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Como trajes tradicionais diferenciavam as classes sociais na Coreia antiga

Como em outras culturas e sociedades, a roupa foi um importante instrumento de demonstração social e suas cores, formas, bordados e brocados diziam muito mais do que uma simples opção estética.

Assim também acontecia com o hanbok. A indumentária era a principal forma de vestimenta durante as antigas dinastias coreanas. Além de trazer conforto e proteção, era também um meio de entendimento sobre as classes. Era a partir da roupa que se sabia em que classe cada um pertencia.


[LEIA MAIS] O que é Hanbok? Conheça tudo sobre a roupa tradicional coreana



Cores e Brocados

Em muitos momentos da história, fosse durante o Reino Baekje (18 a.c – 660 d.C) ou no período da Dinastia Joseon (1392-1910), as cores representavam a que classe e status cada indivíduo pertencia.

Cores como amarelo, vermelho, azul ou violeta eram muitos usados pela alta sociedade; sendo o violeta e o vermelho cores usadas também para representar a realeza de cada era. Durante o Reino Baekje, por exemplo, o rei usava vestimenta violeta, calça de seda azul, cinto de couro branco, chapéu preto ou dourado e sapatos de couro preto.

Seus cortesãos distinguiam-se nas posições pelas cores que usavam nos cintos (roxo, vermelho ou azul). Durante o Reino de Silla (57 a.C. – 935 d.C.), além do roxo, azul e vermelho, o amarelo era também uma cor que diferenciava a categoria do cortesão.

Mulheres solteiras usavam jeogori (jaqueta) amarelo e chima (saia) vermelho antes do casamento para mostrar sua virgindade e as mulheres casadas verde e vermelho após o casamento e para quando prestavam homenagens aos sogros.


Exemplo das vestimentas de mulheres casadas (esquerda) e solteiras (direita).

Durante a Dinastia Joseon (1392-1910) os reis frequentemente usavam vermelho para ocasiões que iam desde tarefas diárias até a participação em cerimônias. As classes mais altas usavam hanboks feitos de rami (durante o verão), ou seda e cetim (no inverno).

Já as classes mais baixas usavam hanboks brancos para o uso diário e ficavam restritas ao cânhamo (no verão) e algodão (no inverno). Durante as festividades, eles usavam rosa claro, verde, cinza ou carvão.


À esquerda, um hanbok feito algodão (baixa sociedade) e à direita um de cetim (alta sociedade).

Os bordados também traziam significado e status para quem os usa-se. Peônias, por exemplo, era comumente usado nos vestidos de noiva, representando um desejo de honra e riqueza. Romãs e morcegos representavam um desejo por filhos; e dragões, fênix e tigres simbolizavam a realeza e funcionários de alto escalão.



Cabelos e acessórios

O penteado mais comum entre as mulheres, principalmente entre as solteiras, era conhecido como daengi-meori, onde o cabelo era trançado e preso com uma grande fita (daenggi). Mulheres casadas geralmente usavam jjokjin-meori, onde o cabelo era trazido para a nuca e amarrado em um coque preso por um grande alfinete (binyeo que podia ser feito de madeira, bronze, prata, ouro, jade, bambu ou ossos de animais), ou eonjeun-meori, que ao invés do coque ficar na parte de trás da cabeça, ele descansava no topo.

Era comum que usassem o cabelo real para deixar o coque mais cheio, mas era muito pesado e podia causar sérias lesões, por isso com o passar do tempo, passaram a usar uma peruca conhecida como gache.



Mulheres do alto escalão como rainhas e esposas e mães de reis, usavam um penteado conhecido como eoyeo-meori. O penteado consistia principalmente em perucas como darae, criando uma trança grossa e presas no topo da cabeça. Era também comum que as mulheres usassem um jangot (um tipo de roupa usada pelas mulheres como véu para cobrir o rosto).

