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Filmes coreanos premiados são parte de mostra de cinema gratuito em São Paulo

O Consulado Geral da Coreia do Sul em parceria com o Centro Cultural São Paulo, trazem grandes obras do cinema coreano para mostra gratuita em São Paulo. No mês de junho, filmes premiados que dominaram os cinemas coreanos principalmente em 2016 e 2017, serão apresentados entre os dias 19 e 22 no CCSP.

Além da apresentação dos filmes, o aclamado diretor coreano Jung Huh terá uma sessão de debate com os presentes após a exibição de seus dois sucessos Esconde-Esconde (Hide and Seek, 2013) e O Mímico (The Mimic, 2017). Nascido na Coreia do sul em 1981, Huh estreou como diretor de longa-metragem em 2013. Com atores desconhecidos, o thriller marcou o público e colocou o diretor no centro das atenções, ganhando o prêmio de Melhor Novo Diretor na Associação Coreana de Críticos de Cinema.

Os ingressos para as sessões podem ser retirados na bilheteria do CCSP, porém o debate com o diretor possui vagas limitadas e você deve encaminhar sua incrição antecipadamente para o email contato@kccbrazil.com.br .

A mostra traz blockbusters recentes com atores e diretores renomados. Confira a programação e filmes que serão exibidos:

 

Esconde-Esconde
Jung Huh
2013 | 107 min | Suspense
Sung-soo tem tudo: uma bela mulher e filhos, uma casa confortável e um carro de luxo, e muito dinheiro no banco. Quando descobre que seu irmão afastado desapareceu, Sung-soo visita seu apartamento em busca de respostas e encontra estranhos símbolos escritos sob as campainhas, e os vizinhos aterrorizados que trancam suas portas à visão de um estranho. Com seus próprios pesadelos saindo do controle, Sung-soo deve encarar seus medos mais primitivos para revelar a chocante verdade por trás do terror cada vez mais intenso. Esconde-Esconde é um elogiado thriller que conseguiu a oitava posição na lista de filmes que mais arrecadaram na Coreia do Sul em 2013, além de ser o thriller que arrecadou dinheiro mais rápido na história do cinema coreano.

O Mímico
Jung Huh
2017 | 100 min | Suspense
Uma mulher com o filho desaparecido adota uma garota que ela achou próxima a uma misteriosa montanha cujas lendas dizem que vive uma criatura mística que mimetiza os humanos. Novo filme do diretor do hit Esconde-Esconde.

O Túnel
Kim Seong-hun
2016 | 126 min | Drama
Jung-su (Jung-woo Ha) é um vendedor de carros. Certo dia, ele sai de seu trabalho e vai o mais rápido possível para casa, tentando chegar a tempo de comemorar seu aniversário com sua família. No entanto, algo bizarro e inesperado impede a conclusão da jornada de Jung-su: um túnel despenca, deixando o homem preso nos escombros.

Eu posso falar
Hyun-seok Kim
2017 | 119 min | Comédia/Drama
O filme conta a história de uma senhora de idade e um jovem oficial em serviço. Eles ficam amigos quando a senhora começa a ter aulas de inglês com o oficial. Eventualmente, o oficial acaba descobrindo as verdadeiras razões pela qual a senhora resolveu aprender inglês. O filme ganhou os principais prêmios da academia cinematográfica coreana, além de diversos prêmios para a atriz principal do filme.

Companhia dos Deuses, Dois Mundos
Kim Yong-hwa
2017 | 139 min | Drama/Fantasia
O primeiro filme da Coreia do Sul a ser produzido como uma franquia. O filme segue a jornada de Ja-hong, um bombeiro que após ser morto inesperadamente, é levado ao encontro com os Deuses no submundo espiritual para reencarnar como herói. Para isso ele precisa superar sete testes no período de 49 dias.

Olhos Frios
Ui-Seok Jo , Byung-seo Kim
2014 | 119 min| Ação
Uma gangue de assaltantes, liderada por James (Woo-sung Jung), está comentando grandes furtos. Para impedi-los a unidade do Departamento de Crimes Especiais da polícia coreana organiza uma operação sem falhas para captura-los através de um grande sistema de vigilância. Há Yoon-joo (Hyo-ju han) se junta ao Chefe Hwang (Kyung-gu Sol), líder da unidade e da missão de caçar James.

Motorista de Taxi
Hun Jang
2017 | 137 min | Histórico/Ação
Em maio de 1980, um taxista de Seul recebe uma proposta de um repórter estrangeiro que consiste em transportá-lo para Gwangju e depois voltar para o local de origem por uma bagatela que cobrirá meses de seu aluguel pendente. No local, o taxista descobre uma realidade que ainda não conhecia: a ditadura militar na Coreia, quando centenas de civis foram massacrados pelo governo.

Serviço:

Mostra de Cinema Coreano
Data: 19 a 22 de junho de 2018
CCSP – Centro Cultural São Paulo – Av. Vergueiro, 1000 – Paraíso
Entrada Franca
Mais informações: (11) 2893-1098 ou contato@kccbrazil.com.br

 

Por Caroline Akioka
Não retirar sem os devidos créditos.

[Festival do Rio] Crítica: A dama de Baco (Jug-yeo-ju-neun Yeo-ja)

Helder Novaes é escritor, pesquisador e editor, formado em Letras (USP), Artes (Senac) e Cinema (Escola São Paulo), nos traz mais uma crítica estruturada e historicamente ambientada, dessa vez sobre o filme “A Dama de Baco”, do diretor E J-Young, um drama corajoso que expõe graves problemas sociais da Coreia.

