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Idols atletas: integrantes de grupos de kpop que já competiram em esportes

Conhecidos por terem rotinas exaustivas e trabalhosas, idols tem treinamentos diários dignos de atletas olímpicos. Não é de se surpreender então que alguns deles tenham sido, de verdade atletas, que talvez ainda não tivessem nível olímpico, mas que estavam nesse caminho.

Durante essa época de olimpíadas do Rio, a K-IN separou alguns integrantes de grupos de kpop que vão além da prática de esporte mais casual e poderiam estar conquistando medalhas ao invés de prêmios musicais hoje em dia.

Já pensou ver alguns deles competindo aqui no Brasil?

 

Nichkhun – 2PM

O integrante tailandês-americano do 2PM é habilidoso não só com a música, mas também com a raquete. Desde os 9 anos, quando morava nos Estados Unidos, ele joga badminton, e os anos de prática o levaram a um nível elevado. Quando terminou o ensino médio, ele virou treinador do time de badminton da Rosemead High School, na Califórnia, na mesma cidade onde foi descoberto por um agente da JYP Entertainment, no Los Angeles Korean Music Festival. Maníaco por se exercitar, ele ainda chama a atenção quando pratica o esporte em eventos e programas de variedade.
Em 2014, participou do especial de badminton do programa da KBS Cool Kids on the Block, em uma competição do esporte com idols e atletas. Participaram inclusive esportistas coreanos de renome do esporte, como Park Joo Bong, Kim Dong Mun e o número 1 do mundo, Lee Yongdae, que ficaram impressionados com a habilidade de Nichkhun. O cantor do 2PM também é modelo porta-voz do Yonex Korea, em especial da linha de badminton deles. A marca até o chamou em 2014 para o Yonex Badminton Competition for Multicultural Families, evento sobre o esporte e sobre famílias com origens culturais diversas, campo em que Nichkhun é um representante perfeito.

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Key – SHINee

Conhecido hoje por fazer parte do SHINee, Key poderia ser também uma referência no esqui aquático. Praticante da categoria de wakeboarding, ele ficou em primeiro em competições a nível nacional do esqui aquático entre estudantes do ensino fundamental e médio por 2 anos seguidos, em 2006 e 2007, enquanto estudava na escola Dae Gu Yeong Shin. A conquista dos títulos no esporte é contemporânea a sua busca por ser um idol, já que ele se tornou trainee da SM Entertainment também em 2006. Isso quer dizer que ele manteve as rotinas de atleta e trainee simultaneamente, e com sucesso, por 2 anos. No entanto, depois disso deixou os treinos esportivos para ficar com a música, quando debutou em 2008.

 

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Leo – Vixx

Vocalista principal do VIXX, Leo não praticava ativamente um único esporte, mas quatro bem diferentes: natação, boxe, taekwondo e futebol. Não foram poucas conquistas também. Ele venceu vários campeonatos de natação e boxe, chegou até a quarta faixa de taekwondo, e foi também membro de um grupo nacional de jovens jogadores de futebol, entre 2004 e 2007.
Seu interesse em virar cantor veio justamente enquanto estava se recuperando de uma lesão e ouviu a música “Walking in the sky”, do cantor Wheesung. Depois de virar um idol, suas habilidades atléticas não ficaram de lado, como é possível ver em diversos programas de variedades com competições esportivas. Ele participou inclusive de uma partida de futebol em um episódio de “Running Man” onde conheceu os ex-jogadores do time coreano Park Ji Sung e Seol Ki Hyon. A experiência foi ainda mais especial para Leo, já que Park Ji Sung era seu ídolo de infância. Ele chegou a tirar uma foto com o jogador e disse que foi incrível para ele poder conhecê-lo, apesar de ter ficado também um pouco nervoso a princípio, sentimento que muitos fãs hoje tem com o próprio cantor.

 

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Doojoon – Beast

Já bem conhecido por adorar futebol, Doojoon jogava em sua infância e desejava seguir a carreira do esporte até seu ensino médio, quando assistiu ao documentário do Big Bang e resolveu que queria ser um idol. Depois disso, mesmo virando cantor, não deixou seu esporte favorito de lado. Seus amigos já revelaram inclusive que ele carrega uma espécie de trave de gol dobrável e portátil consigo para, no tempo livre, jogar uma partida entre idols e managers.
Tanto tempo jogando o fez ganhar habilidades com a bola, recebendo elogios por conseguir competir inclusive com profissionais. No show Cool Kiz On The Block, ele teve a oportunidade de jogar contra o time de futebol feminino do Brasil. Lá, ele chegou a disputar a bola com a Formiga. A K-League, liga de futebol profissional da Coreia do Sul, apontou Doojoon como embaixador honorário deles.

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Jackson – Got7

Hoje encantando às fãs do Got7, Jackson podia estar hoje trazendo medalhas olímpicas para o seu país, já que ele é um ex-integrante do time nacional de esgrima, na categoria de sabre, de Hong Kong, onde nasceu. Seus pais eram ambos atletas chineses, o que o incentivou a começar aos 10 anos de idade os ensinamentos por treinadores profissionais, incluindo seu pai Wang Rui Ji, ex-treinador do time nacional de esgrima. Ao longo dos anos Jackson conquistou diversos prêmios, inclusive ficou em 11º nas Olimpíadas de Verão da Juventude, em 2010. Também ganhou o primeiro lugar no Campeonato Asiático Júnior e Cadete de Esgrima, em 2011. No mesmo ano ele expressou o interesse de virar cantor e conseguiu convencer seus pais em seguir seu novo sonho, e mudou-se para a Coreia do Sul para se juntar a JYP.

