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Diretor de cinema sul coreano Jung Huh confessa já ter se inspirado em filmes brasileiros + Entrevista Exclusiva

O diretor Jung Huh, responsável pelos filmes de sucesso Hide and Seek (2013) e The Mimic (2017), veio ao Brasil especialmente para a 5ª Mostra de Cinema Coreano que acontece até o dia 22 desse mês no Centro Cultural São Paulo, organizado em conjunto com o Centro Cultural Coreano no Brasil.

Para a abertura do evento foram exibidos as duas obras de Huh e um debate com o diretor, repondendo às perguntas do público. A KoreaIN esteve por lá e conta como foi!

Durante o evento, Huh contou suas experiências no ramo e as diferenças entre o mercado nacional da Coreia e internacional. Afirmou que para conseguir ter sucesso no ramo cinematográfico, o diretor deve ser um multiplayer, muitas vezes tendo que roteirizar, produzir e dirigir a obra sozinho e ter que ser capaz de exercer múltiplas funções na criação de um filme. Ele acredita que o cinema coreano é principalmente autoral.

Ele disse que os produtores estão muito animados com a popularização dos filmes e que muito se deve ao incentivo cultural que o governo da Coreia do Sul dá ao cinema nacional. Porém, os cineastas estão sempre preocupados sobre a possível queda no interesse do público, então procuram se atentar aos detalhes e grandes produções para sempre agradar.

Jung Huh sempre se interessou em contar histórias e é um amante de lendas urbanas, mitos e contos de terror. Segundo ele, lendas urbanas são atraentes porque passam de pessoa para pessoa e levam um pouco dessa essência individual com elas, um sentimento único. Como suas referências no cinema, ele citou o diretor japonês Kiyoshi Kurosawa (Cure, Tokyo Sonata), pela habilidade de lidar bem com a tensão em suas criações, e o coreano Bong Joon Ho (The Host, Snowpiercer, Okja).

Huh confessou ter se inspirado no filme brasileiro ‘Som ao Redor‘ para sua obra ‘Hide and Seek’ e disse que é fã de algumas obras do nosso país. O diretor citou os longas ‘Central do Brasil’, ‘Aquarius’ e ‘Cidade de Deus’ como exemplos dos filmes brasileiros que ele já assistiu, sendo este último bem famoso entre diretores coreanos.

Quando perguntado pela plateia sobre suas próximas criações, Huh contou que está trabalhando em seu próximo projeto, com o cenário em andamento, porém nada concreto. “Provavelmente será algo mais semelhante à Hide and Seek” – ele contou. Ainda adicionou que um de seus desejos é voltar ao Brasil com sua próxima obra e finalizou o debate com um “muito obrigado” em português, enquanto era ovacionado pela plateia.

Cut de Hide and Seek

Após o evento, tivemos a oportunidade de fazer algumas perguntas ao diretor, que contou um pouco mais sobre a carreira em entrevista exclusiva à KoreaIN.

Jung Huh disse que começou a estudar cinema relativamente tarde, por volta dos 25 anos. Ele se interessou após participar de um grupo que estudava linguagem cinematográfica e Huh gostou de trabalhar em equipe para produzir algo. Desde então ele teve vontade de se tornar um diretor, sendo Hide and Seek e The Mimic suas maiores conquistas pessoais.

“Não é tão fácil produzir filmes. Só de ter conseguido produzir essas duas obras, para mim já é uma grande conquista.”

Quando perguntado sobre o sucesso dos filmes, o diretor foi humilde: “The Mimic não teve grande sucesso! (risos)“. Ele expressou que para ter sucesso, não tem um segredo. O importante é tocar o público da época em que o filme está sendo exibido e ainda afirmou que é preciso ter um pouco de sorte.

O diretor disse estar aberto a tentar outros gêneros como fantasia, no futuro, porém seu grande interesse é por terror e lendas urbanas:

Já tentei pensar em comédia, romance, porém acho que realmente não encaixa bem em mim (risos).

O filme ‘The Mimic’ possui um final relativamente aberto, que pode causar confusão e curiosidade nos espectadores. Perguntamos sobre as intenções do diretor com o desfecho da obra:

Eu queria tratar os mitos coreanos. Essas histórias sempre têm ideias diferentes dependendo do ponto de vista das pessoas. Eu queria criar um filme aberto para que dependendo do ponto de vista de quem assiste, ele pudesse ter sua própria conclusão, como nessas lendas.

