Lugares assombrados para não visitar na Coreia do Sul

Imagem da área de hidroterapia do - agora demolido - Hospital Psiquiátrico de Gonjiam. (Créditos: Arquivo online)

Na cultura popular, independente do país em que se vive ou visita, sempre há locais considerados mal-assombrados, onde acontecimentos trágicos envolvem sua história. A Coreia do Sul não é diferente, entre suas estruturas modernas e construções milenares, palco para guerras, revoluções, crises e tragédias, existem sanatórios, vilas visitadas por fantasmas de virgens mortas e ilha repleta de memoriais às vidas perdidas em massacre. As superstições e a crença popular fazem do turismo por lugares assombrados cresça, e o interesse pela história e mitologia local também criem evidência.

O interesse de turistas e dos próprios habitantes da Península nos fantasmas, lendas e aparições é tanto, que companhias de turismo decidiram criar um itinerário para os amantes de arrepios e assombrações. O tour chamado ‘Dark Side of Seoul Walk’ leva os pagantes a lugares inexplorados pelos percursos normais, focando em becos, histórias esquecidas ou deliberadamente não mencionadas, massacres e lugares dos quais o passado sangrento é revisto pelos amantes do macabro.



Conheça alguns dos pontos turísticos “assombrados”, para um turismo inusitado pela Coreia do Sul:


Hospital Psiquiátrico de Gonjiam


O folclore popular é permeado grandemente por contos em hospícios. A ideia de não entendermos o que acontece dentro da mente humana, abre pretextos para a imaginação. Quando síndromes e outros transtornos psicológicos não eram reconhecido legitimamente e tratavam de formas brutais, passaram a surgir relatos de aparições de pacientes mortos em processos brutais, como lobotomias e outras torturas.

Construído em 1992, fechado em 1996 e demolido em 2018, o Hospital Psiquiátrico de Gonjiam – localizado em Gwangju – era o cenário mais proeminente para lendas urbanas e possíveis histórias de fantasmas. Desde sua inauguração ouviam-se relatos de experimentos em humanos que ocasionaram na morte de seus residentes, além do suposto suícidio do diretor. Moradores alegavam sentir arrepios e conseguirem escutar vozes de enfermos falecidos sendo castigados. Os boatos se tornaram mais fortes com o encerramento das atividades, quatro anos depois, passando a atrair curiosos e fãs de histórias envolvendo o sobrenatural.

No entanto, diversas reportagens foram escritas para desmentir parte dos relatos que viraram lendas, chamando atenção do público internacional e de cineastas (o prédio inspirou o filme de terror dirigido por Jung Bum-shik, chamado ‘Gonjiam: Hospício Assombrado’, estreado em 2018). De acordo com o que se tem confirmado, o prédio fechou por dificuldades financeiras e na manutenção do esgoto, causando problemas com as autoridades. O diretor não havia cometido suicidio, e após encerrar as atividades e vender o terreno, passou a trabalhar em outro hospital.

Mesmo com os portões fechados e as autoridades tornando proibida a entrada na área – inclusive julgando como invasão de propriedade -, muitos aventureiros continuaram visitando o local e tirando fotos, correndo riscos de se machucar nas instalações enferrujadas pelo tempo. Os donos do terreno e do prédio decidiram tomar uma decisão extrema em relação à localidade, com a popularidade do filme e cada vez mais visitas, mandaram demolir tudo em maio de 2018.


A casa assombrada em Yeongdeok

A fachada da casa em Yeongdeok. (Crédito: Divulgação)

Não se sabe exatamente a história por trás dessa casa no Distrito de Yeongdeok. Ao longo dos anos a casa foi ocupada e abandonada diversas vezes, outros relatam ouvir fantasmas de soldados mortos durante a Batalha de Incheon.

Yeongdeok foi um dos palcos para uma das reviravoltas da Guerra da Coreia. Mais de 700 estudantes que se alistaram e se armaram para lutar, cerca de 300 acabaram morrendo nas docas e foram enterrados no cume da colina onde a residência se localiza. Como resultado, a casa construída muitos anos depois ganhou antecedentes assustadores. A grande maioria das lendas e relatos de aparições fantasmagóricas são motivadas pela crença popular, principalmente na capacidade de almas inquietas em se tornarem penadas, fadadas a continuar vagando pela terra, sem rumo e nem descanso.



Os turistas são levados à Yeongdeok por seu valor histórico, mas também iguarias locais e pela visita turística, mas os fãs de terror e corajosos, caçadores de aparições e lendas se encaminham até a casa para ver de perto toda sua glória fantasmagórica. Muitos dizem sentir uma aura pesada, alguns gravam para tentar mostrar movimentações suspeitas (a National Geographics gravou um episódio de ‘I Wouldn’t Go In There’ em 2013).


Portão da Independência

O Portão da Liberdade e duas das colunas do monumento anterior – Yeongenmun -, sua arquitetura foi inspirada no Arco do Triunfo, localizado na França. (Crédito: Divulgação)

Muitos dos fantasmas de um país que sofreu brutalmente com guerras, ocupações e ditaduras, são vindos de acontecimentos bárbaros, memórias de cenários cruéis. A história é uma grande bússola para atitudes, mas lendas e crenças fortalecem a necessidade de não repetir acontecimentos. A Coreia do Sul foi palco para muitas batalhas sangrentas, das quais deixam marcas no orgulho nacional, os sul-coreanos abraçam o sofrimento e tornam cada alma parte de museus e monumentos, relembrando combates e a importância deles para sua trajetória.

