: o que vem a seguir para a Coreia do Sul?

A presidente deve deixar o cargo depois que o tribunal constitucional apoiou seu impeachment. Mas o que isso significa para o país – e uma região instável?

Por que Park Geun-hye foi deposta?

Park, que tomou posse em 2013, é uma figura proeminente de um grande escândalo de corrupção e coleguismo que se apoderou da Coreia do Sul desde o outono passado. Ela e sua confidente de longa data, Choi Soon-sil, são acusadas de conspirar para pressionar empresas a doarem grandes somas para duas fundações sem fins lucrativos que Choi montou. A Samsung, de longe a empresa mais famosa do país, está entre os que doaram cerca de 70 milhões de dólares.

Os poderes presidenciais de Park foram suspensos em dezembro, após o voto de impeachment do parlamento, que nesta sexta-feira o tribunal constitucional tomou a decisão unânime de apoiar.

Park admitiu comportar-se “ingenuamente” no seu relacionamento com Choi, mas nega coagir empresas. Ela também negou as alegações de que ela concedeu a sua amiga, que não tem autorização de segurança, acesso ilegal a assuntos estatais, e permitiu que ela influenciasse a política, incluindo a posição de Seul sobre o programa de armas nucleares da Coreia do Norte.

O tribunal pensou de forma diferente: “Park ocultou completamente a intromissão de Choi nos assuntos do Estado e negou sempre que surgiam suspeitas sobre o ato e até mesmo criticou aqueles que levantaram as suspeitas”, disse em seu pronunciamente.

O que acontece na Coreia do Sul?

A Coreia do Sul deve eleger um novo presidente dentro de 60 dias, em um momento de raiva difundida no estado da economia, e a influência exercida por suas elites políticas e industriais. O consenso entre os meios de comunicação locais são que os eleitores vão eleger seu sucesso em 9 de maio.

O primeiro-ministro da Coreia do Sul, Hwang Kyo-ahn, que foi nomeado presidente em exercício após o voto de impeachment da assembleia nacional, continuará nesse papel até a eleição.

Milhões de eleitores anti-Park esperam que o escândalo atue como um catalisador para amplas reformas para controlar a influência de política do chaebol, conglomerado familiares da Coreia do Sul. O chefe de atuação da Samsung já está em julgamento devido a conexão com as doações que a empresa fez às fundações de Choi, mas há pedidos de investigação para outros magnatas enfrentar ações legais.

Park fazendo discursos da Casa Azul Presidencial em novembro de 2016. Fotografia: Xinhua / REX / Shutterstock

E em toda região?

A decisão de sexta-feira vem num momento de tensão crescente na península coreana e na região mais larga da Ásia Pacífico. Park teve uma difícil linha contra o programa nuclear da Coreia do Norte, em contraste com alguns dos seus antecessores que acreditavam que o combate era a única maneira de persuadir Pyongyang.

Park conseguiu estabelecer laços mais estreitos com a China, mas as relações azedaram depois que a Coreia do Sul concordou em implantar um sistema de defesa antimísseis dos Estados Unidos destinado a combater a crescente ameaça do Norte. Pequim diz que o sistema Thaad representa uma ameaça a sua própria segurança e pediu que fosse cancelado.

O veterano político liberal Moon Jae-in é potencialmente o mais beneficiado da atual ira pública contra a Park e seu partido governante Saenuri. Moon, que tem uma vantagem confortável na corrida para suceder a Park, pediu que o sistema de defesa de mísseis fosse “reconsiderado”, e seria de se esperar que dialogasse com Pyongyang.

Uma foto divulgada pela agência de notícias KCNA da Coréia do Norte mostra o lançamento de quatro mísseis balísticos. Fotografia: STR / AFP / Getty Images

A presidência de Moon poderia chegar tarde demais para consertar as relações com Pequim: funcionários de Washington e Seul dizem que o Thaad pode estar pronto e funcionando já no próximo mês.

Quem ganhar a eleição, a prioridade será trazer uma aparência de estabilidade à política sul-coreana e começar a tarefa difícil de unir um país que se tornou amargamente dividido pelo escândalo.

O que vem a seguir para Park Geun-hye?