Huh se mostrou um perfeccionista com suas obras quando perguntado sobre se gostaria de mudar algo em algum de seus longas. “Toda hora vem esse sentimento” – ele confessou. “Eu gostaria de ter tratado melhor a dor da mãe do personagem em The Mimic. Como foi misturado com terror, eu poderia ter aprofundado mais nesse sentimento, trazer um pouco mais o lado psicológico da protagonista.”

Finalizando nossa entrevista, ele contou um pouco mais sobre seu próximo projeto: “Quero fazer algo mais sombrio”. Conhecendo os antigos projetos de Jung Huh, já podemos aguardar ansiosamente por mais terror e alta qualidade cinematográfica.

A Mostra de Cinema Coreano fica em exibição até o dia 22 de junho no Centro Cultural São Paulo.

Por Caroline Akioka
Imagens por May Engly.
Não retirar sem os devidos créditos.

Resenha: The Mimic traz suspense familiar e folclore aterrorizante para a Mostra de Cinema Coreano em São Paulo

Abalados pelo desaparecimento do filho Jun-Seo (Jung Ji-Hoo, que também esteve em Goblin), o casal Hee Yeon (Yum Jung-Ah) e Min Ho (Park Hyuk-Kwon) resolvem se mudar para Jangsan junto com a filha mais nova e a avó da garotinha (Heo Jin) na esperança que a senhora recupere a memória e consiga lembrar algo do dia do desaparecimento do garoto para, quem sabe, facilitar sua busca. Tudo parece ir bem até uma garotinha (Shin Rin-Ah) aparecer misteriosamente em sua porta.

A medida que Hee Yeon começa a se apegar à menina, a família e os arredores da casa começam a passar por acontecimentos misteriosos ligados à uma caverna da região que é famosa por ter sido ligada a vários casos passados de desaparecimento de pessoas. Com o passar do tempo, a harmonia da família é posta em cheque enquanto tentam decidir qual a melhor forma de lidar com a avó e a garota.

Classificado por alguns como um filme de terror, O Mímico não se atém somente ao sobrenatural, preferindo focar na figura de Hee Yeon e nos seus sentimentos como mãe. A história explora suas várias facetas, ora de mãe protetora ora de uma mãe cheia de dúvidas sobre o paradeiro do filho desaparecido. Apesar de possuir alguns furos de roteiro, que deixam pontas soltas na trama, o filme vai do desespero ao susto, passando pela raiva e de volta ao desespero em questão de minutos. Se os personagens não devem confiar no que escutam, os espectadores não devem confiar nos próprios sentimentos – pois não é possível saber se serão mantidos por muito tempo.

Figura tradicional na cultura coreana, o tigre é facilmente associado ao país e ao povo. Além de fazer parte da mitologia e folclore, ele também é amplamente representado em pinturas e esculturas já que, segundo a crença, o tigre branco é um espírito protetor e criatura sagrada. Tal importância pôde ser vista nos Jogos Olímpicos de Seul de 1988, no qual o tigre mascote Hodori representava o povo coreano. Em 2018, nos Jogos Olímpicos de Inverno de Pyeongchang, foi a vez de Soohorang fazer o papel junto com o urso Bandabi.

Tais associações positivas, porém, não foram reproduzidas nas lendas urbanas de Seul, onde o sagrado animal é representado na lenda do Jangsanbeom. Também conhecido como Tigre de Jangsan – montanha perto da cidade de Busan – é descrito como uma grande criatura com duas fileiras de dentes pontiagudos e pêlos brancos por todo corpo que possui a capacidade de imitar a voz humana para atrair pessoas e devorá-las. Tal lenda serve como base para a história de O Mímico.

O Mímico será exibido durante a Mostra de Cinema Coreano nos dias 19 (às 19 horas) e 21 de junho (às 18 horas). O diretor do longa, Jung Huh, virá ao país para participar de um debate  logo após a exibição no dia 19, no qual também será exibido outro longa de sua autoria, Esconde Esconde.

Por: Greyce Oliveira
Não retirar sem os devidos créditos

Filmes coreanos premiados são parte de mostra de cinema gratuito em São Paulo

O Consulado Geral da Coreia do Sul em parceria com o Centro Cultural São Paulo, trazem grandes obras do cinema coreano para mostra gratuita em São Paulo. No mês de junho, filmes premiados que dominaram os cinemas coreanos principalmente em 2016 e 2017, serão apresentados entre os dias 19 e 22 no CCSP.