Os homens costumavam usar diferentes tipos de chapéus conhecido como gat (utilizado principalmente por homens da alta sociedade). Samo era usado por oficiais civis e militares enquanto estavam em serviço (hoje em dia, noivos que escolhem casar em uma uma cerimônia de casamento tradicional, o noivo usa um samo.) Heukrip para membros da realeza, paeraengyi feito de bambu para plebeus, satgat para proteção do sol, neve e chuva e jeollip para militares (esse chapéu começou a ser usado na região noroeste da Coreia e se espalhou por todo o país após a Guerra de Imjin (1592–1598) e a Segunda invasão Manchu da Coreia (1636)).




Sapatos

Havia muitos tipos de sapatos usados ​​com hanboks tradicionais coreanos. O mais comum entre as mulheres era o koshin (sapatos de seda com bordados de flores), hye (sapatos de corte baixo semelhantes aos mocassins modernos) e dangunhye (feito de seda e decorado com seda colorida em forma de nuvens). Os tamancos de madeira chamados de namaksin – usados ​​para proteger os pés da lama – eram usados por todas as classes sociais durante as estações de chuva.

Os homens de classes altas usavam taesahye, um tipo de hye masculino feito de pele de animal com decoração em espiral e forrado em seda no interior. Os oficiais e acadêmicos usavam um hye chamado de heukhye (feitos de couro e lã) Eles eram geralmente na cor preta e um dos calçados mais comuns depois de jipshin (sandálias feitas de palha e eram usadas por plebeus, servos e pessoas que saiam para passeios.)

Entre os oficiais do governo, membros do tribunal, guardas e pessoas com um estilo de vida mais ativo era mais comum o uso de botas (mokhwa), feitas de couro ou veludo, geralmente na cor preta.



Trajes tradicionais da realeza e cerimoniais

Para cerimonias e para pessoas da realeza, havia um tipo próprio de vestimenta.

Entre as mulheres da realeza era usado o hwarot (um tipo de sobretudo usado por noivas), geralmente usado com uma hwagwan (coroa tradicional usada com trajes cerimoniais). Porém, em algumas outras ocasiões, o hwarot era também usado com uma ap-daenggi (um tipo de daenggi que é pareado e usado na frente), doturak-daenggi (um daenggi de seda mais largo pendurado na coroa nas costas), yongjam (um grampo de haste longa que possuía na ponta a cabeça de um dragão no final) e daedae (faixa de seda vermelha com padrão dourado usado ao redor da cintura e amarrado na parte de trás do hwarot).

O dourado, por exemplo, era usada pelas imperatrizes, vermelho pelas rainhas, magenta pelas princesas consortes e concubinas e verde pelas princesas e esposas dos homens de classes mais altas. Para os plebeus, a cor verde era reservada somente para casamentos.

Wonsam era um outro tipo de sobretudo, feito de seda e usado pela realeza, mulheres nobres e damas de alto status. Durante algumas cerimônias, os plebeus podiam usar wonsam, a cor, no entanto, era reservada para determinadas classes.


O dangui (tipo de vestimenta superior) era destinado as rainhas, princesas e damas da corte durante ocasiões cerimoniais. A única diferença entre o dangui da realeza e as damas da corte era o padrão dourado conhecido como geumbak (que só poderia ser usado pela realeza).

O rei fazia uso do  hongryongpo roupas do dia a dia decoradas com padrões dourados, era usado com um chapéu conhecido como ikseongwan (da qual uma forma de asas de cigarra são penduradas.”Ikseong” significa “asas de cigarra”) e gakdae (cinto); durante cerimônias, casamentos e outros grandes eventos, o rei também fazia uso de uma coroa. Os oficiais militares – e até mesmo o rei – usavam um cheollik (jaqueta com uma saia larga e rica, tem um forro interno semicircular no ombro).

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Imagens: Pinterest, Google Images, Google Arts and Culture e Ewha University Museum – Reprodução.
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Isabela Ávila

 Formada em moda, apaixonada por livro, filme, música e café nessa ordem.

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