depressão

Precisamos falar sobre: Doenças Psicológicas no Kpop

Não é incomum, apesar de sempre preocupante, que idols parem de promover com seus grupos temporariamente por motivos médicos. A maioria são causas físicas, que de fato impossibilitam a realização de atividades. As causa são muitas vezes relacionadas a acidentes no dia a dia ou mesmo durante ensaios e performances. No entanto, essas não são as únicas ocasiões que idols precisam cuidar de sua saúde. Muitos deles enfrentam ou já enfrentaram doenças psicológicas que precisaram lidar durante sua carreira, cada um de sua forma. Nesses casos a situação é um pouco mais delicada e também pode ser mais complicada de encarar, já que a origem do problema é outro e cada caso possui sua particularidade, diferenciando também a forma de superação.

A primeira dificuldade dessa situação vem do fato que a maioria desses casos são provocados, agravados ou ao menos influenciados pela rotina dos idols. Não é novidade que desde a época de trainee, até depois de fazer sucesso, os artistas encontram rotinas pesadas e cansativas, além de ser uma carreira instável pela competitividade. Todos esses fatos eventualmente causam estresse nos artistas. O estresse por si só não é incomum, visto que é normal que as pessoas passem por momentos assim, e não necessariamente figurando algo ruim. No entanto, dependendo da frequência e da circunstância de cada um, o estresse pode levar ou piorar outros problemas de saúde, sendo um dos mais comuns a depressão. Com os artistas isso não é diferente, e vários já relataram que tem ou tiveram alguma doença psicológica em suas carreiras.

 

Um problema invisível

Por não ser um assunto tão frequente a ser falado, tirando as vezes em que os próprios artistas falam de seus casos e o assunto vira manchete momentânea em portais de notícia, nem sempre é possível perceber, mas de fato um número grande de integrantes do Kpop tem ou já teve em algum momento alguma doença psicológica em sua carreira, e isso se tratando apenas os que já contaram seus casos. Além de vários que podem também passar por isso mas não divulgam.

Se contarmos apenas com depressão, a lista já é grande, e inclui artistas como a Suzy do Miss A, Taeyeon do SNSD, G-Dragon do Big Bang, Lizzy do After School, Heechul do Super Junior, Jinwoon do 2AM, e a Seo In Young do antigo Jewerly, para citar alguns.

Enquanto para alguns a situação possa ser temporária, que com algum cuidado e acompanhamento médico possa ser resolvido, com outros a condição pode ser mais séria. O Tablo, do Epik High, confessou que sofria com crises de depressão desde a infância, que só conseguia lidar através do hiphop. Ele já chegou a dizer que a depressão estava intrínseca a vida dele, e que não acredita que vá superá-la por completo algum dia. Apesar disso, ele acalmou os fãs dizendo que está bem com isso no momento. Como alguém que passou a infância com isso, ele lidava com a sua condição graças ao hiphop, o que acabou levando-o a seguir a música como carreira.

A Yoona, do SNSD, já admitiu que, durante a primeira performance delas no Japão, ela estava exausta e sobrecarregada, pensando que precisava se desenvolver e crescer como artista, e acabou desenvolvendo pensamentos depressivos. Na época, foi também a música que a ajudou a encarar a situação. Yoona resolveu ligar seu MP3 e a primeira música a tocar foi Someday, da IU, e ela percebeu que a letra da música encaixava na sua situação e se sentiu encorajada por saber que ela não era a única a passar por aquele momento difícil.

A própria IU já falou que no início da sua carreira sofreu de bulimia, resultado de estresse e insegurança carregados desde a infância, já que sua família passou por momentos difíceis que levaram a uma pressão desde jovem. Quando debutou, ainda nova, aos 15 anos, a condição foi agravada por uma ansiedade e o que ela dizia sobre “sentir seu coração sempre vazio”, e buscava na comida a compensação. Mesmo comendo, ela ainda sentia um vazio pela ansiedade, que sempre levava a comer ainda mais, chegando ao ponto de vomitar. Reconhecendo que estava mal, ela procurou ajuda médica, o que eventualmente a fez superar a sua condição.