Além da apresentação dos filmes, o aclamado diretor coreano Jung Huh terá uma sessão de debate com os presentes após a exibição de seus dois sucessos Esconde-Esconde (Hide and Seek, 2013) e O Mímico (The Mimic, 2017). Nascido na Coreia do sul em 1981, Huh estreou como diretor de longa-metragem em 2013. Com atores desconhecidos, o thriller marcou o público e colocou o diretor no centro das atenções, ganhando o prêmio de Melhor Novo Diretor na Associação Coreana de Críticos de Cinema.

Os ingressos para as sessões podem ser retirados na bilheteria do CCSP, porém o debate com o diretor possui vagas limitadas e você deve encaminhar sua incrição antecipadamente para o email contato@kccbrazil.com.br .

A mostra traz blockbusters recentes com atores e diretores renomados. Confira a programação e filmes que serão exibidos:

 

Esconde-Esconde
Jung Huh
2013 | 107 min | Suspense
Sung-soo tem tudo: uma bela mulher e filhos, uma casa confortável e um carro de luxo, e muito dinheiro no banco. Quando descobre que seu irmão afastado desapareceu, Sung-soo visita seu apartamento em busca de respostas e encontra estranhos símbolos escritos sob as campainhas, e os vizinhos aterrorizados que trancam suas portas à visão de um estranho. Com seus próprios pesadelos saindo do controle, Sung-soo deve encarar seus medos mais primitivos para revelar a chocante verdade por trás do terror cada vez mais intenso. Esconde-Esconde é um elogiado thriller que conseguiu a oitava posição na lista de filmes que mais arrecadaram na Coreia do Sul em 2013, além de ser o thriller que arrecadou dinheiro mais rápido na história do cinema coreano.

O Mímico
Jung Huh
2017 | 100 min | Suspense
Uma mulher com o filho desaparecido adota uma garota que ela achou próxima a uma misteriosa montanha cujas lendas dizem que vive uma criatura mística que mimetiza os humanos. Novo filme do diretor do hit Esconde-Esconde.

O Túnel
Kim Seong-hun
2016 | 126 min | Drama
Jung-su (Jung-woo Ha) é um vendedor de carros. Certo dia, ele sai de seu trabalho e vai o mais rápido possível para casa, tentando chegar a tempo de comemorar seu aniversário com sua família. No entanto, algo bizarro e inesperado impede a conclusão da jornada de Jung-su: um túnel despenca, deixando o homem preso nos escombros.

Eu posso falar
Hyun-seok Kim
2017 | 119 min | Comédia/Drama
O filme conta a história de uma senhora de idade e um jovem oficial em serviço. Eles ficam amigos quando a senhora começa a ter aulas de inglês com o oficial. Eventualmente, o oficial acaba descobrindo as verdadeiras razões pela qual a senhora resolveu aprender inglês. O filme ganhou os principais prêmios da academia cinematográfica coreana, além de diversos prêmios para a atriz principal do filme.

Companhia dos Deuses, Dois Mundos
Kim Yong-hwa
2017 | 139 min | Drama/Fantasia
O primeiro filme da Coreia do Sul a ser produzido como uma franquia. O filme segue a jornada de Ja-hong, um bombeiro que após ser morto inesperadamente, é levado ao encontro com os Deuses no submundo espiritual para reencarnar como herói. Para isso ele precisa superar sete testes no período de 49 dias.

Olhos Frios
Ui-Seok Jo , Byung-seo Kim
2014 | 119 min| Ação
Uma gangue de assaltantes, liderada por James (Woo-sung Jung), está comentando grandes furtos. Para impedi-los a unidade do Departamento de Crimes Especiais da polícia coreana organiza uma operação sem falhas para captura-los através de um grande sistema de vigilância. Há Yoon-joo (Hyo-ju han) se junta ao Chefe Hwang (Kyung-gu Sol), líder da unidade e da missão de caçar James.

Motorista de Taxi
Hun Jang
2017 | 137 min | Histórico/Ação
Em maio de 1980, um taxista de Seul recebe uma proposta de um repórter estrangeiro que consiste em transportá-lo para Gwangju e depois voltar para o local de origem por uma bagatela que cobrirá meses de seu aluguel pendente. No local, o taxista descobre uma realidade que ainda não conhecia: a ditadura militar na Coreia, quando centenas de civis foram massacrados pelo governo.

Serviço:

Mostra de Cinema Coreano
Data: 19 a 22 de junho de 2018
CCSP – Centro Cultural São Paulo – Av. Vergueiro, 1000 – Paraíso
Entrada Franca
Mais informações: (11) 2893-1098 ou contato@kccbrazil.com.br

 

Por Caroline Akioka
Não retirar sem os devidos créditos.