Jackson Wang durante uma competição em seus dias como esgrimista

 

Seungyoun – UNIQ

Integrante do UNIQ, que fez show em São Paulo em junho, essa não foi a primeira vez que Seungyoun veio ao Brasil. Hoje realizando o sonho de ser cantor, o idol antes queria ser um jogador de futebol. Foi com esse sonho que ele veio ao Brasil pela primeira vez, sozinho, aos 13 anos de idade. Ele morou aqui por 2 anos, e ficou conhecido entre amigos e colegas de turma pelo seu nome brasileiro “Luizinho”. Durante esse período, foi até jogador do time de base do Corinthians, provando que tinha habilidade para tentar seguir a carreira. Foi também aqui que aprendeu sobre vários tipos de música e surgiu o sonho de ser cantor. A princípio teve dificuldade em explicar para a mãe que comparado a jogar futebol, ele gostava ainda mais de cantar e, por isso, queria seguir esse novo sonho. Demorou um pouco para conseguir o seu apoio, mas quando fez 16 anos começou a perseguir esse sonho, que realizou depois ao debutar com o UNIQ.

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Casper – Cross Gene

O integrante chinês do Cross Gene sempre gostou de ouvir música, mas seu desejo original era ser um atleta. Ele treinou por 6 anos levantamento de peso, conseguindo prêmios relevantes em seu país, e ainda praticou por 1 ano corrida de curta distância. Assim como outros casos, Casper mudou do esporte para a música depois de um ferimento, no caso, uma contusão nas costas, o que o fez se aproximar da música e crescer a vontade de ser cantor, passando a participar de várias aquisições na China até ser chamado para ir para a Coreia, debutar com o Cross Gene.

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Dongjun – ZE.A

Quem não tem muito histórico pessoal de conquistas esportivas antes de virar idol, mas que merece uma menção honrosa, é Dongjun, que é conhecido por suas incríveis habilidades atléticas. Não à toa, ele tem um atleta correndo pelas veias. Sua mãe foi corredora e seu tio um jogador de basquete. Inicialmente, quando criança o cantor queria ser um ginasta, mas sua mãe não permitiu, então quando entrou no ensino médio resolveu jogar futebol, ao invés disso.
Entre os idols, Dongjun se destaca por ser um azarão e se sair bem em todas as atividades físicas que se propõe a fazer. Ele é conhecido como um dos melhores do Dream Team, no “Cool Kiz on the Block” e surpreendeu os membros do clube de badminton por uma habilidade a cima da média com apenas 7 dias de prática na modalidade. No 17º Jogos Asiáticos de Incheon em 2014, ele carregou a tocha da competição. Tendo o apelido de “idol-atlético”, em 2011, no especial de Chuseok de idols atletas ele conseguiu 2 ouros, nos 100 metros e 110 metros com barreira masculino.

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Por Paula Bastos
Revisado por: Naira Nunes
Fontes: Soompi, onehallyu, kpopstarz, daily kpop news, Xgenefans, loveindacube, kpopselca
Não retirar sem devidos créditos

[Crônicas da Coreia] A surpreendentemente calorosa recepção coreana

Os leitores que nos acompanham há um tempinho devem saber que duas de nossas colaboradoras foram à Coreia no começo do verão coreano (ou inverno brasileiro). Naira e eu fomos convidadas pelo Naver V Live App à assistir o showcase de comeback do EXO, com o álbum EX’ACT, em uma das mais maravilhosas experiências que já tivemos desde que começamos a nos envolver com o K-pop. E isso será assunto em um próximo capítulo.

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Pra quem não conhece ainda, me chamo Carol Akioka e tenho 23 anos, sendo 5 deles dedicados à KoreaIN Magazine. Trabalho como corretora de imóveis e cuido da revista nas horas vagas (ou seria ao contrário? haha!). Através dessa série Crônicas na Coreia, queremos passar um pouquinho das “aventuras” que tivemos nessa primeira viagem internacional da vida, ainda mais para um lugar tão sonhado por nós (e muitas vezes por vocês!).

Lembro que essa é apenas a minha opinião, de uma turista brasileira que passou duas semanas em terras coreanas, e que de forma alguma é a verdade absoluta. Pode significar que tive uma sorte incrível, então se tiverem dúvidas ou comentários, gostaria muito de ouvi-los.

Estaria tudo bem se fosse uma viagem planejada, porém soube da possibilidade da viagem num dia e no seguinte já estava embarcando sem saber direito onde ficar, o que fazer, onde comer. Para falar a verdade, mal sabia o que estava levando na mala, que tinha feito completamente de última hora.

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Mil malas, mas o que tem nelas?

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Uma dica importantíssima: Antes de comprar as passagens, verifique onde será sua conexão. A Coreia do Sul não exige visto de brasileiro até 90 dias com a finalidade de turismo. A princípio íamos viajar pela Korean Air, porém pouco antes de comprar vimos que as escalas dessa companhia são nos Estados Unidos. Para isso, íamos precisar de visto americano ou visto de trânsito, coisa que não tínhamos e que não iríamos conseguir em 1 dia. O responsável pela viagem foi super compreensivo e nos reservou outro voo, mas por não ter mais lugar disponível, eu e Naira fomos por companhias diferentes: eu pela Qatar Airways com escala no Qatar e ela pela Emirates com escala em Dubai. Ambos trajetos não exigem visto para brasileiros.

