Igreja cristã é considerada responsável por novo surto de COVID na Coreia

A Coreia do Sul reportou 457 novos casos de corona vírus no país. As autoridades de saúde coreana revelam que, 315 dos infectados são membros da seita cristã Sarang Jeil, liderada pelo Reverendo Jun Kwang-hoon. Pelo menos 3400 membros da seita devem entrar em quarentena.



As autoridades de saúde fecharam a Igreja no distrito de Seongbuk em Seul na sexta-feira, após mais de uma dúzia de frequentadores testarem positivo. O primeiro caso desta igreja foi relatado na quarta-feira (12), e as autoridades sul-coreanas continuam a rastrear as pessoas que entraram em contato com os pacientes. De acordo com o Governo Metropolitano de Seul, foi confirmado que pelo menos 19 pessoas contraíram o vírus após terem contato com os participantes da Sarang Jeil.


Funcionários do governo vestindo roupas de proteção são vistos em um posto de controle temporário para restringir o acesso à Igreja Sarang Jeil em Seul, na Coreia do Sul, nesta segunda-feira (17) — Foto: Jung Yeon-Je/AFP

Jang Shi-hwa, uma especialista em controle de doenças no distrito de Gwangak, no sul de Seul, disse que o Reverendo Jun foi testado na manhã de segunda-feira (17) em um hospital da área, e o resultado foi positivo, porém o Reverendo não exibia nenhum sintoma. Rev. Jun foi visto sorrindo e falando ao celular, com a máscara puxada para baixo do queixo, ao embarcar em uma ambulância que o levou a um hospital diferente em Seul para tratamento isolado.


Reverendo Jun Kwang-hoon (foto é de Abril/2020)

COVID-19 e seitas cristãs

Segundo o artigo da StarTribune, as igrejas têm sido uma fonte constante de infecções, pois muitas não exigem o mínimo cuidado básico de saúde entre os fiéis, promovendo a socialização na hora do coro, refeições e muitos outros.

Trabalhadores de saúde até agora relacionaram 319 infecções à igreja de Jun depois de completar testes em cerca de 2.000 de seus 4.000 membros. A polícia está perseguindo cerca de 700 membros da igreja que permanecem fora de contato.


Culto de Sarang Jeil (Fonte: divulgação)

Kwon Jun-wook, diretor do Instituto Nacional de Saúde da Coreia do Sul, disse que surtos na Igreja Sarang Jeil e em outros lugares levaram o país à maior crise desde o surgimento do COVID-19. Ele disse que uma falha em retardar as transmissões na densamente povoada área metropolitana de Seul, onde vivem quase 26 milhões de pessoas, pode criar uma situação comparável às “cenas miseráveis ​​dos Estados Unidos ou de países europeus”.

O oficial de controle de quarentena da cidade de Seul, Park Yoo-mi, disse que quase 1.900 pessoas estão sujeitas a testes de diagnóstico em relação a este aglomerado. Park também expressou séria preocupação com o vírus se espalhando ainda mais à medida que a congregação da igreja se espalha por todo o país. As autoridades de saúde até agora testaram 2.500 dos 4.000 membros da igreja, mas afirmaram que muitas pessoas se recusaram a comparecer para o teste. A polícia está rastreando cerca de 800 membros da igreja que desapareceram ao serem solicitados para fazer o teste.

A atenção voltou para a Igreja Sarang Jeil por ser semelhante ao caso de fevereiro, onde a Coreia do Sul viveu seu maior surto de COVID-19 provocado – principalmente – pelos seguidores de uma seita cristã secreta em fevereiro. Durante esse surto , diariamente mais de 909 pessoas no país eram testadas positivas.

Leia mais: Igreja Shincheonji investigada por propagação da COVID-19 na Coreia do Sul


Política e Distanciamento Social

O aumento de casos de COVID-19 levou as autoridades no domingo a reimpor limites de distanciamento social mais rígidos na área metropolitana de Seul, onde estão os maiores números de infectados.

As autoridades estão preocupadas que a propagação do vírus possa piorar depois que milhares de manifestantes, incluindo o Reverendo Jun e membros de sua Igreja Sarang Jeil, marcharam no centro de Seul no sábado, contra as novas medidas de isolamento social.

Jun Kwang-hoon já mostrou ser contra diversos posicionamentos do governo atual. Segundo um artigo publicado em novembro de 2019 no site da New York Times, Jun é um Pastor muito conhecido pela política de direita coreana. Para Choe Sang-Hun, que escreve o artigo para a NYTimes: “a ascensão de Jun compartilha muitos aspectos com a onda de populismo de direita ocidental: um apelo ao patriotismo e ao nativismo; uma tendência para calúnias ideológicas e anti-imigrantes; uma invocação frequente de Deus e tradição; e o uso de fontes alternativas de notícias nas redes sociais para espalhar ressentimento e alimentar o medo de que o país esteja em risco de “colapso” ou de ser “varrido da face da Terra”.


Multidões reagem quando o Rev. Jun Kwang-hoon, à esquerda, junto com seu tradutor em inglês, faz um sermão este mês perto da Casa Azul, a casa presidencial, em Seul, Coreia do Sul. -NYTimes

Na última terça-feira, segundo a Wolrd Health Organization, a Coreia do Sul confirmou 297 novos casos, e com isso elevou o total de infectados, nos últimos cinco dias, para 959.

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