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Saúde

“Cirurgia fantasma”, uma fraude que coloca pacientes sul-coreanos em risco

Cirurgia fantasma é a prática de contratar um médico para fazer uma cirurgia, mas um substituto realizar o procedimento quando o paciente está sob o efeito da anestesia. Mesmo ilegal, esta prática é bem popular na Coreia do Sul e também bem lucrativa para as clínicas, uma vez que médicos inexperientes, enfermeiros, dentistas ou até mesmo vendedores de equipamentos médicos podem realizar as cirurgias e ganhar experiência cobrando um valor inferior ao que seria cobrado por um profissional capacitado.



Em setembro de 2016, o estudante Kwon Dae-hee, de 24 anos, morreu após fazer um procedimento para afinar o queixo. O cirurgião responsável estava fazendo várias intervenções ao mesmo tempo e o jovem foi operado por um cirurgião-fantasma. As gravações da sala de cirurgia mostraram que o procedimento foi iniciado por um cirurgião e substituído por outra pessoa não-licenciada. Normalmente, procedimentos assim duram em torno de duas horas, mas a cirurgia de Kwon demorou mais de três horas e em um determinado momento o jovem foi deixado completamente sozinho, sem supervisão enquanto ainda estava sob o efeito de anestesia. Ele teve uma hemorragia e precisou ser transferido para um hospital na capital, onde morreu sete semanas depois.

O estudante Kwon Dae Hee, vítima de uma cirurgia fantasma.
Foto cedida pela família à CNN.

Apesar de ilícito, as cirurgias fantasmas continuam acontecendo de forma desenfreada porque as leis são fracas, a troca do médico pelo substituto ocorre quando o paciente está sob o efeito de sedativos. Para agravar a situação, a maioria das clínicas não tem câmeras nas salas de cirurgia, as famílias não tem como saber (ou provar) o que de fato ocorreu e o crime fica sem punição. A Real Meter (empresa que faz pesquisas de opinião pública na Coreia) ouviu 500 pessoas em 23 de julho de 2020 para saber a opinião das pessoas sobre o uso de câmeras no ambiente hospitalar. 73,8% dos entrevistados disseram preferir câmeras dentro das salas de cirurgia. Já 10,9% não concordaram, afirmando que as câmeras violariam os direitos de privacidade.

A família de Kwon abriu um processo civil contra a clínica onde ele foi operado e ganharam uma indenização no valor de 430 milhões de won coreanos (mais de R$2 milhões) por danos morais em maio de 2019. Os médicos e os enfermeiros envolvidos no caso, agora estão enfrentando acusações de homicídio doloso (quando há intenção de matar). Em maio de 2019, um projeto de lei recém-proposto, prevê que as cirurgias fantasmas estariam sujeitas a multa ou pena de prisão de até três anos. Antes deste período, os responsáveis não foram punidos pela prática. Mas mesmo que as cirurgias continuem a todo vapor, iniciativas civis estão chamando atenção para esse crime e colocando este assunto em discussão.

Propagandas de cirurgias plásticas.
Foto de Woohae Cho (Bloomberg)


O preço e o custo da busca pelo padrão de beleza

Com quase 1 milhão de cirurgias só no ano de 2018, a Coreia do Sul é conhecida mundialmente como a capital da cirurgia plástica. As três cirurgias mais populares no país são clareamento da pele, cirurgia de nariz e abertura dos olhos. Muitos adolescentes se sentem pressionados para parecerem perfeitos nas suas fotos que submetem para tentar empregos e recorrem a cirurgias plásticas. Os procedimentos para modelagem do rosto se tornaram muito comuns em toda a Ásia e foram ainda mais popularizados pelo k-pop.

Sabemos que os idols trabalham com a imagem e sofrem muito com a pressão estética, mas até os anônimos sofrem quando são criticados por apenas tentarem ser quem são. Algo que todos nós como sociedade temos que refletir é sobre o pano de fundo deste problema: qual o preço que estamos dispostos a pagar para ser parte de uma utopia de beleza homogênea. Ter um rosto perfeito? Porque temos que ter um rosto perfeito? A perfeição existe? Precisamos repensar o padrão de beleza e aprender a amar nossos defeitos e cicatrizes, todos nós temos e eles fazem parte da nossa história. A cirurgia plástica, ou qualquer tentativa para melhorar nosso corpo ou aparência deve ser apenas uma escolha pessoal e não uma busca vazia.

Toda a controvérsia que cerca a imagem dos idols foi retratada no MV do grupo Sixbomb. Becoming Prettier (ou “ficando mais bonita”, em tradução livre) começa mostrando uma rotina normal de gravações, mas depois acompanha as integrantes em uma visita à uma clínica de cirurgia plástica e, por último, o resultado dos procedimentos. A polêmica parece não ter agradado o público e o vídeo conta com quase a mesma quantidade de curtidas e descurtidas no YouTube.

Confira:

Fontes: (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7), (8)
Imagens: Banco de imagens, Lee Na Geum via CNN, Governo Provincial de Gyeonggi, Woohae Cho (Bloomberg) – reprodução.
Não retirar sem os devidos créditos.

Beulla Silva

Mineira, jornalista, Libriana no mundo da Lua que é viciada em GOT7, Monsta X, gatos, K-Drama, café e culinária coreana!!

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