Outra dica: Vá confortável! O trajeto é mega longo e cansativo, quase 14 horas até o Qatar e mais 8 horas até a Coreia. Acho incrível que idols ainda cheguem animados quando vêm para shows aqui no Brasil.

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Imagem: Yes and Yes

Reservei o hostel enquanto esperava o embarque no avião. Simplesmente usei a mesma técnica que uso quando viajo nacionalmente: o mais barato e perto do metrô. Caímos em um tal de Kimchee Downtown Guesthouse, em Chungjeongno, na frente da estação. Apesar de escolhido às pressas (e do ótimo valor), aquele lugar tem algum tipo de “luz”, se me permitem assim dizer. As pessoas ali são ótimas! O ambiente é tão confortável que após 2 dias, já estava chamando de “casa”. O lugar era simples, mas aconchegante e com uma ampla área social.

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Lembro que um dia chegamos umas 4 horas da manhã e encontramos o pessoal cantando e dançando “Ai se eu te pego“, animadíssimos no hall. Outro dia que meu cartão foi bloqueado, fiquei quase uma hora no celular do gerente do hostel com o atendente do banco aqui no Brasil. Detalhe: quem me salvou e encontrou o número para ligar foi ele.
Este hotel tem um sistema legal, onde as pessoas podem ajudar na limpeza e na recepção e trocar por hospedagem. Vale a pena dependendo de quanto tempo você for ficar na Coreia.

Encontramos pessoas incríveis ali, coreanas e internacionais. Uma família filipina me chamou atenção. Duas irmãs e suas duas primas na faixa dos 14 anos viajaram com o pai e a avó até a Coreia para tentar encontrar o Seventeen. Elas tomavam banho cantando ‘Mansae‘ tudo errado… igual eu.

Uma das minhas companheiras de quarto era coreana e mora na Austrália há 2 anos. Voltou à Coreia para buscar uma documentação para tentar o visto permanente em seu novo país. Ela namora um chileno, que por um estranho motivo, a ensinou diversas palavras em português. Ela tinha o maior repertório de palavrões brasileiros que eu já vi em todos os anos de minha vida e acordava com Luan Santana no alarme. Graças à ela, encontrei um dos melhores lugares pra fazer compra em Seul.

Acontece que, apesar de adorar a Coreia e afins há quase 10 anos, minha fluência no idioma é praticamente ZERO, arriscando apenas no famoso “annyeonghaseyo” (e mesmo assim devo falar bem errado). E isso era assustador no início.

Cheguei no aeroporto sem ter ninguém para me receber. Ok que já era esperado, mas quando chega a hora, bate um certo desespero. Então estava eu ali, com praticamente 40kg de bagagem, tentando pegar o metrô.

Mais dicas: As cotações monetárias variam conforme o lugar que você vai. No aeroporto e em bancos, normalmente você paga mais taxa. Se puder, troque o mínimo necessário no aeroporto e depois procure casas de câmbio em Myeongdong ou Hongdae. Elas parecem suspeitas, mas lá é normal e dá tudo certo no fim.

Fiquei maravilhada com o transporte público coreano. O aeroporto já é integrado ao metrô, o que facilita bastante. Lá, você paga pelo trajeto, então você coloca onde está e para qual estação vai, que eles calculam o valor e emitem um cartão para você. ATENÇÃO: Você coloca o cartão na hora de entrar e na hora de sair da estação, então fique atento, porque quase joguei fora após passar a catraca.

Tem um cartão chamado T-Money, que você pode comprar por 2000~3000 won nas lojas de conveniência e pode carregar lá mesmo ou nas máquinas nas estações. Esse cartão pode ser utilizados nas lojas de conveniência, ônibus, metrô e táxis, ajuda muito ter e economiza tempo de comprar o passe toda vez que for se locomover de transporte público.

Coreanos estão sempre correndo olhando para seus celulares. Lêem webtoons, vêem dramas, assistem programas de variedades, respondem o kakao. Eu deveria estar com uma cara de desesperada no meio deles pra tentar não perder o ponto da baldeação. Arrastava duas malas no horário de pico, com o metrô cheio, mal sabendo pra onde ir. Um senhor pegou minha maior mala, subiu as escadas e a deixou lá em cima. Ele me ajudou, mas não tive tempo de agradecer.

Quando finalmente cheguei na estação certa, não estava conseguindo passar meu cartão. Um rapaz me ajudou a sair e ainda se ofereceu pra me ajudar com as malas até o hostel.

Na verdade as pessoas me ajudaram tanto naquele país, que se eu for citar todas as vezes, ficaremos aqui o dia inteiro, eu escrevendo e você lendo.

Me perdi no metrô e um ahjussi disse “follow me” e me levou até a saída certa, depois disso me recomendou alguns lugares que deveria visitar enquanto estivesse pelo país, com um inglês quebrado completamente adorável. Me senti verdadeiramente acolhida.

Raramente você vê alguém falando fluentemente inglês, então não tenha medo de arriscar no pouco de coreano que aprenderam em dramas e músicas, pode ser que te ajude. A frase “todo mundo fala inglês” não é verdadeira lá, da mesma forma que a expressão “coreanos são frios” também não é.

