Saúde

Estudante coreano morre após ter atendimento negado por suspeita de infecção por COVID-19

Um estudante do ensino médio – identificado apenas como Park para preservar sua identidade – faleceu após médicos se recusarem a atendê-lo e enviá-lo a um hospital sob suspeita de COVID-19.



Park morava em uma zona rural e foi a um pronto-socorro relatando uma febre de 41ºC. Porém, os médicos suspeitaram que ele estivesse com COVID-19 e se recusaram a deixá-lo entrar. Ele e seus pais foram instruídos a irem para um hospital em Seul que fosse designado ao tratamento de COVID-19.

A família dirigiu por mais de 3 horas até chegar à capital e o adolescente foi levado a um hospital universitário. Park foi testado para o coronavírus e deu negativo. Ele chegou a dar entrada no hospital, mas faleceu horas depois de pneumonia.

O caso gerou revolta na população local, que questionou os métodos hospitalares do pronto-socorro da cidade. Em meio à pandemia, os hospitais sul-coreanos estão expondo vidas de pacientes que não possuem o COVID-19 a riscos ainda maiores. A falta de preparo e o medo que o COVID-19 está causando no país tem gerado casos de negligência hospitalar graves.

O professor Kim Chan-woong, do Hospital Universitário de Chung-Ang, comentou sobre o fato dizendo: “Para oferecer um tratamento de emergência seguro e rápido, separamos preventivamente os pacientes em grupos para determinar a gravidade, bem como se eles estão infectados com COVID-19. Os pacientes de emergência confirmados para terem COVID-19 ou que apresentam febre e respiração os sintomas são examinados em uma área segregada, para que outros pacientes de emergência recebam o tratamento adequado“.

O professor ainda acrescentou que, para evitar transtornos, antes de ir ao pronto-socorro, pode-se ligar para o número de emergência (119) e dar informações sobre os sintomas. Assim, cada paciente poderá ser encaminhado para o pronto-socorro será mais adequado.

Porém, muitos sul-coreanos estão evitando a ida a hospitais por medo de uma infecção do coronavírus e, quando vão a um hospital pequeno, com sintomas parecidos, recebem instruções para ir em hospitais designados pelo governo para o tratamento da COVID-19 assim como aconteceu com Park.

Uma pesquisa do Prof. Kang Soo, do Inha University Hospital em Incheon, apontou que o número de pessoas que foi ao pronto-socorro durante a pandemia teve uma queda drástica se comparado aos anos de 2018 e 2019. Porém, a taxa de mortalidade de pacientes que sofriam de ataques cardíacos foi superior a 6% em 2020, significativamente maior do que a taxa média de mortalidade de 4,03% nos mesmos anos.

Tais números indicam uma falta de preparo em relação ao diagnóstico e que, muitas vezes, esta negligência hospitalar tem causado mortes de pacientes que deveriam ser tratados imediatamente, como foi o caso do estudante Park

Fonte: (1)
Imagem: Getty images
Ana Raíssa da Luz
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Ana Raíssa Luz

22 anos, mineira, professora de música (graduando em licenciatura em educação musical escolar) faço pesquisas na área de neurociência e sou army.
Vivo uma eterna paixão pela Coréia.

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