De Mozart à Dorian Gray: A consistente carreira de Kim Junsu nos musicais

Muitos k-idols tentam diversificar suas carreiras, sejam como modelos, apresentadores (MCs), atores de dramas, filmes e/ou musicais. Neste último caso, a procura de ídolos em musicais tem aumentado, e muitos produtores tem usado como um recurso para venda de ingressos. Entre os mais respeitados e populares não tem como não citar Kim Jun-su, cantor solo e parte do grupo JYJ e ex-TVXQ. Não apenas isso, mas ele foi um dos percussores nessa nova onda. Havia uma certa antipatia do público e do elenco por ídolos interpretando em musicais.

No dia 3 deste mês, aconteceu a estreia de seu sétimo musical pela produtora C-Jes Culture. Apesar de não termos acesso à peça por completo, já podemos notar um amadurecimento do cantor/ator no mundo dos musicais. E como se deu essa escalada? A KoreaIN conta para vocês.

 

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A leitura moderna de Mozart

Xia Junsu parecia a escolha perfeita para o papel – carismático e com uma voz poderosa, era o que essa interpretação de Mozart precisava. Apesar disso, ele havia recusado o papel duas vezes: “Eu não posso fazê-lo”, disse. Mas após insistência e ouvir a canção ‘Can’t Escape my Destiny’ ele se convenceu que deveria fazer o papel.

A peça traz a história da vida do compositor clássico Wolfgang Amadeus Mozart, da infância à morte, recriada em dois atos. As músicas misturavam estilos como pop, rock e clássico. A imagem de Mozart era despojada, com jeans rasgados e dreads.

É comum em musicais que possuem apresentações quase diárias existir a divisão dos personagens principais entre atores diferentes. Mozart também era interpretado pelo veterano Park Eun-tae, ambos se tornaram bons amigos e Park Eun-tae foi uma inspiração para Junsu.

Como seu primeiro musical, Junsu se concentrou nas emoções. Era tudo muito novo e pode-se perceber que ainda era algo que ele deveria se adaptar, se compararmos sua interpretação com Park Eun-tae. O cantor se deixava levar pelo “amor e dor”. Em ‘Golden Star’, por exemplo, ele vertia em lágrimas e com ele, o público. O musical foi um sucesso! Com estréia em 2010, os arranjos musicais são composições de Sylvester Levay, que ficou encantado com Junsu, e isso lhe rendeu o papel para a segunda temporada em 2011.

Não foram apenas os colegas e críticos que reconheceram Junsu, na premiação do The Musical Awards, Kim Junsu recebeu o prêmio de Ator Revelação, Melhor Ator Estreante e Estrela Popular. Mozart foi um papel importante na vida do cantor e lhe deu confiança para interpretar suas demais peças.

 

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Guerra e lágrimas em Tears of Heaven

Em dezembro de 2010, antes de estrelar Mozart! novamente, Kim Junsu participou da versão coreana do musical da Broadway: Tears of Heaven. A história se passa na Guerra do Vietnã e conta com um triângulo amoroso entre uma cantora vietnamita, uma empresário coreano, e um coronel americano durante a Ofensiva do Tet. Os cenários diversificam, indo de Seul para São Francisco.

Junsu interpreta Jung-Hyung, o jovem soldado coreano que se apaixona por Linh. As composições são de Frank Wildhorn (Drácula e Jekyll & Hyde, guarde essa informação). O musical também foi um sucesso, devido em parte claro por Kim Junsu e o elenco de ídolos pop, além de uma excelente publicidade. O cantor voltou a ganhar o prêmio de popularidade no Korea Musical Awards e The Musical Awards.

O crescimento de Junsu como ator em musicais era evidente, e ele foi muito elogiado por outros artistas, entre eles, a cantora Baek Ji Young, que declarou: “Eu acredito que eu vi um novo charme no Junsu, não como um dongseng, mas como um homem. Fiquei comovida com a sua capacidade de sempre exceder as minhas expectativas. O seu desempenho foi perfeito em todos os níveis, não só com a atuação, mas na música também.” Além disso, Tears of Heaven representa uma produção multicultural, que combina elenco local e equipe criativa estrangeira.

 

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Elisabeth, o beijo da morte e do sucesso

O ponto alto de sua carreira em musicais se consolidou na interpretação de Der Tod, a morte, no musical que conta a história de como ele se apaixonou por “Elisabeth, a Imperatriz da Áustria”. Nesta peça, uma das mais famosas do meio e que nunca foi interpretada na Broadway, a interpretação de Kim Junsu é única. Ele traz para sua personagem uma morte quase insana. O que mais louco poderia ser que a morte se apaixonando?

Sylvester Levay (Morzart) também fez as composições deste musical e mais um vez derramou elogios: “A capacidade de Kim Junsu para conduzir cada cena foi incrível, e sua interpretação de sua personagem era nada menos do que encantador. Ele é um ator que sabe o que significa a perfeição no palco.”

Logo na temporada de estréia, em 2012, era visível a entrega de Junsu ao papel. O famoso “beijo da morte”, em que Tod sela o destino do príncipe Rudolf com um beijo, mostrou o profissionalismo do ator e é uma das cenas preferidas das fãs. O cantor arrebatou alguns prêmios com sua atuação, no Korea Musical Awards foi escolhido como Melhor Ator e Ator mais Popular, este último prêmio se repetiu no The Musical Awards, sendo pela terceira vez seguida reconhecido pela sua popularidade.