Coreanos são calorosos, à sua própria maneira. Não “brasileiramente” calorosos, mas “coreaneamente” calorosos, se posso assim dizer. Não são de abraçar, de beijar, de sorrir, de tocar. Porém, posso sentir verdadeiramente que gostam de ajudar. Eles não tentam falar seu idioma ou arriscar falando algo que não sabem como nós, no embromation. Eles falam devagar, no próprio idioma e com gestos. Não entendeu? Não tem problema, eles param o que estão fazendo pra te ajudar e te guiar. Passamos por isso na rua, no metrô, até na loja de conveniência pararam para me ensinar a fazer o tal do macarrão instantâneo no microondas e a desenrolar o kimbap triangular (não pensem que é fácil, o primeiro que tentei comer caiu no chão).

Esses dias passando pelo facebook, vi uma postagem de uma brasileira orgulhosa por ter dado uma de superior para cima de um gringo, que procurava o caminho do metrô no Rio de Janeiro. Esse tipo de coisa me faz pensar o quão ignorante podemos ser, sem saber nada por trás das necessidades daquela pessoa pedindo ajuda. Em minha primeira viagem ao exterior, pude perceber o tanto de pessoas boas que estão por aí, independente de esteriótipos e rótulos que colocamos nelas. Me surpreendi, e muito! É sempre bom saber que o copo ainda está meio cheio.

No próximo capítulo, a Naira vai contar tudo da visão dela, então esperem por isso!

Conte-nos suas experiências e dúvidas. E acompanhem conosco nas próximas semanas.

Por Caroline Akioka
Não retirar sem os devidos créditos.

OMONA! A Ascensão Global dos Dramas Coreanos

Os k-dramas têm conquistado cada vez mais fãs em todos os continentes. No entanto, muitos não sabem que a evolução dessa popularidade envolve uma série de elementos, desde o apoio governamental até os avanços tecnológicos, que também evidenciam a perspectiva mídia televisiva coreana se consolidar de vez entre os grandes no mercado global.

 

INTRODUÇÃO

A paixão pelas telenovelas é compartilhada entre telespectadores há décadas. Especialmente na Ásia, houve a variação das tramas de TV em um formato único, que são os dramas – ficções televisivas produzidas no leste e sudeste do continente. Em particular, os dramas coreanos (hangul: 한국드라마) vem conquistando um público fiel nas terras mais longínquas. Atualmente, dominam a Ásia, se expandem cada vez mais para países do ocidente e alcançam telespectadores em todo o mundo. Além de entreterem milhões de pessoas, se tornaram importante instrumento de promoção da cultura sul coreana e, consequentemente, impulsionador da economia do país. Ainda não sabe muito a respeito? A KoreaIN te explica o mundo dos dorameiros!

 

O QUE SÃO OS DRAMAS?

Os dramas coreanos ou k-dramas (redução do termo Korean Drama), cujo termo é designado ao formato desenvolvido e não ao gênero, são ficções televisivas produzidas pelas principais redes de televisão na Coréia do Sul, como a Korean Broadcasting System (KBS), Seoul Broadcasting System (SBS), Munhwa Broadcasting Corporation (MBC) e Total Variety Network (tvN). De modo diferente do formato das novelas brasileiras possui entre 16 e 100 episódios, sendo que dificilmente ultrapassa esses números. Já a temática é bem variada, pois existem dramas familiares, criminais, escolares, médicos, históricos, fantásticos ou de comédia, alcançando públicos diversificado, em faixas de horários diferentes.

Os dramas coreanos, principalmente na década de 1990, alcançaram grande audiência entre a população da República. Em 1991, o drama familiar What Is Love, da MBC, foi um grande sucesso, ficando consagrado como o maior da emissora até hoje. Já no ano de 1995, a SBS fazia sucesso com o drama Sandglass e no ano seguinte foi transmitido o k-drama de maior sucesso da história da tv sul-coreana, First Love, da KBS.

 

A EXPANSÃO DOS DRAMAS COREANOS NA ÁSIA

O boom dos dramas coreanos para além do país começou no final da década de 1990. Com uma indústria audiovisual que não alcançava grande escala, o incentivo governamental foi crucial no desenvolvimento da produção dos dramas para o cenário atual. O presidente Kim Dae-jung, em 1998, se autodeclarou “presidente da cultura”, de modo que decretava a partir dali o compromisso de contribuir para a criação de políticas diversas de promoção da cultura coreana, a fim de tornar futuramente o país líder midiático e econômico, reafirmando, também, políticas protecionistas iniciadas no início da citada década para estimular a produção de cultura interna. Ao mesmo tempo que as políticas governamentais foram crescendo, as tramas foram se aperfeiçoando, chamado, assim, a atenção dos países vizinhos.

Esses países asiáticos foram atraídos em primeiro momento pelo baixo custo das produções àquela época. Posteriormente, China, Japão, Malásia e outros países do Sudeste Asiático despertavam para a verdadeira paixão aos k-dramas. Os precursores desse crescimento midiático foram os dramas What Is Love (사랑이 뭐길래), transmitido na China em 1997;  Autumn Tale, maior audiência da TV taiwanesa em 2001; o romântico Winter Sonata da KBS (2002), principalmente no Japão (transmitido pelo tradicional canal NHK), consagrando ali o ator Bae Yong Joon, e o histórico Dae Jang Geum ou A Jewel In The Palace da MBC (2003).

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A partir dessa recepção inicial favorável aos dramas coreanos em outros países, os mesmos ganharam status na produção televisiva da Coreia do Sul, tornando-se mais um fator para a produção em larga escala, qualificando o mercado.

