Sua principal fonte de cultura coreana e conteúdo exclusivo sobre KPOP.

Cinema Entretenimento

Como o filme coreano-americano “MINARI” fez história no cinema mundial

Um filme escrito por um coreano-americano baseado em sua própria jornada de vida fez história e conseguiu feitos inéditos, que não foram alcançados por Parasita no ano passado. Estamos falando de MINARI, escrito e dirigido por Lee Isaac Chung, que já acumula mais de 100 prêmios desde o seu lançamento. Neste domingo, o filme chegou ao Oscar 2021 com 6 indicações e saiu de lá vencedor de uma delas. E uma vitória histórica.



O sucesso do longa, porém, não escapou de polêmicas. Algumas premiações, como o Globo de Ouro, não o indicaram na categoria principal por considerá-lo um filme de língua estrangeira. De acordo com as regras da Hollywood Foreign Press Association, que comanda o Globo de Ouro, um filme precisa ter pelo menos 50% dos seus diálogos em inglês para concorrer na categoria de Melhor filme. Como Minari tem boa parte de suas falas em coreano, foi considerado inapto para tal prêmio. Nem mesmo o fato de ter sido totalmente filmado e produzido nos Estados Unidos influenciou os critérios. Polêmicas à parte, o longa saiu da cerimônia com o prêmio de Melhor Filme Estrangeiro, única categoria que foi indicado.

Apesar de sua origem estadunidense, Minari consagrou-se como o segundo filme em língua coreana a ser indicado ao prêmio de Melhor Filme do Oscar, seguindo Parasita, que venceu em 2020. Porém, diferente do longa de Bong Joon Ho, Minari conseguiu indicações e vitórias também para o seu elenco. O jovem ator Alan S. Kim, de apenas 9 anos, já ganhou 7 prêmios (5 individuais e 2 com o elenco do filme) por sua atuação como David, incluindo o Critics’ Choice Award, onde fez um emocionante discurso. Já Steven Yeun se tornou o primeiro coreano-americano a ser indicado ao prêmio de Melhor Ator, no Oscar.

A maior constância, porém, é da veterana Youn Yuh-Jung. A atriz levou mais de 30 prêmios de Melhor Atriz Coadjuvante por seu papel como a vovó Soonja, entre eles estão o BAFTA e o SAG Awards. Agora ele foi premiada no Oscar 2021, onde chegou como favorita, e se tornou a primeira sul-coreana a ganhar o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante, desbancando grandes atrizes como Glenn Close e Amanda Seyfried.



O nascimento de “Minari”

Lee Isaac Chung se inspirou na própria vida para escrever o roteiro do filme. Ele contou ao jornal Los Angeles Times que havia decidido deixar o cinema de lado e virar professor em tempo integral para sustentar sua família, mas resolveu escrever um último roteiro antes de começar uma nova vida profissional. Durante uma visita ao café que frequentava rotineiramente, ele ouviu o nome de Willa Cather. Pesquisando na internet, descobriu que Cather foi uma escritora que seguia outros escritores e retratava a vida urbana, porque achava que relatos sobre sua vida rural não seriam bem aceitos. Quando finalmente tentou arriscar, tornou-se um sucesso. As palavras da escritora que mais marcaram Chung foram: “A vida começou para mim quando parei de admirar e comecei a lembrar“.

Refletindo sobre as palavras de Cather, Chung decidiu escrever aquele que seria seu ultimato. Minari é o nome de uma planta do leste asiático que é encontrada na culinária coreana. Nas memórias do diretor sobressaía o fato da planta crescer em solos pobres ou quase sem esforços. A avó vivida por Youn Yuh-Jung e a avó de Chung plantavam minari e esta foi a conexão que o diretor fez ao começar a fechar o roteiro.

Com a inspiração de Willa Cather e suas próprias memórias, Chung descreveu o processo do nascimento de Minari: “Eu me perguntei se a voz estava me levando a essas palavras, para que eu começasse a confiar nas minhas. Como exercício, dediquei uma tarde a escrever minhas memórias de infância. Lembrei-me da chegada de nossa família à Ozark, um trailer e o choque de minha mãe ao saber que essa seria nossa nova casa. Lembrei-me do cheiro de solo recém-arado e de como sua cor agradava meu pai. Lembrei-me do riacho onde joguei pedras em cobras enquanto minha avó plantava uma verdura coreana [a minari] que crescia sem esforço. A cada lembrança, eu vi minha vida de novo, como se as nuvens tivessem se movido sobre um campo que eu via todos os dias. Depois de escrever 80 memórias, esbocei um arco narrativo com temas sobre família, fracasso e renascimento. Foi assim que tive a ideia de escrever ‘Minari’; começou para mim quando deixei de admirar e comecei a lembrar“.

E deu certo. Chung já levou mais de uma dezena de prêmios pelo roteiro e direção de Minari. Sua indicação ao Oscar de Melhor Diretor com a chinesa Chloé Zhao (responsável por Nomadland e a favorita que acabou levando o prêmio da categoria) também foi histórica: é a primeira vez que dois asiáticos são indicados simultaneamente na categoria. Após o sucesso do longa, Chung entrou para um novo projeto. Ele agora ajudará na direção do longa Your Name, adaptação da animação japonesa de mesmo nome que mostra dois estranhos que trocam de corpo.

Para muitos, Minari apenas seguiu os passos de Parasita na trilha do sucesso, mas seus percalços e conquistas inéditas mostram que o longa coreano-americano fez um caminho próprio. Ao contrário do caso do filme de Bong Joon Ho, Minari mostra que é possível ganhar destaque escrevendo sobre o comum. E mais do que isso, prova que toda história merece ser contada.

Fontes: (1), (2), (3), (4)
Imagem: A24 (reprodução)
Não retirar sem os devidos créditos.

Greyce Oliveira

Cearense de Fortaleza, é metade uma humana normal professora de Inglês e metade ELF(a) precisando (talvez) de tratamento para parar de falar no Super Junior toda hora.