So-young é uma idosa que vende serviços sexuais a aposentados em um parque em Seul. Esse é o ponto de partida do filme, cujo título vem da tática utilizada para atrair os clientes: oferecer uma garrafa de Bacchus – bebida energética bastante popular na Coreia – é o código para convidar os interessados em um encontro rápido. Ela não é a única, mas para o desgosto de suas colegas de profissão, é a mais procurada pelos solitários velhinhos. Uma das maiores economias do mundo, a Coreia tem grandes dificuldades em lidar com o outro lado do seu desenvolvimento acelerado: uma imensa população de idosos vivendo na pobreza, com aposentadorias que mal cobrem os gastos mínimos de sobrevivência, abandonados pelos filhos bem sucedidos, e que passam seus últimos anos de vida sem perspectivas e mergulhados na solidão.

 

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Os dias de So-young (proposital trocadilho com “tão jovem”, em inglês) não andam muito tranquilos. Uma gonorreia atrapalha seus serviços, a polícia constantemente realiza batidas nos motéis contra a prostituição, e um insistente documentarista tenta de todas as formas convencê-la a participar de seu filme sobre as “damas de Baco” – aqui temos um recurso interessante de E J-young, especialmente pelas negativas de So-young ao jovem cineasta, argumentando que ninguém se interessa por esse tipo de história. E seus contratempos só aumentam depois que ela leva para casa um menino filipino, cuja mãe é presa após um confronto com o ex-parceiro, que não quer assumir o caso extraconjugal.

Ela encara o desafio como uma obrigação. Em sua casa o pequeno e assustado Min-ho convive com um vizinho de uma perna só e uma transexual, formando um temporário e inimaginável núcleo familiar. O garoto é para So-young um reencontro com o seu passado: de um relacionamento com um soldado negro norte-americano teve um filho que, por falta de recursos, entregou à adoção.

 

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Paralelamente, So-young vê seus melhores e mais recorrentes clientes começarem a rarear e aos poucos os problemas desses seus conhecidos começam a entrar em sua vida. De alguém capaz de proporcionar momentos de prazer ela é inesperadamente alçada à condição de anjo da morte. Ela reluta esse papel, mas sente-se de alguma forma compelida a ajudar os velhos amigos a terminar suas vidas de maneira menos deprimente.

A atuação excepcional da veterana atriz Youn Yuh-jung, com quem o diretor E J-young já havia trabalhado em outros filmes, é um dos pontos altos do impactante A dama de Baco, que aborda de maneira sóbria e cativante temas delicados da sociedade coreana contemporânea.

 

Texto colaborativo por Helder Novaes
Contato heldernovaes@gmail.com

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[Festival do Rio] Crítica: Você e os seus (Dangsinjasingwa dangsinui geot)

Hoje termina o Festival do Rio, que apresentou uma mostra de filmes de diversas parte do mundo, entre elas a Coreia do Sul. O escritor, pesquisador e editor Helder Novaes, formado em Letras (USP), Artes (Senac) e Cinema (Escola São Paulo), nos traz uma crítica clara e direta sobre o filme “Você e os Seus”, do diretor Hong Sang-soo.
O mais novo filme de Hong Sang-soo, exibido no Festival do Rio 2016, apresenta um inquietante romance disfuncional. Youngsoo é um pintor com problemas em seu relacionamento. Sua namorada, Minjung, tem fama de beber demais e andar com outros homens. Todos os seus amigos comentam. Youngsoo discorda, mas reconhece que ela gosta de beber e alega tentar controlar o quanto ela pode beber. Desse cenário um tanto quanto insólito se estabelece a tensão inicial da trama e, embora Youngsoo confie na namorada e no amor que sente por ela, a fofoca o coloca em dúvida. Após uma discussão, Minjung pede um tempo na relação. Fosse um filme qualquer teríamos uma sucessão mais ou menos previsível de fatos e eventos, mas o cinema de Sang-soo não opera dessa forma. Somos levados a um jogo em que a cada cena uma dúvida é lançada. Porque na prática o que se vê são diferentes versões de Minjung circulando pela cidade à procura de amor, ou a mesma Minjung se metamorfoseando em outras em busca de um companheiro ideal.
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“O álcool atua, portanto, como um elemento chave…”

Homens reconhecem Minjung, de bebedeiras passadas – é importante destacar que a bebida exerce sempre um papel importante nas histórias de Sang-soo, seja para aproximar as pessoas, expor seus pensamentos ou tumultuar as relações – e em resposta a cada reconhecimento ela nega sua identidade, confundindo-os ao mesmo tempo em que os instiga a querer conhecer a mulher que se parece exatamente com Minjung. O álcool atua, portanto, como um elemento chave ao embaralhar as percepções, de Minjung que se transforma em outras, dos homens que creem reconhecê-la, e do espectador que não já tem a certeza se pode confiar naquilo que lhe é apresentado.

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Figura recorrente nos principais festivais do mundo, Hong Sang-soo é um cineasta com um estilo único e bastante diferente do cinema contemporâneo, trabalhando à exaustão temas do cotidiano e brincando com as personagens como se fossem marionetes. Cenas longas, com diálogos prosaicos e sem cortes, extraindo o máximo de cada plano.

Embora não tenha a mesma força de outros trabalhos, Você e os outros é uma comédia bem construída, capaz de prender o interesse do espectador com suas ironias e paralelismos.

Texto colaborativo por Helder Novaes
Contato heldernovaes@gmail.com

Fonte de imagens:  Festival do Rio
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