 

O COMEÇO DA HALLYU NO OCIDENTE

A hallyu (onda coreana) iniciou-se na década passada e teve como pontapé o estouro desses dramas na Ásia. Esse verdadeiro progresso começou a exportar para o mundo a indústria cultural coreana. Assim como o fenômeno dos animes japoneses no ocidente, entre as décadas de 1980 e 1990, como Os Cavaleiros do Zodíaco, Dragon Ball, Rurouni Kenshin (Samurai X) e Pokemon, os dramas coreanos foram popularizados no ocidente através da plataforma mais comum de promoção: de fã para fã.

De forma progressiva, à medida que as tecnologias iam se aperfeiçoando, surgia em alguns países os chamados fansubbers – em que pessoas se voluntariavam para traduzir e legendar os dramas vindos do oriente. Até meados de 2005, o número de dramas traduzidos ainda era discreto e a maioria das legendas encontradas eram em inglês, tornando o compartilhamento também pequeno.

Somado a já citada variedade de temas e a pequena quantidade de episódios, outras características que atraíram o público foram as tramas enxutas, com episódios de 1 hora em média e os núcleos reduzidos, que facilitam o acompanhamento da trama.

Diante dessa situação de crescimento do mercado externo, as próprias empresas de televisão sul-coreanas mesclaram enredos tipicamente coreanos com aspectos ocidentais, aproximando ainda mais quem assistia. Isso despertou mais curiosidade nos telespectadores em tudo o que envolvia os dramas, seja a história da Coreia do Sul, comportamento do povo asiático, notícias dos futuros dramas, críticas dos enredos, curiosidades sobre os atores, surgindo, ainda, fanpages e grupos nas redes sociais para discussão entre os fãs. Por consequência, aumentou ainda mais o consumo da mídia coreana.

Assim, despertou-se a atenção de empreendedores para investir no ramo televisivo das mais variadas formas, alcançando, enfim, a abertura do mercado dos dramas além da Ásia.

 

A GLOBALIZAÇÃO DOS DRAMAS COREANOS

O interesse pela cultura coreana, a percepção de alguns empresários e o avanço tecnológico permitiu que, além dos fansubbers, surgissem nos últimos anos outros meios de expansão dos dramas pelo mundo.

Em alguns países a força da Hallyu tem sido tão grande que é possível encontrar dramas dublados em canais nacionais, como é o caso da ‘Panamericana Televisión’, no Peru. Já em Cuba, os k-dramas vêm dividindo espaço de igual pra igual com as novelas brasileiras, tão respeitadas no âmbito internacional. É televisionado dramas no ‘Canal Habana’ desde 2013, além de serem encontrados legendados em algumas lojas de forma ilegal.

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Importante contar que ano passado a KBS anunciou o lançamento do canal KBS World Latino, com toda a programação traduzida para o espanhol. No Brasil, algumas operadoras fornecem a KBS, mas com legendas em inglês. Por outro lado, com a promoção de um projeto do Centro Cultural Coreano começou a ser transmitido ano passado, no canal Rede Brasil o drama da JTBC, Happy Ending, com as opções dublado e legendado. O canal +Globosat já transmitiu em suas madrugadas o grande sucesso IRIS e a Rede Globo apresentou em 2014 uma reportagem no programa Vídeo Show em que o jornalista Zeca Camargo conheceu os estúdios da KBS e mostrou aos brasileiros os bastidores da comédia familiar Sweet Secret.

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No contexto empresarial, as plataformas online como Viki, Dramafever, e Netflix, proporcionaram a completa globalização dos k-dramas. De fato, além dos países asiáticos e da América Latina, os países da Europa e da América do Norte tem sido grandes consumidores desse formato. Dados mostram que só a plataforma Viki possui 35 milhões de usuários fixos mensais no mundo, sendo os Estados Unidos com o maior número, com 1.312.500 aproximadamente. Do total, 25% são da América Latina, sendo 15% só do México!

A abertura do mercado externo permitiu o sucesso global de dramas como Goong, Coffee Prince, Full House, Boys Over Flowers, Playful Kiss, You’re Beautiful, Secret Garden, Iris, Personal Taste, The Moon That Embraces The Sun, My Love From Another Star e tantos outros que encontramos facilmente na lista dos dorameiros.

 

IMPACTO CULTURAL NA ECONOMIA DA COREIA DO SUL

O incentivo do governo sul-coreano na promoção da cultura do país de fato deu certo. Hoje, o país exporta para o mundo inteiro as suas músicas, dramas e filmes, além de vir afirmando um lugar de respeito na política mundial, evidenciando ser uma potência além dos limites da Ásia.

Nesse sentido, a hallyu tem um papel fundamental, isso porque os dramas movimentam também a exportação de bens de consumo. É crescente o número de espectadores que movimentam o comércio de cosméticos, eletrônicos, moda e até mesmo de automóveis.

Segundo o Serviço Aduaneiro da Coréia do Sul, as exportações para países do Oriente Médio, América Latina e Ásia Central tem experimentado um grande crescimento. No Irã, por exemplo, desde 2007, com o início da transmissão de dramas como Dae Jang Geum e Jumong, a exportação de bens de consumo advindos da Coreia do Sul aumentou 46,3%.

No caso de Peru, México e Brasil, aumentou em 50% o volume de exportação comparando 2010 e 2011. Percebe-se que são números significativos e que impulsionam o governo do país asiático a, cada vez mais, criar políticas de expansão cultural como estratégia de aumento de sua influência no resto da Ásia e ocidente.