Para celebrar a determinação dos sul-coreanos procurando independência das intervenções chinesas na Coreia do Sul, foi construída no lugar do Pórtico de Yeongeunmun, usado para recepcionar os enviados da China para discussões diplomáticas – o Portão Dongnimmun (Portão da Independência) localizado no Parque Seodaemun da Independência, A estrutura inspirada pela arquitetura do Arco de Triunfo foi construída entre 1896 e 1897.

Muitos turistas dizem ouvir os gemidos de dor e vozes dos soldados que perderam a vida durante os levantes, protestos e batalhas contra a China e Japão, procurando pela total independência do país para negociar e fazer suas políticas sem interferências estrangeiras. Na época da inauguração do monumento foi divulgado nos jornais que os moradores também costumavam ver goblins espreitando, esperando para escalpelar e munidos de fogo-fátuo, para atrair humanos para os braços da morte.



Rio Han

Em grande parte das margens do Rio Han foram construídas ciclovias. (Crédito: Trazy Blog)

Quem diria que um dos mais populares cartões postais da Coreia estaria nessa lista? O extenso Rio Han – com uma área de mais de 35 mil m² e 494 km – é considerado um dos lugares mais mal-assombrados do país, devido seu histórico de afogamentos e suicidios. Visitantes e residentes alegam terem visto aparições de mul gwishin (fantasmas da água), almas penadas de pessoas que morreram nas imediações do Grande Han.

Apesar do rio ser usado em atividades como flyboarding e banana boats, e existirem camping ao longo de sua extensão, devido às lendas urbanas guias turísticos focados em explorar esse lado mais sombrio do sul da Península, geralmente recomendam que não fiquem próximos das margens e beiradas, pois os espíritos podem vir te puxar para dentro do Rio Han.

Ninguém sonha em ser um mul gwishin, não é mesmo? Todo cuidado é pouco.


Vila de Yongin

Uma das construções tradicionais de Yongin. (Crédito: Divulgação)

O que começou como uma lenda envolvendo virgens mortas na Vila de Yongin, hoje se tornou um grande marco turístico dos sul-coreanos. A Korean Folk Village localizada na província de Yongin abraçou o folclore e costumes tradicionais, tornando as roupas, danças, músicas e histórias em um grande parque temático.

Enquanto funcionários fazem danças tradicionais sul-coreanas e tocam músicas, atraindo os turistas para uma experiência completa envolvendo pintura, workshops e apresentações, durante o verão atrizes são pagas para assustarem os turistas se vestindo como cheonyeo gwishin (fantasmas virgens), com cabelos escuros e lisos compridos cobrindo o rosto e vestindo soboks brancos (roupas de funeral).


Alguns dos atores contratados para “assombrarem” Yongin. (Crédito: Trazy Blog)

Antes de usarem isso em prol da economia (a entrada no parque é paga), os moradores e visitantes alegavam ver aparições de mulheres virgens mortas ao longo dos séculos. Historiadores acreditam que isso fosse uma artimanha usada para obrigar as moças a se casarem rápido, sendo um costume obsoleto nos dias de hoje.

Caso visite Yongin, a menos que o fantasma em sobok esteja flutuando, não se preocupe.


Ilha de Jeju

Um dos memoriais levantados em homenagem aqueles que perderam a vida no Massacre de Jeju. (Crédito: Asia Times/ Andrew Salmon)

A Ilha de Jeju é um dos pontos turísticos mais bonitos da Coreia do Sul. Quase 90km da costa sul do país, ela foi palco para o Massacre de Jeju entre 1948 e 1949, no qual mais de 30.000 pessoas foram mortas. A história triste envolvendo suas planícies, praias e montanhas também passa por invasões japonesas e perdas inestimáveis para a cultura local. Relembrando sua dor e homenageando a todos aqueles que foram assassinados, ergueram museus e memoriais, incluindo o Museu da Paz de Jeju, onde 4.000 lápides foram colocadas em nome daqueles que sumiram após o massacre.

Tantas mortes trágicas deixaram feridas e fantasmas, dos quais turistas dizem conseguir ouvir próximos às cavernas usadas por fugitivos para se esconderem, muitos acabaram falecendo de frio ou inanição. Soldados, crianças brutalmente assassinadas, mulheres pegas para serem usadas como “mulheres de conforto”, suas vozes ainda ressoam. Outros dizem ouvir os lamentos de mul gwishins próximos ao mar.

Apesar de tanta tragédia, a ilha também é reconhecida por suas belezas naturais, como praias e montanhas (sua extensão é cheia delas, por ser uma ilha vulcânica e ter formações rochosas interessantes), além de patrimônios imateriais, como a cultura das Mulheres Haenyeo.

O que achou de alguns desses lugares? Eles farão parte do seu itinerário de viagem?

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