Resenha: Na companhia dos Deuses – Dois Mundos combina elenco de peso e produção grandiosa em aventura sobrenatural

Um bombeiro morre ao salvar a vida de uma garotinha durante um incêndio. Essa não é uma cena rara em finais emocionantes de filmes mas, em Na companhia dos Deuses – Dois Mundos trata-se dos cinco minutos inicias da trama e que dá início à aventura de Kim Já-Hong e seu trio de advogados/guardiões sobrenaturais.

Inspirado na webcomic “Singwa Hamgge” (Com os Deuses, em tradução livre) que, por sua vez, baseia-se no dogma Budista do Carma, Julgamento e Renascimento, o longa metragem tornou-se o segundo filme mais assistido na história cinematográfica da Coreia e será uma das obras exibidas durante a Mostra de Cinema Coreano que acontece durante a próxima semana (19-22 de Junho) em São Paulo.

Na Companhia dos Deuses conta a história de Kim Ja-hong (Cha Tae-hyun), um dedicado bombeiro que morre em serviço e é levado ao submundo pelos guardiões Deok-choon (Kim Hyang-gi), Hewonmak (Ju Ji-hoon) e Gang-lim (Ha Jung-woo). É no portal do Mundo Espiritual que Ja-hong é informado de seu destino. Devido à sua morte honrosa e à vida virtuosa que levou, ele é um ‘modelo ideal’ e o primeiro candidato à reencarnação em 19 anos. Para que possa ter uma nova vida (e de quebra ajudar seus guardiões a conseguirem o mesmo), durante 49 dias, ele precisa enfrentar sete julgamentos: violência, traição, impiedade filial, assassinato, indolência, trapaça e injustiça. Os planos dos guardiões, entretanto, são interferidos por um Ja-hong que se recusa a aceitar sua condição de modelo ideal, alegando que a vida generosa não passou de uma farsa, e por um espírito vingativo que persegue o grupo e parece estar conectado ao passado familiar complicado de Kim Ja-hong, sua mãe muda e seu irmão ressentido.

O filme, que foi gravado em duas partes e promete uma sequência para agosto deste ano, conta com um elenco de primeira que, por muitas vezes, chama mais atenção que os efeitos especiais que renderam um Baeksang Award ao diretor técnico. Os veteranos Cha Tae-Hyun, Ha Jung-Woo, Lee Jung-jae (como o rei dos deuses), Oh Dal-su e Lim Won-hee (como os atrapalhados promotores do Inferno) dispensam apresentações e, como esperado, esbanjam carisma. Responsáveis por um show de atuação são, também, os atores mais jovens do longa: Kim Hyang-gi (que você também pode ver no fantástico e triste Snowy Road) rouba a cena como a guardiã assistente Deok-choon que, com sua doçura e compaixão, se recusa a perder o caso de Ja-hong; Do Kyung-Soo (sim, o do EXO!) já mostrou que tem talento de sobra e, mais uma vez, encanta a todos com o sensível e abalado soldado Won Dong-yeon; e, apesar de sua curta participação, a fofa e talentosa Kim Su-an (de Invasão Zumbi) encanta como a jovial, e ligeiramente assustadora, Deusa da Trapaça.

Na Companhia dos Deuses pode não se encaixar nos romances dramáticos ou suspenses sanguinários pelos quais a Coreia do Sul é conhecida, mas o sensacional elenco aliado à mensagem moral “Seja uma pessoa decente e cuide dos seus pais!” deixam uma sensação agradável ao final do filme e as cenas finais, que mostram um pedacinho da sequência (Na Companhia dos Deuses – os 49 dias finais) deixam a audiência com gostinho de quero mais.

Por: Jeiciane Torres
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