Além disso, o turismo no país aumentou. Principalmente entre os jovens é crescente o interesse de conhecer o país de seus k-idols, bem como lugares famosos que viram nos dramas – verdadeiras belezas naturais como a Ilha Jeju, que foi cenário recentemente do drama Warm and Cozy e paisagens belíssimas de Seul que contrasta sua história e modernidade, como foi mostrado no sucesso Rooftop Prince, em 2012.

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Sem dúvidas, o esforço empreendido desde o presidente Kim Dae-Jung valeu a pena. O interesse de estrangeiros pela cultura tem sido tão grande que a Coreia do Sul em 2012 foi o 20º país mais visitado no mundo, contabilizando mais de 11 milhões de pessoas conhecendo o país, o que contribui para o aquecimento da economia interna e estimula o mercado de trabalho nacional.

 

PRESENÇA DIÁRIA

De fato os k-dramas já fazem parte da vida de muita gente. Seja no despertar da manhã, antes de ir dormir, no retornar daquela aula cansativa, de um maçante dia de trabalho, em maratonas nos finais de semana ou nas férias, a expectativa e o prazer proporcionado nessas horas são únicos.

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É bem verdade que existem pessoas que ainda nos acham muito diferentes por assistirmos dramas da Coreia do Sul, mas não há nada melhor do que aquela sensação de poder compartilhar com outras pessoas suas experiências, principalmente quando conseguimos convencer um amigo ou até seus parentes à assistir junto! E quando você encontra nas redes sociais um monte de dorameiros então… nem se fala!  Sem dúvidas, sempre tem inúmeras experiências doramáticas para compartilhar e divertimento de sobra com as notícias e os memes populares.

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Além de falar desse amor pelos dramas é incrível como um país conseguiu vender tão bem um produto cultural como foi o caso do governo sul-coreano em relação ao seu entretenimento televisivo. Os dados mostram que foram audaciosos e entraram nesse projeto verdadeiramente “de cabeça”, o que resultou em fãs apaixonados não somente pelos dramas, mas por uma cultura, por todo um país.

Todos nós sabemos do potencial dos k-dramas e o quanto eles ainda podem se expandir e, consequentemente, contribuir para a economia e a influência do país. Com efeito, as perspectivas são as melhores. Espera-se que as plataformas virtuais continuem com a audaciosa ampliação que vem demonstrando todos os anos e fica também a expectativa para que os dramas alcancem mais canais televisivos em todos os continentes, seja nos canais a cabo ou gratuitos, inclusive no Brasil, a fim de atrair mais telespectadores (e amantes!) ao redor do mundo.

Quem sabe algum dia as novelas mexicanas vespertinas dividam lugar com algum K-drama? Bom, enquanto essa inimaginável e divertida cena não ocorre, continuamos com a melhor forma de expansão da hallyu, o “boca-a-boca”, ou melhor, o relacionamento de fãs para (futuros) fãs!

 

Essas próximas semanas estaremos com conteúdos exclusivos para vocês, acompanhe nossas redes sociais!
 
 
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Por: Erika Christina
Revisão: Naira Nunes
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[Rio 2016] Park Sang-Young ganha de virada na esgrima e leva o ouro para a Coreia do Sul

Neste terceiro dia de Olímpiadas parecia que o coreano Park Sang-Young ia ter que se contentar com a prata. Em um placar de 10 contra 14 pontos do húngaro Géza Imre, a esperança era mínima. Mas Park não se abalou, manteve a concentração, e se tornou o terceiro coreano a ganhar um ouro na categoria de Espada Individual. O atleta fez uma série notável de cinco pontos e conquistou a vitória com 15 x 14. Uma derrota dolorosa para a Hungria.

South Korea's Park Sangyoung celebrates winning against Hungary's Geza Imre in the men¿s individual epee gold medal bout as part of the fencing event of the Rio 2016 Olympic Games, on August 9, 2016, at the Carioca Arena 3 ©Fabrice Coffrini (AFP)
O sul-coreano Park Sangyoung celebrando a vitória contra o hungaro Geza Imre, no dia 9 de Agosto, 2016, na Arena Carioca 3 ©Fabrice Coffrini (AFP)

Park havia se recuperado de uma grave lesão do joelho, que tinha feito ele cair no ranking mundial para 21º colocação. “Foi muito difícil para mim voltar de minha lesão. Fiquei pensando nas Olimpíadas e tomando parte nela. Isso é o que me levou de volta aos trilhos “, disse Park.

Após a incrível vitória, Park declarou: “Os Jogos Olímpicos são um dos maiores eventos esportivos do mundo inteiro e eu tentei dominar minhas fraquezas” e “Foi impressionante ganhar após ter estado em uma colocação baixa”.

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Imre também se manifestou: “Estou tão triste. Eu era o vencedor até oito minutos e meio de luta e nos últimos vinte segundos ele me bateu. Eu entendo tudo (porque eu perdi), mas eu estou muito triste.” E continuou: “(Ganhar a) medalha de prata não é ruim, mas eu já tenho uma medalha de prata de Atenas 2004”, disse ele. “Eu sou grato pela prata, mas eu estava a um toque de distância.”

Por Amanda Carolina
Fontes: Daily Mail, LA Times
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[REVIEW] O que o BTS apronta na Europa por trás das câmeras? – GIFT VOD – EP 4

Se você já acha os episódios de Bon Voyage engraçados, você TEM que conferir os ‘behind the scenes’! Que os meninos do BTS foram feitos para o entretenimento, a gente já sabe faz tempo, mas vê-los “turistando” pela Europa é demais.