Além de terminar sua presidência com pouco menos de um ano antes de seu mandato de cinco anos expirar em fevereiro de 2018, a decisão do tribunal significa que Park perde a imunidade à acusação criminal. Agora ela não está mais no poder, os promotores podem convocar, questionar e, possivelmente, prendê-la. Ela agora tem uma inquietante espera para descobrir se ela vai enfrentar um processo criminal.

Park não comentou a decisão, mas são se afastará imediatamente da presidência da Casa Azul, disse seu porta-voz. Ela vai esperar até que sua casa particular tenha sido preparada para sua chegada.

Como os sul-coreanos estão reagindo?

Enquanto os partidários conservadores de Park se chocaram com a polícia fora do tribunal, milhões de pessoas tomaram as ruas em várias cidades desde o ano passado, pedindo seu impeachment.

Os comícios pró-Park foram menores e envolvem principalmente eleitores mais velhos que recordam com nostalgia o papel de seu pai ditador em encorajar a transformação da Coreia do Sul em uma potência econômica asiática.

Mas, dada a força da opinião pública e a gravidade das acusações contra Park, a decisão de reintegrá-la poderia ter causado agitação pública, com alguns manifestantes anti-Park ameaçando iniciar uma “revolução”.

Esta é uma tradução do jornal The Guardian.

 

A KoreaIN fez um dossiê quando o escândalo estourou na Coreia do Sul, para entender o caso acesse nosso artigo.

Traduzido por Amanda Soares
Texto original: The Guardian
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Existe Natal na Coreia do Norte?

Em cada lugar do mundo existem maneiras e tradições de se comemorar o Natal (성탄절 — Seongtanjeol). Entretanto, é preciso lembrar que é uma data cristã e nem todas as religiões celebram tal feriado. É o caso da maioria dos países da Ásia, e especificamente a Coreia do Norte. O país é majoritariamente ateísta, ou seja, que não acredita em qualquer tipo de divindade, e estimam-se que atualmente cerca de 2% da população norte coreana segue o cristianismo. Teoricamente, o feriado natalino não é celebrado, pois o governo mantem regras rígidas para todas religiões.

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Mesmo com a constituição do país jurando liberdade religiosa à todos cidadãos, praticantes cristãos correm o risco de serem presos ou até mesmo de morrer por expressarem suas opiniões e crenças. A maioria se escondem e fazem cultos em túneis subterrâneos longe dos olhos das autoridades. O Governo comunista ainda monitora outras crenças como Budismo e Chondoismo, pois acreditam que este tipo de aglomeração incentive a emigração de pessoas para outros países. Em um artigo da revista TIME em 2009, estima-se que a igreja cristã tenha ajudado cerca de 20.000 norte-coreanos a irem para a China.

A Cornerstone Ministries International, instituição missionária que trabalha com os cristãos da Coreia do Norte e da China, estima que existam entre 200 a 300 mil cristãos no país, sendo que o regime ditatorial de Kim Jong-Un afirma que existam apenas cerca de 13 mil cristãos na Coreia do Norte.

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O Centro de Dados sobre Direitos Humanos da Coreia do Norte diz que existem somente cinco igrejas cristãs no país, todas localizadas na capital Pyongyang. No entanto, elas não funcionam como locais de culto livre. Em novembro de 2013, 10.000 pessoas assistiram a execução de 80 norte-coreanos no estádio esportivo na cidade de Wonsan. O governo quis deixar uma mensagem à população, os civis foram amarrados em estacas e com sacos cobrindo a cabeça. Os corpos foram atingidos por metralhadoras enquanto eram acusados de traição aos líderes ao assistirem a TV sul-coreana e ter uma bíblia em casa.

Apesar da perseguição do regime, ainda é possível encontrar algumas luzes e árvores decorativas por ruas, restaurantes, hotéis e lojas, porém isso acontece somente para propaganda e para receber turistas. Para alguns, são arvores de Natal e para outros são apenas decorações de inverno. Muitos consideram um grande desperdício – lembrando da crise de energia que o país sofreu em 2013 por conta dos testes nucleares realizados.

