Sua principal fonte de cultura coreana e conteúdo exclusivo sobre KPOP.

Entretenimento K-pop Música

Como a tecnologia está mudando o mundo do entretenimento asiático

Com o avanço da tecnologia, diversos elementos do cotidiano humano se modificaram e um dos mais notáveis foi a forma com que o mundo do entretenimento se transformou ao redor do mundo. Com um vasto universo de possibilidades tecnológicas, que vão desde simples efeitos em clipes e performances até criar imagens, vozes e características humanas virtualmente, hoje se tornou possível transformar um “simples” design digital em uma grande estrela mundial, que consegue captar a atenção do público e acumular uma grande comunidade de fãs e seguidores.



Esta situação é cada vez mais frequente em nível mundial, principalmente na indústria artística asiática, que conta com diferentes tipos de artistas digitais em seu repertório. Entre vocaloides (softwares que permitem sintetizar músicas para a criação de cantores digitais, sem a necessidade de uma voz humana), influenciadores e idols completamente virtuais, hoje em dia conseguimos facilmente encontrar artistas que são feitos completamente em computadores.

Com a promessa de serem exemplos perfeitos para os seus admiradores, eles juram ser influências impecáveis, isentos de qualquer tipo de erro. Com a possibilidade de estarem sempre disponíveis, não enfrentarem problemas humanos (como o cansaço), não se envolverem em polêmicas e com o poder de se adaptar a qualquer situação, eles foram criados com um único objetivo: agradar o público. 

Quer saber um pouco mais sobre a história dessa revolução tecnológica que vem transformando gradativamente o entretenimento mundial? Separamos alguns dos maiores, e mais importantes, artistas digitais para você conhecer e ficar por dentro deste novo universo que se inclui cada dia mais em nossas vidas.


Kyoko Date

Créditos: Horipro

Em 1996 foi lançada a primeira grande idol virtual, Kyoko Date. Criada pela Visual Science Laboratory e tratada como artista pela agência japonesa Horipro, Kyoko foi desenvolvida com o objetivo de ser uma artista que poderia aparecer em qualquer lugar e em qualquer hora, sem nenhum tipo de restrições como fuso horário ou agendas cheias, além não ter chance de adoecer ou se envolver em escândalos, sendo a definição de artista perfeita. 

Com a voz de outras artistas da empresa, danças criadas por dançarinos estadunidenses e animações feitas por diferentes tipos de tecnologia, Kyoko se apresentava na TV e no rádio, lançava CDs e era considerada o futuro da indústria do entretenimento.

Contudo, mesmo com uma grande atenção global, a idol virtual não obteve sucesso. A falta de naturalidade em seus movimentos, a criação de outras idols virtuais que tinham ligação com obras já famosas (como jogos) e falta de promoções adequadas são pontos considerados contribuintes para a falta de sucesso do projeto. 


Hatsune Miku

Créditos: Crypton Future Media

Até hoje Hatsune Miku é conhecida como uma das cantoras digitais mais famosas do mundo. Criada pela empresa japonesa Crypton Future Media com o intuito de testar os softwares sintetizadores digitais “vocaloid” para criação musical, Miku foi lançada em 2007 como uma cantora de 16 anos com um visual marcante, incluindo seu famoso penteado com duas “maria-chiquinhas” azul-turquesa, e logo virou uma febre mundial. 

Dona de uma voz totalmente gerada por computadores, seu nome significa “o primeiro som do futuro”, o que era exatamente a ideia que a empresa decidiu dar para a cantora: a criação de um novo formato da indústria musical. Diferente das propostas anteriores, Miku não é uma criação virtual tentando ser um humano, ela simplesmente usa de sua irrealidade como um dos seus pontos mais fortes e característicos. 

Com a novidade de uma artista que se conectava ao público de uma maneira nova e tecnológica, não demorou muito para que Miku tivesse a oportunidade de começar a interagir com seus fãs. Em 2009, ela teve seu primeiro show, onde se apresentou em forma de holograma. Após isso, o impacto de Hatsune Miku no mundo do entretenimento foi tão grande que ela começou a se apresentar com outros artistas.

Entre cantar com Pharrell Williams, abrir os shows da Lady Gaga e até mesmo ser convidada para se apresentar no Coachella de 2020 (um dos maiores festivais de música do mundo), Miku se tornou um ícone do pop mundial. 


Luo Tianyi

Créditos: Shanghai Henian IT

Após o imenso sucesso da cultura vocaloid japonesa, a China resolveu se inspirar na moda e criar sua primeira idol virtual em 2012, Luo Tianyi. Desenvolvida pela Shanghai Henian Information Technology, Tianyi representa uma garota de 15 anos que veio de outro mundo e espalha música e amor ao redor da Terra. Ela também conta com um visual bem caraterístico, incluindo seus cabelos cinzas e olhos verdes.

Desde o começo a cantora digital chamava a atenção de todos ao seu redor. Com a premissa de ser uma garota com bons modos, empatia, força de vontade, determinação e um bom coração, ela é vista como um modelo perfeito para os fãs, principalmente para os mais jovens.

Essa imagem de menina perfeita reflete diretamente em seus números de audiência, e seu maior público é listado como nascido depois de 2000. Isso se deve ao incentivo da população nacional para os jovens seguirem a idol, já que ela é a personificação de um exemplo de comportamento e personalidade para o país. 

Provando ser um sucesso gigantesco, em 2021, Luo já conta com mais de 5 milhões de seguidores no Weibo (maior rede social na China), aparece em comerciais de grandes marcas, como KFC, canta com grandes artistas chineses e consegue shows com ingressos completamente esgotados em segundos. Além disso, a idol conta com uma diversidade de álbuns musicais, jogos on-line e produtos em seu nome. 