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Eles se separam em grupos e mais uma vez, Taehyung vai sozinho de ônibus. Ele é incrivelmente animado e até fofo ele interagindo com o cameraman.

 

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Suga e RapMon vão juntos e NamJoon dá umas dicas para aprender bem inglês. Ele disse que durante 3 anos, ele comprou os DVDs de uma série com 10 temporadas, que ele assistiu 10 vezes. A primeira vez, ele assistiu com legendas em coreano, a segunda vez, com legendas em inglês e da terceira vez, sem legenda alguma. Fazendo assim, você lembra quais eram as falas e já começa a entender automaticamente.

É legal ver os meninos terem um momento de folga após trabalharem tanto. Eles parecem muito felizes.

 

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Jimin é um santo! Teve que aguentar o Jin dançando no meio da rua, contando piadas sem graça e fazendo bagunça, teve também que andar mais de 30 minutos porque Jin não queria pegar o ônibus e ainda perde no jogo e é obrigado a carregar as malas do hyung. Coitado!

 

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J-hope está muito animado por poder andar sem manager por aí. Ele e Jungkook jogam pedra-papel-tesoura para ver quem irá pedir por informações à um estranho na rua. O maknae ganha e J-Hope tem que pedir. Um senhor muito simpático os ajuda, porém eles não entendem nada e fingem que entendem! Engraçado que lembrei da viagem que nós da K-IN fizemos à Coreia mês passado! Entendemos nada, mas fingimos que sim para não ficar feio.

 

 

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O melhor de tudo é que os vídeos são curtíssimos! Dá para fazer download no V Live app em casa e assistir indo pra escola/trabalho. Garantimos que são 10 minutinhos de muita diversão.

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Por: Caroline Akioka

Não retirar sem os devidos créditos.

A história do Taekwondo, esporte olímpico e coreano

Não é todo mundo que pode dizer que um esporte que nasceu no próprio país se tornou mundialmente conhecido e praticado por pessoas de todo o mundo a ponto de virar esporte olímpico, um dos maiores méritos que uma modalidade esportiva pode ter, e objetivo final de muitos competidores de alto nível. O Taekwondo traz esse orgulho esportivo para os sul coreanos desde o ano 2000, quando o esporte nacional deles entrou para o grupo seleto de esportes concorridos nos Jogos Olímpicos de Verão.

O Taekwondo é uma modalidade olímpica recente, aparecendo pela primeira vez nos jogos de Seul, em 1988, como esporte de demonstração (é competido, mas não vale medalha olímpica), e retornando da mesma forma em Barcelona 1992. Duas edições depois, o Taekwondo voltou para os Jogos, entrando pela primeira vez como modalidade competitiva, tornando Rio 2016 apenas a quarta vez que o esporte é disputado.

Exibição de Taekwondo na abertura dos Jogos de Seul 1988

No entanto, existe muito mais de história até o esporte chegar nesse ponto. Como modalidade esportiva com esse nome, e do jeito que ele é conhecido hoje, o Taekwondo é bem recente, já que foi desenvolvido na década de 1950. Entretanto, suas raízes são bem mais antigas, com 2 mil anos de história.

 

  • Origem milenar

O registro mais antigo relacionado ao esporte é por volta dos anos de 50 A.C, época em que os três reinos coreanos foram formados: o Reino Goguryeo, que sozinho ocupava a maior parte da península coreana, o Reino Baekje, e o Reino Silla, o menor deles. Pela pequena extensão, o Reino Silla era muito atacado pelos vizinhos e por outras nações, sendo alvo principalmente de piratas japoneses.

Primeira pintura de registro de arte marcial coreana, com golpes usando apenas as mãos e os pés, característica do Taekwondo
Primeira pintura de registro de arte marcial coreana, com golpes usando apenas as mãos e os pés, característica do Taekwondo

Para tentar se defender, Silla pediu ajuda a Goguryeo, que concordou em ensinar uma série de golpes de artes marciais, na qual o mais famoso era o Taek Kyon, para um grupo seleto de guerreiros de Silla, que ficaram conhecidos como Hwarang ( que significa algo como “guerreiros em florescimento”). Esses guerreiros depois montaram uma academia para jovens nobres de Silla com o nome de “Hwarang Do”, onde ensinavam o Taek Kyon e também história, filosofia do confucionismo, moral, estratégia militar e habilidades sociais. O Hwarang Do tinha como princípios os cinco códigos de conduta humana de Won Gwang: lealdade, dever, confiabilidade, valor e justiça. Hoje, esse código se tornou base para os onze mandamentos do taekwondo moderno:

1. Lealdade com o seu país

2. Respeito aos seus pais

3. Fidelidade à sua esposa

4. Lealdade aos seus amigos

5. Respeito aos seus irmãos e irmãs

6. Respeito aos mais velhos

7. Respeito aos seus professores

8. Nunca tire uma vida injustamente

9. Espírito indomável

10. Lealdade a sua escola

11. Termine o que começou

 

Divisão dos Três Reinos Coreanos
Divisão dos Três Reinos Coreanos

O Hwarang Do se espalhou pela península porque seus praticantes viajavam pelo país para conhecer as diferentes regiões, pessoas e culturas, levando consigo o seu próprio conhecimento. Depois de séculos de batalhas entre os Reinos, em 668 DC, o Reino Silla se tornou vitorioso e unificou a península. Com o período de paz, a prática da arte marcial ensinada no Hwarang Do foi sendo esquecida, principalmente na Dinastia de Joseon (1392-1897), quando o Rei Taejo estabeleceu o Confucionismo no lugar do Budismo como religião, o que priorizava o ensinamento escolar intelectual. Mesmo assim, o Tae Kyon persistiu ao longo dessa Dinastia por ser ainda praticada pelos militares e também como forma de jogo folclórico no festival de May-Dano, e assim chegou ao século XX.

