ATUALIZAÇÃO: Coreia do Sul se torna exemplo na luta contra o Corona Vírus

Imagem: Agência Yonhap News

Governo sul-coreano já testou mais de 200 mil habitantes para o vírus, que já atinge mais de 7 mil pessoas



Após uma onda de contaminação que colocou a Coreia do Sul em 4º lugar dentre os países com maior número de casos, o país encaminha para a redução do número de novos casos de corona-19.
A estratégia coreana de combinar informações ao público, participação da população e campanha de testes de massa, teve como resultado uma baixíssima taxa de mortalidade. Apenas 60 pessoas foram vítimas fatais até o momento. Os parentes de todos os contaminados foram monitorados, para que se protegessem e a qualquer sinal de infecção, fossem prontamente atendidos. A Coreia do Sul fez mais testes que qualquer outros país, cerca de 10.000 por dia.


Após pouco mais de duas semanas o número de casos confirmados no país subiu para 7.513. Devido ao rápido aumento dos casos no país, o presidente Moon Jae-in decretou o alerta vermelho para doenças infecciosas. O alerta permite que o governo adote medidas de contenção do coronavírus, como a restrição da movimentação dentro das cidades afetadas, e o impedimento de eventos ou grandes aglomerados de pessoas. 

Sobre a propagação da doença, o representante do Partido da Coreia, Hong Ik-pyo, afirmou que: “A melhor forma de impedir a propagação do vírus é isolar totalmente as áreas afetadas, não fisicamente mas em função da quarentena”



O governo do País, junto com os esforços na manutenção da quarentena, está enviando suprimentos, como máscaras descartáveis, para que organizações públicas distribuam gratuitamente para a população. Essa medida visa auxiliar as pessoas em situação de vulnerabilidade pois, desde o início da propagação do vírus, o preço das máscaras aumentou muito no mercado, como o exemplo de uma loja online onde o preço por 100 máscaras descartáveis era 300 mil won (aproximadamente 1.100 reais).

*Atualização: Em meio à falta de suprimentos na Coreia, o governo chinês anunciou hoje (10/03) que vai enviar máscaras descartáveis e outros itens relativos ao covid-19 para a Coreia como uma forma de auxiliar na luta contra a propagação do vírus. O primeiro lote chegaria na quarta-feira, dia 11.


Mapa indicando os locais pelos quais passaram as pessoas confirmadamente infectadas.


Localização e grupos afetados


Na terça-feira (18/02) o governo designou Daegu e a província Gyeongsang do Norte como áreas especiais de controle de doenças infecciosas, se comprometendo a usar as medidas necessárias para conter a propagação do vírus. Atualmente 90% dos casos confirmados do covid-19 estão nesta região.

A cidade de Daegu está em destaque dentro das áreas de controle por conta dos casos relacionados à seita cristã Shincheonji. A província Gyeongsang do Norte é outro ponto de propagação, pois os casos confirmados na região estão concentrados em moradores de uma instituição em Yecheon e do Hospital Daenam em Cheongdo.

Em Daegu a ligação dos casos com a seita foi percebida quando dos 104 casos confirmados na semana inicial da contaminação, 43 tinham frequentado o mesmo evento da organização. O evento também foi frequentado por uma mulher de 61 anos que confirmada para o novo coronavírus na terça-feira anterior ao evento.

A seita Shincheonji é conhecida pelo seu secretismo e, mesmo tendo colaborado com as autoridades para identificar os membros presentes no último domingo, centenas deles não têm respondido às tentativas de contato. A resposta da população sul-coreana à essas notícias foi criar uma petição online para dissolver a organização, e na primeira semana já tinha mais de 550 mil assinaturas.

O autor da petição relata que a organização têm incentivado os membros a boicotarem as investigações e a quarentena imposta pelas autoridades. Sobre as alegações da petição, o governo anunciou que o Ministério da Justiça está examinando a situação e que, até o momento, não encontraram ilegalidades nas ações da seita.

Um dos infectados ligado à seita foi o diretor do Centro de Controle de Infecções de Daegu, que teve a suspeita confirmada no domingo, dia 23. Após a confirmação do caso, o diretor assumiu a ligação com a seita

Além dos membros da Shincheonji (73% dos casos), entre os infectados estão 13 soldados do exército sul coreano, após a confirmação dos casos o exército colocou outros 7.500 soldados em quarentena. Na manhã da terça-feira (25/02) foi confirmado que uma comissária de bordo da companhia Korean Air está entre os infectados pelo vírus. A empresa anunciou que a tripulação e o Centro de Operações de Incheon estão em quarentena.

Dos casos confirmados, 7.212 pessoas estão em quarentena, 247 pessoas foram liberadas após recuperação e 58 pessoas faleceram pelo vírus. Apesar dos números grandes, o crescimento do número de casos está no quarto dia consecutivo de queda.



Sobre o Coronavírus

O novo coronavírus (Covid-19) é uma variação da família de mesmo nome, que provoca doenças respiratórias leves e médias, com sintomas semelhantes ao resfriado comum como tosse, febre e dificuldade para respirar. Em alguns casos pode causar infecções respiratórias, como a pneumonia, e é transmitido pelo ar e por secreções contaminadas como a saliva. 

Os primeiros casos do novo coronavírus foram registrados em dezembro de 2019 em Wuhan, na China. Com o atraso no tempo de reação dos órgãos responsáveis o vírus se disseminou, tendo atualmente 79.571 casos da doença confirmados. Desse número mais de 25 mil pacientes tiveram uma recuperação completa e 2.630 pacientes não resistiram à doença.

Segundo laudo emitido pela Chinese CCDC avaliando mais de 72 mil casos, divulgado pelo Chinese Journal of Epidemiology em 17 de Fevereiro, os riscos de morte por infecção aumentam entre a população idosa ou com doenças cardiovasculares.


As pessoas acima dos 60 anos são as mais atingidas letalmente pela contaminação do COVID-19.

No Brasil

O primeiro caso de coronavírus no Brasil foi confirmado em plena quarta-feira de cinzas, em um homem de 61 anos que fez uma viagem recente para a Itália.

Essa semana foi anunciado que o número de casos passou para 34, a maior parte deles importados. Fora os casos confirmados existem outras 930 suspeitas que estão sendo acompanhadas.

Casos confirmados por Estado:

  • São Paulo: 19 Casos
  • Rio de Janeiro: 8 Casos
  • Goiás: 3 casos
  • Bahia: 2 Casos
  • Alagoas: 1 Caso
  • Espírito Santo: 1 Caso
  • Minas Gerais: 1 Caso
  • Distrito Federal: 1 Caso
  • Rio Grande do Sul: 1 Caso

A recomendação ao notar a presença dos sintomas é ligar para o Disque Saúde 136 ou procurar uma unidade de saúde.



Por Daniele Fernandes e Jeice Torres
Fontes: 1, 2, 34, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12
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