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O que entra também para a temporada de “feriados” é o dia 24 de Dezembro, dia em que é comemorado o aniversário de Kim Jong Suk, primeira esposa de Kim Il Sung (primeiro líder da Coreia do Norte). Vista como uma grande heroína, esta data é celebrada por muitas organizações femininas, onde norte-coreanos vão até o Cemitério dos Mártires Revolucionários de Taesongsan prestar tributo a ela.

Diferentemente do Natal, o ano novo para a Coréia do Norte é uma grande festa, um momento de estar com a família e honrar os líderes do país. É comum levarem flores para a estátua de bronze de Kim Il Sung em Wonsan e agradecê-lo como um benfeitor e por guia-los através do novo ano.

 

Por Giovanna Akioka
Fontes: DramaFever, Time, Christian Today, NK News, Até Onde.
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Crítica: A Rede (Geumul) – 40ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

 

Novo filme do cultuado diretor Kim Ki-duk expõe as armadilhas ideológicas de uma Coreia dividida.

Helder Novaes (escritos, pesquisador e editor, formado em Letras, Artes e Cinema) nos traz mais uma crítica, desta vez o filme escolhido foi A Rede (Geumul), exibido na 40ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, que trouxe mais de 300 filmes de diversos países. O filme nos encaminha para a questão: o que acontece quando um pescador norte-coreano fica a deriva e acaba no país do Sul? Confira a crítica logo abaixo.

 

Em A Rede, exibido na 40ª Mostra de São Paulo, Kim Ki-duk muda seu estilo para contar uma história política, violenta e angustiante. Os fãs do aclamado e premiado diretor coreano (especialmente aqueles que ainda se lembram do poético Primavera, Verão, Outono, Inverno… e Primavera) certamente vão se surpreender com o estilo seco e objetivo de agora. Na trama, Nam Chul-woo é um pescador norte coreano que leva uma vida simples com sua mulher e filha. Até que um dia, por um descuido, sua rede fica presa ao motor do barco, que quebra e o deixa a deriva. O fluxo do rio, que separa as duas Coreias, acaba o levando para o Sul.

Resgatado do outro lado da fronteira, ele pede desesperadamente que o ajudem a consertar o barco e o deixem voltar para sua terra. Mas apreendido pela polícia sul-coreana ele passa por um intenso e brutal interrogatório que visa averiguar se é ou não é um espião tentando se infiltrar no lado capitalista e enviar informações ao seu país. Sem provas concretas que o incriminem, devolvê-lo ao Norte soa como derrota. Assim, sob a alegação de lutar contra a tirania, a ditadura e a lavagem cerebral que a população da Coreia do Norte recebe, tentam de todas as formas forçar a sua deserção, cerceando a livre escolha em nome de um teórico bem maior.

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O filme estabelece então uma espécie de jogo de espelhos, em que diferenças entre Sul e Norte cedem lugar a uma simetria de comportamentos e paranoias, uma vez que para o Sul é inconcebível um cidadão do Norte viver sob o regime ditatorial e não querer ficar na bem sucedida economia capitalista sul-coreana.

Com a “missão” de salvar e libertar o maior número de pessoas da tirania da ditadura norte-coreana, o lado Sul tenta de todas as formas obrigar Nam a desertar – e utilizando meios pouco democráticos de convencimento. A tentativa de cativar o pescador, mostrando-lhe a imponência e grandiosidade de Seul acaba sendo em vão. Se por um lado o camarada do norte fica impressionado com a riqueza capitalista, por outro lhe chama a atenção a pobreza em que outros vivem, o desperdício de alimentos e materiais.

Kim Ki-duk não toma partido, nem tenta levar o espectador a escolher um lado entre o norte e o sul, e por vezes procura mostrar que ambos os lados possuem mais em comum do que imaginam. Seu objetivo está em revelar o quanto o fervor ideológico é prejudicial, cega o bom senso e prejudica a vida de terceiros.

Apesar de algumas obviedades no enredo e um ou outro deslize, fatores que tornam o filme um pouco óbvio demais, A rede tem o seu valor, especialmente para aqueles que se interessam pelo tema político e a Coreia de modo geral.

 

Por Helder Novaes
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