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Diretor de lar de idosos é acusado de abusar sexualmente de 19 residentes com deficiência

[AVISO DE GATILHO] O texto a seguir contém termos sensíveis que podem servir de gatilho. Recomendamos cautela ao prosseguir a leitura.

Segundo um relatório investigativo recente do governo do condado de Ganghwa, em Incheon, dezenove mulheres com deficiência intelectual grave, sob os cuidados da Saekdongwon, uma instituição residencial para pessoas com deficiência no condado, teriam sido submetidas a abusos sexuais contínuos pelo diretor da instituição.

As conclusões surgiram durante uma investigação conduzida por uma equipe de pesquisa universitária a pedido do Gabinete do Condado de Ganghwa. Todas as 17 mulheres que residiam na instituição em setembro passado, juntamente com duas que já haviam saído, prestaram depoimentos descrevendo abuso sexual.

Se confirmado, o caso poderá superar o infame escândalo de abusos na Escola Gwangju Inhwa de 2005 — conhecido como o “caso Dogani” no país, nome derivado do romance e filme homônimos de grande sucesso Silenced (2011) em inglês e Dogani em coreano —, que envolveu nove vítimas confirmadas e se tornou o caso mais grave de violência sexual em uma instituição para pessoas com deficiência na Coreia do Sul.

Os moradores locais já apelidaram o incidente de “caso Incheon Dogani”. A polícia, que anteriormente enfrentava dificuldades para obter depoimentos detalhados, planeja usar o relatório investigativo como referência fundamental para acelerar a apuração.

Uma cópia do “Relatório de Investigação Detalhada sobre Residentes de Saekdongwon, uma Instituição para Pessoas com Deficiência no Condado de Ganghwa” (tradução livre), obtida pelo JoongAng Ilbo no último domingo (18), revelou que todas as 17 mulheres que residiam na instituição em setembro do ano passado, juntamente com as duas ex-residentes, alegaram ter sofrido abuso sexual por parte do diretor. Embora o relatório tenha sido finalizado em dezembro, o Escritório do Condado de Ganghwa ainda não divulgou suas conclusões para o público.

A equipe de pesquisadores da universidade coletou depoimentos por meio de entrevistas verbais com moradores que conseguiam se expressar. Para aqueles com comunicação verbal limitada ou inexistente, a equipe utilizou métodos especializados, como simulações lúdicas, seleção de imagens e análise observacional para reconstruir possíveis abusos.

Uma mulher disse que o diretor “tentou tocá-la sexualmente” e que “não parou, mesmo quando ela pediu”. Ela se lembrou dele dizendo coisas como “me toque” e “vamos fazer de novo”. Outra mulher disse que o diretor “a tocava a qualquer hora, dia ou noite”. Várias mulheres identificaram locais específicos onde o abuso supostamente ocorreu, incluindo quartos individuais, um sofá e um café no segundo andar. Algumas também descreveram ter presenciado outras residentes sendo agredidas.

Uma mulher identificou 14 das 19 mulheres que participaram da investigação quando questionada sobre vítimas de abuso sexual.

Os residentes com graves dificuldades de comunicação simularam as supostas agressões levantando as camisas ou apontando para as genitais em resposta a perguntas sobre o que o diretor havia feito com eles. O relatório também inclui depoimentos de que o diretor da instituição ameaçou os residentes para que se calassem, alegando que, mesmo que contassem aos pais o que havia acontecido, ninguém os ajudaria. Um residente disse que as ameaças foram feitas enquanto o diretor segurava uma arma.

Para as vítimas, a maioria das quais não tinha família a quem recorrer, o agressor era mais do que apenas um cuidador. Alguns residentes relataram se referir ao diretor como “pai”.

Uma mulher identificou o local onde ele supostamente se expôs, acrescentando: “doía, doía muito” e “papai colocou a mão dentro da minha calça”. Quando solicitada a mostrar o que aconteceu, ela levantou a blusa e pressionou as duas mãos contra o torso, num gesto que descrevia o incidente.

Todas as 19 mulheres que participaram da investigação tinham entre 30 e 60 anos. Treze delas não têm familiares vivos. A maioria morava na instituição há pelo menos cinco anos, algumas há mais de 16 anos. Fontes locais disseram que as mulheres tinham pouco contato com o mundo exterior e dependiam totalmente do diretor e de outros funcionários da instituição para o dia a dia. Uma mulher teria interrompido o depoimento de outras residentes aos gritos e se recusado a dizer o nome do diretor, a quem também chamava de “pai”.

A Agência de Polícia Metropolitana de Seul está investigando o diretor da instituição por acusações que incluem estupro e agressão sexual contra pessoas com deficiência, de acordo com a Lei sobre Casos Especiais Relativos à Punição de Crimes Sexuais.

O caso foi inicialmente relatado em março de 2025. Em setembro, a polícia realizou buscas na instituição e 17 mulheres foram formalmente retiradas do local sete meses após a primeira denúncia.

O progresso foi lento nos estágios iniciais da investigação porque a polícia não conseguiu obter depoimentos claros dos moradores. A preocupação pública aumentou quando o Escritório do Condado de Ganghwa, responsável pela supervisão da instituição, também realizou uma inspeção apenas duas semanas antes da operação policial e não relatou sinais de abuso na ocasião.

Uma coalizão de grupos de defesa dos direitos das pessoas com deficiência e centros de apoio a vítimas de violência sexual solicitou uma investigação especializada, que só ocorreu após o condado pedir auxílio à equipe da universidade. Os mesmos pesquisadores já haviam conduzido investigações sobre o caso de abuso na Escola Inhwa de Gwangju e o escândalo de trabalho forçado em salinas nas ilhas remotas do condado de Shinan.

Se as conclusões forem confirmadas, o caso estabelecerá um novo precedente para o número de vítimas confirmadas em um caso de abuso em uma instituição coreana para pessoas com deficiência. No caso da Escola Inhwa, embora os relatórios iniciais estimassem mais de 30 vítimas, os promotores acabaram confirmando nove.

Jang Jong-in, porta-voz da força-tarefa conjunta de grupos de defesa dos direitos humanos, disse que “ainda há muitas mulheres que deixaram Saekdongwon antes da investigação” e que “o número de vítimas pode ser muito maior do que o do caso Dogani. Para descobrirmos a verdade por completo, precisamos de mais investigadores e de uma resposta urgente da presidência e do Ministério da Saúde e Bem-Estar”.

Fonte: (1)
Imagem: Korea JoongAng Daily
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