Transtornos físicos causados por doenças psicológicas, como o caso da IU, se repetem em outros casos. A cantora Sojung, do Ladies’ Code, já relatou que na época do debut teve anorexia. Ela dizia não se sentir bonita comparada às outras integrantes do grupo e essa insegurança a fez querer perder peso para ficar mais bonita. Sua anorexia era severa, a ponto de, mesmo com fome, ela preferir não comer nada do que comer pouco e continuar sentindo vontade de comer. Tentava convencer o seu próprio corpo que não sentia fome e se odiava por querer comer. Chegou ao ponto de em um período de 3 dias comer apenas 5 tomates cerejas, além de beber água o dia inteiro.

Sojung ficou nessa situação por mais de um ano, e chegou a pesar apenas 38kg (apesar de sua altura ser 1,62m), até que percebeu a condição preocupante que estava, já sentindo dores extremas no corpo. Depois de buscar ajuda médica, a alertaram sobre o estado do seu corpo, que tinha apenas 5kg de gordural corporal e a queda drástica das suas taxa hormonais. Sojung conseguiu reverter a situação e aos poucos recuperar seu peso com a ajuda médica e apoio de suas colegas do grupo.

 

Saúde em primeiro lugar

Sojung no MV de debut Pretty Pretty, auge de sua anorexia

Também diagnosticada com anorexia, JinE, do Oh My Girl, admitiu enfrentar a doença desde 2015, quando estavam promovendo Closer. Ela afirmou que ganhava peso com muita facilidade e queria mostrar um lado “mais bonito” no primeiro comeback do grupo, e por isso decidiu passar fome, fazendo pouquíssimas refeições. Com isso ela desenvolveu outro problema, esofagite (inflamação no esôfago) e precisou ir para hospital se tratar.
Após esse susto, ela dizia ter se recuperado e deixaria a dieta extrema de lado. No entanto, o problema se provou mais sério quando, um ano depois, JinE e a sua agência determinaram que ela tirasse uma folga temporária do grupo para se recuperar da anorexia. Atualmente ela está na casa dos pais, enquanto mantém o tratamento para cuidar da sua saúde.

Também recente, em outubro do ano passado, Soyul do Crayon Pop se afastou do grupo por ter sido diagnosticada com ansiedade. Durante a preparação para o novo álbum, depois de um ano e meio sem comeback do grupo, ela sentiu muito estresse, principalmente pelas várias mudanças no ambiente, já que o presidente da agência e muito dos funcionários foram trocados nesse meio tempo. Depois que Doo Doom Chit foi lançado a condição se agravou com as performances nos programas musicais, quando chegou a sentir tontura e febre. Após o fim das promoções da música, foi anunciado que a Soyul teria uma pausa do grupo, que continuaria com as 4 integrantes, para poder se tratar.

Esse período do final de 2016 foi marcado por vários casos de idols revelando seus problemas de saúde. Outro caso foi o de Taehyun, ex-integrante do WINNER. Nessa situação em particular foi relatado que Taehyun havia sido diagnosticado com uma doença psicológica, embora não especificada. A princípio a YG anunciou que o Winner inteiro entraria em uma pausa para que o cantor pudesse se recuperar. Porém, sua condição – que vinha desde a infância – não melhorou, e o fato de o Winner estar parado por causa dele era mais um transtorno pra a melhora de Taehyun.
Após conversar com os outros integrantes e com ele foi decidido que encerrariam o contrato de Taehyun com a YG oficialmente em novembro e o Winner continuaria com 4 integrantes, sem nova adição. Podendo se cuidar sem a pressão de ser um artista, Taehyun não abandonou seu amor pela música e no começo desse ano convocou audições e criou sua própria banda.

 

Taehyun com sua nova banda

A opção de parar as promoções e atividade por algum período tem sido utilizada com frequência maior atualmente. Um dos motivos pode ser uma maior abertura para se discutirem esses temas das doenças psicológicas, que antes eram quase um tabu. Na Coreia do Sul particularmente é essencial essa discussão, visto que é o país com maior taxa de suicídio do mundo, principalmente entre jovens.
Essas revelações de idols são importantes não só porque mostram que passam pelas mesmas dificuldades de outros jovens, como também releva as pressões da indústria do Kpop e que mesmo eles precisam de apoio para cuidar da própria saúde antes que a situação se agrave.
O cantor Kiseop, do U-KISS, admitiu que quando ele tinha o sonho de virar cantor passou por várias agências para fazer audições, mas nunca conseguia. Ele chegou a desistir e passou 2 meses em depressão profunda e cogitou o suicídio. Kiseop só conseguiu superar quando viu sua mãe triste e preocupada com ele. O amor de sua mãe o fez continuar se esforçando até que eventualmente conseguiu ser aceito na NH Media e entrou pro U-KISS.