 

  • As artes marciais coreanas na modernidade

No século XX, com a invasão japonesa, eles levaram suas próprias artes marciais, suprimindo as formas de luta locais, e muitos dos praticantes daquela época fugiram para a China e outros países próximos. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, o país foi liberto, os coreanos retornaram ao país e as artes marciais coreanas retornaram, com apoio do governo, que patrocinou o ensinamento das lutas, atraindo novos alunos.

Particularmente, logo depois do fim da guerra, em 1945, a primeira escola de Taek Kyon, chamada de “Kwan”, foi inaugurada em Seul, seguida por várias outras pelos anos seguintes. Como haviam várias formas diferentes da arte, que foi se modificando principalmente pela influência das lutas japonesas, recebendo também outros nomes, como Soo Bahk Do, Kwon Bop, Kong Soo Do, Tae Soo Do and Kang Soo Do.

As forças militares coreanas foram formadas também em 1945, e no ano seguinte, a época, o vice capitão Choi Hong Hi começou a ensinar Taek Kyon na base de Kwang Ju. Em 1952, no meio da Guerra da Coreia, o Presidente Syngman Rhee assistiu a uma performance de mestres de artes marciais coreanas e, impressionado, falou com Choi Hong Hi e ordenou que todos os soldados recebessem treinamento na luta.

Em 11 de abril de 1955, um grupo de especialistas em artes marciais se reuniu na Coreia do Sul para unificar todas as lutas em um único sistema. Na época foi feita uma votação e o nome “Tae Soo Do” foi aceito pela maioria dos mestres. Dois anos depois o nome mudou para “Taekwondo”, como sugestão do general Choi Hong Hi, que é considerado o pai do Taekwondo. O novo nome foi escolhido por lembrar o “Taek Kyon” e pelo seu significado, já que descreve tanto as técnicas de mão quanto as de pés, já que “Tae” significa “chutar” ou “esmagar com os pés”, “Kwon” é “socar” ou “destruir com as mãos” e Do é “caminho”, “método”.

General Choi Hong Hi, pai do Taekwondo
General Choi Hong Hi, pai do Taekwondo

 

Mesmo com a criação do esporte oficial, os Kwans não se unificaram como um todo até 1961, quando o novo governo militar decretou que os Kwans se juntassem para formar uma organização chamada de Korea Taekwondo Association (KTA), cujo primeiro Presidente escolhido foi o General Choi Hong Hi. Em 62, o esporte já virou modalidade do Encontro Nacional de Atletas e também a KTA examinou todos os ranqueamentos de faixa preta para determinar o padrão. Nos anos seguintes, a KTA também enviou atletas para exibições pelo mundo para apresentar o esporte, em especial nos Estados Unidos, onde em 1967 já é criada a U.S. Taekwondo Association.

Em 1973, Kim Young-wun se torna presidente da KTA, depois da renúncia de Choi Hong Hi, que fundou o International Taekwondo Federation (ITF) no Canadá, onde trabalhava com foco na modalidade como metodologia de defesa pessoal, e não como esporte. Kim Young-wun define que uma organização mundial da modalidade deveria ser sediada no país que a criou, e funda a World Taekwondo Federation (WTF), que até hoje é o único órgão que o governo sul coreano aceita como órgão regulatório do esporte. E no mesmo ano aconteceu também o primeiro campeonato mundial de Taekwondo, em Seul, mesmo lugar em que uma década e meia depois o esporte dava o seu primeiro passo olímpico. Já hoje em dia, depois do nascimento do Taekwondo moderno em 55, mais de 30 milhões de pessoas de 156 países diferentes praticam a arte marcial coreana.

Nas Olimpíadas do Rio 2016, as competições acontecerão entre os dias 17 e 20 de agosto, da manhã até a noite. São duas categorias por dia, uma masculina e uma feminina, com as disputas de medalhas em todos os 4 dias de competição. A Coreia do Sul classificou 5 atletas (dos 8 possíveis, já que só é permitido um por país e por categoria) para essa competição: Kim Tae-hun, na categoria homens até 58kg, Lee Dae-hoon, entre homens até 68kg (ele foi prata em Londres 2012), Cha Dong-min, entre homens a cima de 80kg (ouro em Pequim 2008), Kim So-hui, entre as mulheres até 49kg e Oh Hye-ri, entre mulheres até 67kg.

Para quem se interessou em ver ao vivo, ainda tem tempo. Tem ingresso disponível para todos os dias e sessões na Arena Carioca 3, na Barra da Tijuca, com valores entre 70 e 420 reais. E para ver uma amostra do que está por vir, assista um trecho com os melhores momentos do Taekwondo nas últimas Olimpíadas:

https://www.youtube.com/watch?v=Ype8MavnJK8

Taekwondo em Londres 2012

Fontes: learnkoreanlanguage.com, worldtaekwondo.com, wikipedia, rio2016