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Saiba mais sobre o caso dos envenenamentos em série de Pocheon

Havia algo de perturbador no método escolhido pela mulher que ficaria conhecida pela imprensa sul-coreana como “Sra. Noh“. Nenhuma arma, nenhuma faca, nenhum tipo de confronto. Apenas uma garrafa de bebida deixada na geladeira de quem, mais tarde, voltaria para casa cansado e sedento. O veneno fazia o resto — lentamente, em silêncio, ao longo de dias, disfarçado de doença comum.

Entre 2011 e 2014, na cidade de Pocheon, na província de Gyeonggi, essa rotina se repetiria quatro vezes, sendo três delas fatais.

O ano é 2011. Noh ainda mantinha contato com o ex-marido, identificado nos registros apenas pelo sobrenome Kim. Ela foi até a casa dele e, sem ser vista, misturou um herbicida, conhecido pelo nome comercial Gramoxone, cujo princípio ativo (paraquat) é capaz de destruir os pulmões e provocar falência múltipla dos órgãos com apenas algumas gotas ingeridas. Uma semana depois, Kim morreu subitamente, com um quadro clínico compatível com o de falência múltipla de órgãos.

Na época, testemunhas e investigadores não suspeitaram que poderia ter sido um crime. A morte foi arquivada, tendo sido considerada suicídio, hipótese que seria revista mais tarde.

O padrão se repetiria mais tarde. Agora, casada novamente, Noh voltou a agir contra a própria família, dessa vez contra sua sogra e seu atual marido. Segundo o que foi apurado nas investigações, ela adicionou o herbicida a uma bebida energética que foi consumida pela sogra e, para o marido, o veneno foi sendo administrado de forma gradual, sendo misturado à sua comida ao longo de um longo período. Ambos morreriam com quadros de sofrimento respiratório que, mais uma vez, pareciam apenas doenças relacionadas à idade ou a problemas pulmonares.

Créditos: SBS

A quarta vítima, uma criança, chegou a consumir o veneno, mas sobreviveu, ficando com sequelas gravíssimas, o que levaria, mais tarde, à descoberta dos crimes.

O motivo que levou a Sra. Noh a cometer os assassinatos foi o dinheiro. Após a morte do marido, Noh recebeu da seguradora uma indenização por morte estimada em cerca de 530 milhões de wons, um valor expressivo mesmo para os padrões sul-coreanos. Foi o valor que acendeu o primeiro sinal de alerta. A seguradora, incomodada com o padrão de múltiplos recebimentos associados à mesma beneficiária em um curto intervalo de tempo, decidiu levar o caso à polícia.

Paralelamente a isso, pesquisadores de um instituto de toxicologia agrícola, vinculados a um hospital universitário, também haviam notado algo estranho na evolução clínica dos falecidos: os sintomas pulmonares não se encaixavam perfeitamente com os sintomas de nenhuma doença comum.

A confirmação veio através da filha de Noh, a criança que havia sido exposta ao veneno e tinha sobrevivido. Em 2015, após ser internada novamente, o médico que acompanhava a criança percebeu que o quadro pulmonar da garota era muito semelhante aos sintomas do padrasto falecido. Diante da suspeita, o médico recomendou uma investigação toxicológica mais aprofundada.

Créditos: SBS

Os exames confirmaram as suspeitas: havia paraquat no sangue e na urina da criança. A partir dos resultados e das investigações, que àquela altura já estavam em curso, todas as peças foram encaixadas e, em fevereiro de 2015, Noh foi presa e indiciada.

Cercada por provas que não permitiam margem para negativas, Noh confessou os crimes. Em março daquele mesmo ano, a mulher foi indiciada por homicídio, lesão corporal e fraude contra seguradora. O caso chamou a atenção do público por conta da frieza e do método escolhido por Noh. O Ministério Público pediu a pena de morte, porém, a Justiça sul-coreana optou pela prisão perpétua, sentença que foi confirmada nas instâncias seguintes.

Fonte: (1), (2), (3), (4), (5)

Imagens: SBS, IDSN

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  • Isabela Ávila

     Formada em moda, apaixonada por livro, filme, música e café nessa ordem.

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