 

A música como terapia

Há outros que preferem lidar com a própria condição com o seu trabalho, no caso, a música. O Bang Yongguk, do BAP, é um desses casos. Relatado que sofre de ansiedade desde o início da carreira e também sendo um compositor, ele já fez muitas músicas autorais que demonstravam seus sentimentos. Durante o ano em que o BAP esteve em disputas legais com a TS Entertainment sobre o contrato do grupo, ele chegou a lançar uma música por conta própria, chamada 4:44 AM.
Extremamente pessoal em um momento delicado de sua carreira, a música fala sobre o peso e o sentimento de injustiça que ele sentia na época. Sobre a forma como se sentia sozinho e recorria a bebida para aguentar, mas com ainda um fio de esperança ao falar carinhosamente sobre seus dongsaens e hyungs e ao dizer que os fãs o seguravam para que ele não caísse. Não muito depois disso eles entraram em acordo com a TS e voltaram para a agência e novamente se promovendo e lançando músicas com o grupo, mas isso não o fez melhorar.
Em 2016, depois de lançarem o álbum Noir – onde quase todas as músicas tinham participação dele na letra, o que já era comum no grupo – foi anunciado que ele não participaria das promoções do álbum com Skydive, pois havia tido uma crise que o levou para o hospital, onde foi diagnosticado com síndrome do pânico e acharam melhor que ele se recuperasse devidamente.
Alguns meses depois, no início desse ano, ele voltou para o grupo e participou ativamente do single lançado em março, Rose, contribuindo para a letra de todas as músicas do single álbum, inclusive a faixa título Wake Me Up. A música é uma crítica social, bem característica dos primeiros lançamentos deles, e com toques pessoais, visto os problemas que Yongguk e o BAP passaram. O próprio MV também reflete problemas psicológicos, com cenas de uma mulher que não se sente bonita e se esforça para parecer feliz, um homem ansioso, uma mulher que se culpa por comer. A música pede por uma “revolução das emoções”, em uma mensagem para que as pessoas não reprimam os próprios sentimentos.

Quem também compartilha a composição de músicas pessoais que expressam os próprios problemas é Suga, do BTS. Em sua mixtape solo como Agust D, a música The Last retrata o conflito entre tentar ser um rapper de sucesso para realizar seus sonhos e ao mesmo tempo enfrentar a depressão, fobia social e transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) que desenvolveu ao longo dos anos. A música inteira, cantada com paixão, conta de fato a história da sua vida, expondo momentos bastante pessoais, mostrando a coragem de não esconder dos fãs o que ele já havia passado.

A depressão e as doenças psicológicas relatadas pelos artistas não se limitam apenas a sua rotina e ao estresse, existem casos de distúrbios ou resultado da genética ou causados por alguma situação na infância sem ligação a rotina de idol. A Park Bom, do antigo 2NE1, é um desses casos, que lida com depressão como resultado de um trauma. Em sua infância, crescendo nos Estados Unidos, ela tinha o sonho de ser uma jogadora de futebol profissional, até o dia  que viu uma de suas melhores amigas morrer enquanto jogava futebol com ela. O choque levou-a à depressão, que a fez desistir da carreira dos sonhos e posteriormente virar uma cantora.
Em todos esses anos ela continuou enfrentando sua depressão com remédios receitados pelo seu médico nos Estados Unidos, o que incluía anfetamina, substância proibida na Coreia e que em 2014 causou um infeliz caso de escândalo de consumo de drogas, que afetou sua carreira. É um caso único em que de certa forma ser idol a ajudou, já que conseguiu se realizar ao se tornar cantora para tentar superar um trauma antigo.

A depressão, apesar de predominante, também não é a única doença psicológica. O G.O, do MBLAQ, já afirmou que tem narcolepsia, uma doença que o leva a dormir contra a própria vontade e mesmo em momentos inesperados, como enquanto cantava uma high note. Já o Henry, do Super Junior-M, depois de ter sido criticado sobre sua postura caótica e brincalhona em momentos inadequados durante o programa da MBC Real Man, revelou que tinha Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), o que, mesmo controlado, ainda explica a certa instabilidade ainda presente e que causa essas inconveniências.

