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Política

China promete banir shows de talento, celebridades de entretenimento e idols considerados “afeminados”

Após uma série de escândalos envolvendo celebridades, a Administração Nacional de Rádio e Televisão, órgão chinês responsável por regular as mídias do país, anunciou uma lista de oito itens a serem banidos de suas transmissões. O desmonte de partes de uma indústria lucrativa deverá atingir até mesmo os programas de seleção de novos idols musicais.



A lista completa, divulgada na última quinta (02), lê-se:

  1. Boicotar pessoas ilegais ou imorais. Ao selecionar apresentadores e convidados, rádios, televisões e plataformas de internet não devem empregar pessoas que sigam posições políticas incorretas, burlam a lei e regulamentos, ou falem contra a ordem ou moral pública.
  2. Boicotar padrões focados “apenas em audiência”. Programas de seleção de idols não poderão ser exibidos, bem como programas mostrando filhos de celebridade. Programas devem controlar votações de forma rigorosa, não se deverá induzir ou encorajar fãs a comprar inscrições em fã clubes para votar em seus idols.
  3. Boicotar a tendência de entretenimento exagerado; promover cultura tradicional; estabelecer um padrão de beleza correto; boicotar “idols afeminados”; boicotar celebridades de internet com fortunas exorbitantes, de fofoca ou vulgares.
  4. Boicotar pagamentos altos na indústria do entretenimento. Regular rigorosamente os pagamentos de convidados, encorajar celebridades a participarem de shows de caridade; punir contratos falsos e evasão fiscal.
  5. Regularizar as equipes que trabalham nos bastidores e produção. Reforçar apresentadores de TV licenciados, fornecer treinamento profissional e moral. Celebridades não devem usar sua profissão e fama para obter lucros.
  6. Promover comentários profissionais na indústria do entretenimento; insistir nos alinhamentos e valores políticos corretos; criticar os valores falsos, feios e maldosos.
  7. Associações de entretenimento devem fornecer mais treinamento e estabelecer mecanismos para a regularização industrial, bem como criticar maus exemplos.
  8. Reguladores precisam ser mais responsáveis, ouvir as pessoas e responder às suas preocupações, encher o espaço público com programas positivos e famosos.


Celebridades na lista negra

Um dos principais motivos que levaram o órgão a redigir a lista pode ter sido o crescente número de escândalos envolvendo celebridades chinesas. Um dos casos que mais chamou atenção nos últimos meses foi o de Kris Wu, que foi preso acusado de estupro, outros famosos foram punidos, multados ou censurados por diversos motivos. Um dos casos mais recentes foi o da bilionária atriz Zhao Wei, que foi parar na lista negra do governo e teve quase todo seu trabalho deletado das plataformas de streaming sem nenhuma explicação.

O ator Zhang Zhehan, cuja carreira é administrada por uma das empresas de Zhao, também foi para a lista após tirar uma foto no Santuário Yasukuni durante uma viagem ao Japão. O santuário é dedicado aos soldados japoneses, mas entre os seus homenageados estão criminosos de guerra condenados. As fotos foram tiradas em 2018 e até hoje continuam gerando polêmicas para o ator.

A também atriz Zheng Shuang, uma das mais populares do país, foi banida de trabalhar no início do ano após ser envolvida em um escândalo de barriga de aluguel. Mês passado, ela também foi condenada a pagar uma multa de 299 milhões de renminbi (mais de 240 milhões de reais) por evasão fiscal.



O cerco à cultura pop

A polêmica do artigo 3, que pede boicote aos idols que não seguem o padrão “macho” característico na cultura chinesa, carrega consigo um risco até mesmo para pessoas anônimas. Para o órgão regulador, as críticas são principalmente devido ao fato dos famosos usarem maquiagem e roupas de marcas caras. Porém, isso pode trazer consequências, por exemplo, para pessoas não binárias ou travestis. Ah Qiang, que trabalha em uma ONG que ajuda pessoas LGBTQIA+, conta: “A expressão de gênero de uma pessoa não tem ligação com seu talento, caráter e se eles são ou não patriotas ou se contribuem para a sociedade. Esta discriminação contra aqueles que têm uma expressão mais neutra ou mais feminina é um conflito entre um padrão de beleza retrógrado e individualização na sociedade moderna“.

Outro ponto evidente é a tentativa de se acabar com a cultura de fandom. Nos últimos anos, os artistas hallyu têm enfrentado dificuldades de promover na China após o país o boicote causado pela suspensão do THAAD. Por causa disso, alguns idols chineses que promoviam na Coreia resolveram focar suas promoções individuais em seu país natal para evitar atritos com fãs.

Fonte: (1), (2)
Imagem: Idol Producer (reprodução)
Não retirar sem os devidos créditos.

Greyce Oliveira

Cearense de Fortaleza, é metade uma humana normal professora de Inglês e metade ELF(a) precisando (talvez) de tratamento para parar de falar no Super Junior toda hora.

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