O papel foi tão impactante para Junsu, que foi uma forte influência na criação visual de seu primeiro álbum solo, Tarantallegra. A popularidade do musical foi tanta que o cantor voltou a atuar no mesmo papel em 2013. Em sua nova versão Der Tod possuía cabelos pretos, como um pássaro da morte e sua interpretação foi ainda mais bestial. Com os ingressos esgotados em todos os dias, Junsu foi aplaudido de pé em cada uma das suas apresentações.

 

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December, frescor em dezembro

Um lado ainda não visto de Junsu, em December o cantor interpreta Ji-wook em uma esfera mais realística que permitia os espectadores se relacionarem com o personagem. Essa é uma história de amor que começa em 1992 e dura 20 anos, os personagens principais são dois estudantes que moram em casas de família.

Recheado de canções ao estilo ballad, December contou com uma curta temporada em 2013, o musical foi mais leve, mas não menos apaixonante.

 

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Drácula, revisitando a morte

Em território conhecido, Kim Junsu aceitou fazer o papel do famoso Conde Drácula. Esta adaptação para musical bebe mais na fonte do filme de 1992, que no livro original de Bram Stoker. A história retrata não apenas sua sede de sangue, como seu amor que dura centenas de anos, a dor da perda e o fardo da imortalidade.

Alguma familiaridade com Elisabeth?

Baseado num musical da Broadway, composto por Frank Wildhorn, o mesmo de Tears of Heaven. Nesta interpretação Junsu veio flamejante, adotou cabelos vermelhos para o personagem e a paixão à flor da pele, seus olhos vibravam de maneira quase sobrenatural. Ainda temos um Drácula sombrio, porém muito mais humano.

O musical foi a maior bilheteria do ano de 2014, e novamente o sucesso rendeu uma segunda temporada. Em 2016 Kim Junsu reviveu o Conde nos palcos. Neste ponto da carreira, Kim Junsu já é reconhecido como indispensável no mundo dos musicais, devido sua performance vibrante e grande vocal.

 

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Death Note e C-JeS Culture, novos desafios

A Coreia do Sul é um pólo de musicais, no ano são encenados mais de 180 peças do gênero, não contando musicais infantis ou educacionais. Com uma grande estrela nas mãos, a C-JeS Enterteniment enxergou um novo ramo para investimentos, abrindo a subsidiária C-Jes Culture, responsável por produções culturais.

Após Drácula, também da produtora, mais desafios, trazer o mundo dos animes aos musicais, uma prática já recorrente no Japão. Frank Wildhorn (lembram dele? Drácula e Tears of Heaven) ficou responsável por compor as músicas de Death Note, o musical do famoso mangá/anime homônimo. Kim Junsu trouxe uma interpretação peculiar do famoso detetive “L“. O clima do musical em si foi mais elegante que a versão japonesa, tendo menos preocupação com fidelidades estéticas.

Junsu como um bom fã da história pegou todos as manias do personagem, tendo ele mesmo pedido à sua agência para interpretar o papel. Hong Kwang-Ho, que no início ficou receoso por trabalhar com Xia, devido ele ser uma estrela de kpop, viu que as habilidades de Junsu provaram que ele estava mais que apto e seu preconceito desvaneceu.

 

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Dorian Gray

Com a recente estreia, ainda é cedo para se falar do Dorian Gray, musical baseado no romance de Oscar Wilde. Junsu retorna aos palcos do lado de Park Eun-tae, com quem esteve em Mozart e Elisabeth. A obra clássica conta a história de Dorian, que troca a juventude com seu retrato, onde a pintura que envelhece. Ao seu lado, Park Eun-tae atua como Lorde Henry Wotton, que ajuda Dorian a entrar num mundo de degeneração. Ambos representam o conflito entre a razão e a emoção.

Num cenário aristocrático, apesar de já visitado em outras peças, Dorian Gray traz uma narrativa densa e simbológica, o grande desafio para os atores será representar tantos conceitos e dualidades na peça. Mas com o sucesso descrito aqui por Kim Junsu, duvidam que ele seja capaz?

 

O amadurecimento e a escalada ao pleno sucesso foi algo em etapas, em Death Note ele ainda admitia ficar nervoso ao entrar no palco. Kim Junsu provou que se pode vencer o preconceito e acender as expectativas, abrindo caminhos para outros ídolos que desejam assim se tornar atores de musicais. Muitos colegas elogiam seu trabalho duro!

Apesar de não termos acesso às peças, parte dos musicais podem ser vistas em vídeos promocionais no youtube, e as musicas podem ser encontradas em álbuns dos próprios musicais, como Mozart!, Elisabeth e December, e em coletâneas do próprio cantor: Kim Jun Soo Musical Concert : Levay With Friends e Ballad & Musical Concert with Orchestra.

Por Amanda Soares
Não retirar sem devidos créditos
Fontes: JYJ3, All Kpop, CrazyLoveTVXQ, Kpop Starz, C-Jes

 

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