Todas essas histórias e questões podem ser tristes para os fãs que também desejam ver os seus artistas prediletos bem, e é de fato um assunto que deve ser discutido não só pelos idols mas pelas pessoas em todo o mundo que também sofrem dessas e outras doenças psicológicas. No entanto, nenhuma dessas pessoas são definidas apenas por esse aspecto. No caso dos artistas, eles ainda são cantores que desejam viver da música, serem amados por seu trabalho e ver os fãs felizes com suas criações, e é esse esforço que eles fazem e a alegria que eles conseguem para si mesmos e para os outros que não deve ser esquecida.

Por Paula Bastos Araripe
Fontes: koreaboo, thejakartapost, seoulbeats, whatsupkpop, omonatheydidn, allkpop, soompi, kpopstarz, amino, reddit, bapyessir, billboard, the rise of bangtan, dramafever, absolute mblaq, onehallyu.
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[Setembro Amarelo] Coreia do Sul e estatísticas que assustam

AVISO: Este texto é estatístico e um tanto técnico, que visa informar e conscientizar, porém pode gerar desconforto.

Neste mês de Setembro há uma intensa campanha contra o suicídio, que segundo a Organização Mundial da Saúde,  90% dos casos poderiam ser evitados.

E se tem algo que quando se menciona Coreia do Sul precisa ser falado, é suicídio. A Coreia é o segundo país onde mais pessoas tiram a própria vida, perdendo apenas a Guiana. E por que isso ocorre? Bem o suicídio está ligado à profunda depressão emocional e a qualidade de vida em sociedade. O alcoolismo, ansiedade e síndrome do pânico, são alguns dos sintomas que antevem uma parcela da população que está doente.

Apenas no país são cerca de 40 mortes por dia, se tornando a 4º causa mais comum de morte e a primeira entre pessoas de 10 a 39 anos, acima do câncer e dos acidentes de trânsito¹.

Taxas de suicídios por 100.000 pessoas. Fonte: OECD

O suicídio relacionado ao gênero

Em termos estatísticos os homens tem uma taxa de suicídio maior que a das mulheres, porém elas ganham em tentativas. Por meio de estudos concluiu-se que os homens utilizam métodos mais letais e portanto, tem uma taxa maior de conclusão. Além disso, as mortes femininas aumentaram nos últimos anos, 282% contra 244% dos homens². Os motivos podem estar relacionados com os problemas enfrentados pelas mulheres, já apontados numa matéria da KoreaIN.

Taxa de suicídio na Coreia do Sul por gênero e idade. Fonte: OMS, 2012.

O suicídio relacionado a idade

Uma das razões para a Coreia do Sul estar tão alta no ranking mundial de suicídios é pelo alto índice entre os idosos. Apesar do país ser desenvolvido, há uma grande taxa de pobreza entre os mais velhos. Isso ocorre devido ao sistema deficitário da previdência sul-coreana, a população tem que ser autossuficiente até o fim da vida. Assim muitos idosos acabam tirando a própria vida para não se tornar um fardo financeiro para a família, um vez que a cultura dos “filhos cuidarem dos pais” vem desaparecendo. Pessoas da zona rural tem a taxa de suicídio ainda mais elevadas, resultante do abandono.

Os mais jovens tradicionalmente cuidavam de seus pais idosos, mas essa estrutura social foi quebrada ao longo dos anos, deixando muitos idosos incapazes de se alimentar.
Os mais jovens tradicionalmente cuidavam de seus pais idosos, mas essa estrutura social foi quebrada ao longo dos anos, deixando muitos idosos incapazes de se alimentar.

Porém o grupo que lidera o ranking são os estudantes e universitários. Segundo o Instituto de Políticas para a Juventude, um em cada quatro estudantes tentou o suicídio pelo menos uma vez. O ambiente hiper-competitivo tem minado os jovens. Já mencionamos o documentário “Reach for the SKY”, em que mostra como uma grande parte da população em idade de estudo está sofrendo de depressão e são os pais as principais fontes de pressão para o sucesso do aluno. Pais exigentes, professores autoritários, longos cursinhos tem cobrado um preço alto da saúde dos jovens.

Muitos jovens se sentem pressionados para conseguirem boas notas.
Muitos jovens se sentem pressionados para conseguirem boas notas.

O suicídio relacionado ao status econômico

Outro fator que pode ser decisivo a causa da depressão e por fim o suicídio é o poder aquisitivo. Este está intimamente relacionado aos grupos mencionados anteriormente, levando em consideração que na Coreia do Sul o nível econômico está relacionado ao nível educacional do indivíduo. Muitos jovens, principalmente em época de vestibular, sofrem pressão social causando stress, sono inadequado, uso de álcool e cigarro; e quando associados ao baixo índice econômico se tornam quase uma bomba relógio.

Isso também afeta os idosos, devido o fator de dificuldade econômica. Cerca de 71,4% da população idosa é ignorante e 37,1% deles vivem em áreas rurais³. Assim sendo, eles são mais propensos a enfrentar problemas financeiros, o que pode levar a problemas de saúde e conflitos familiares.

Taxa de pobreza por faixa etária. Fonte: OECD, 2011.

Em épocas de crises financeiras, como a crise financeira asiática de 1997 e a recessão econômica de 1998, que gerou uma onda de desemprego, houve um aumentou da depressão clínica e suicídios no país.

Em 2014 o pai e avós do cantor LeeTeuk do Super Junior foram encontrados mortos, provavelmente devido a problemas financeiros e de saúde. Em nota o pai escreveu: “Vou levar os meus pais e ir para o céu junto, para vivermos bem. Eu sinto muito pelos meus filhos.”

O suicídio relacionado a mídia 

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A atriz Lee Eun-ju.

Muitas celebridades acabam por tirar a própria vida ao perder a fama ou receberem duras críticas. Há diversos casos conhecidos de suicídio entre celebridades, um dos casos mais conhecidos é da atriz Lee Eun-ju de TaegukgiThe Scarlet Letter. Em fevereiro de 2005, após se formar na Universidade de Dankook ela retornou ao seu apartamento, onde cortou os pulsos e se enforcou. Sua família disse que ela tinha crises de depressão e insônia, após ter realizado cenas de nudez no filme The Scarlet Letter.

Em uma nota escrita com sangue a atriz disse: “Mãe eu sinto muito e te amo”, e em outra mensagem separada escreveu: “Eu queria muito fazer isso. Mesmo que viva, eu não estou viva realmente. Eu não quero que ninguém se desaponte. É bom ter dinheiro… Eu queria ganhar dinheiro.” Sua morte casou comoção entre amigos e familiares, a cantora Bada cantou em seu velório a canção “You Were Born to be Loved“.

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A cantora U;Nee. Após sua morte sua mãe confirmou que ela sofria de depressão e tomava medicamentos.

Outros casos conhecidos foram do ex-presidente Roh Moo-hyun, da modelo Daul Kim, ambos em 2009, da artista U; Nee em 2007, a “atriz da nação” Choi Jin-sil em 2008 e seu ex-marido Cho Sung-min, em 2013. A participante de um reality show de namoro do canal SBS foi encontrada morta em pleno set, o que levou o cancelamento do programa em 2014. A participante, do também reality “Baby Kara”, Sojin chegou a ser levada ao hospital, mas a cantora não aguentou.

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Após a confirmação da Sojin, a DSP Media declarou: “Acabamos de ouvir essa triste notícia hoje. Faremos o que pudermos para ajudar a família“

E após a morte de celebridades, a Coreia do Sul tende a sofrer uma onda de suicídios. Em um estudo realizado com a cobertura da mídia há uma forte correlação de eventos catastróficos e morte de celebridades com o aumento das taxas de suicídio. Além disso, os métodos utilizados por celebridade suicidas tendem a ser repetidos. Após a morte da atriz Lee Eun-ju, mais pessoas se mataram por enforcamento.

A ideia do fracasso na sociedade coreana não é bem aceita e assim se torna uma grande vilã. Criticas na internet, perda de dinheiro, declínio profissional, não atingir a nota almejada no vestibular ou se sentir um fardo para a família, são exemplos que atingem diretamente a honra dos coreanos e assim afeta seu psicológico. Campanhas do governo tem sido implementadas para mudar o pensamento, afinal é importante que haja uma mudança social. Não é ruim falhar, pois estas coisas fazem parte da vida, ruim é julgar e mais ainda humilhar. Quebrar um paradigma cultural é necessário, para que então a Coreia do Sul não seja mais reconhecida como a “república do suicídio”.

¹ Dados do Escritório de Estatística de Seul
² Gender Differences in Suicidal Behavior in Korea. 2008
³ Socioeconomic Inequalities in Suicidal Ideation, Parasuicides, and Completed Suicides in South Korea. 2010

Por Amanda Soares
Fontes: OMS, Aljazeera, UOL, Korea Herald, Korea Exposé, CNN, BBC.
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