Aimi Eguchi

Créditos: AKB48

Após o sucesso de Hatsune Miku no Japão e Tianyi na China, muitas empresas viram o potencial em idols virtuais. Visando principalmente o poder de controlá-los completamente, evitando comportamentos que possam se tornar polêmicos ou prejudiciais à imagem da empresa, diversas agências começaram a investir em seus próprios artistas digitais, e uma delas foi a dona da famosa franquia de grupos AKB48, que se localizava em Akihabara, no Japão. 

AKB48 é um grupo rotativo, baseado em um sistema de graduação, onde o conceito principal é ter um grupo de garotas que têm seu próprio teatro e se apresenta todos os dias nele, se tornando acessível para o público e parte do cotidiano dos fãs. O grupo fez tanto sucesso que originou uma espécie de franquia ao redor do mundo, com “grupos irmãos”, onde cada um se apresenta em sua própria cidade, como o JKT48, de Jacarta, ou o BNK48, em Bangkok.

Em 2011, Aimi Eguchi foi apresentada como uma nova integrante (humana) do grupo AKB48. Em seu perfil, ela aparecia como uma garota normal de 16 anos, nascida em Tóquio. Depois de anunciada como parte do girl group, a cantora ganhou uma fama imensa por sua beleza e foi convidada para aparecer em revistas e comerciais, chamando cada vez mais atenção do público.

Porém, depois das primeiras aparições de Aimi, os fãs começaram a suspeitar que havia alguma coisa estranha com a jovem artista. Após rumores e exigências de uma explicação para o caso, a empresa finalmente revelou que Eguchi Aimi era uma idol virtual, criada por CGI e desenvolvida com fotos de partes de outras integrantes do grupo que também chamavam atenção por sua beleza. A notícia enfureceu os fãs e Aimi foi substituída nas performances ao vivo até se graduar do grupo em 2013.


K/DA

Mesmo contando com resistência de parte do público que ainda não havia se acostumado totalmente com o novo formato dos artistas digitais, o interesse nessas inovações no mundo do entretenimento cresceu significativamente ao longo dos anos.

Com a popularização dos e-sports, em conjunto a já conhecida fama dos animes, personagens característicos de jogos e produções televisivas foram tomando cada vez mais espaço na mídia e no coração dos fãs. 

Dentre essas produções, temos como um dos maiores destaques o jogo on-line League of Legends (LOL). Desenvolvido pela Riot Games, o jogo se tornou um fenômeno mundial, alcançando títulos impressionantes, como o jogo de computador mais jogado do mundo, e até mesmo evoluindo para uma profissão própria, com direito a campeonatos mundiais com prêmios em dinheiro. 

No meio de toda essa fama, em 2018, a Riot Games resolveu dar um passo a mais com o jogo. Durante o Campeonato Mundial de League of Legends 2018, em Incheon, na Coreia do Sul, a empresa apresentou sua mais nova criação: o girl group virtual K/DA.

Evelynn, Kai’Sa, Ahri e Akali são skins (personagens) famosas no jogo e, juntas, também integram o quarteto K/DA. Com as vozes das cantoras Madison Beer, Jaira Burns e as integrantes do girl group sul-coreano (G)I-DLE, Miyeon e Soyeon, as personagens já são donas de hits como Pop/Stars, More e The Baddest

Nas apresentações ao vivo, o grupo virtual se apresenta ao lado de suas cantoras reais. Enquanto Madison, Jaira, Miyeon e Soyeon cantam no palco, Evelynn, Kai’Sa, Ahri e Akali dublam e dançam ao lado delas em um formato de realidade aumentada. Além disso, elas também se aproveitam de poderes não-humanos, inserindo elementos lúdicos que contribuem visualmente em suas performances, como voar pelo palco.

Alcançando o topo das paradas de música ao redor do mundo, o K/DA conseguiu se conectar, mesmo que virtualmente, com o público de dentro e fora do fandom de LOL, mostrando o enorme potencial dos novos grupos virtuais e acrescentando ainda mais à contínua fama de League of Legends.

Leia mais:
Conheça os jogadores sul-coreanos que competem em equipes brasileiras de e-sport

[ENTREVISTA] Jogadores sul-coreanos compartilham experiências atuando em time brasileiro no Campeonato de LOL (CBLOL)


aespa

Créditos: SM Entertainment

Sendo um dos maiores girl groups da nova geração do k-pop, o aespa é um grupo que debutou pela SM Entertainment em 2020 e representa a junção do mundo real com o mundo virtual, demonstrado através de personagens criados por Inteligência Artificial. Parece complicado entender, mas é mais simples do que se imagina. O grupo é composto pelas integrantes Karina, Giselle, NingNing e Winter e por seus avatares virtuais, æ-Karina, æ-Gisele, æ-NingNing e æ-Winter, transcendendo os limites entre o universo humano e o tecnológico.

A ideia principal do grupo é ser uma experiência completa para o público, trazendo não só os elementos musicais, como álbuns, performances e videoclipes, mas também uma história significativa por trás. Os membros reais e virtuais conseguem se comunicar através de um mundo intermediário, também digital, criando conexões entre si e virando verdadeiras amigas (e até mesmo lutando contra vilões juntas).

Assim, o girl group se tornou a primeira peça do SM Culture Universe (SMCU), um universo ficcional criado pela SM Entertainment, que mistura narrativas próprias, tecnologia e música. Outros grupos da empresa, como EXO e NCT, também já foram cotados para se tornarem oficialmente parte do SMCU durante os próximos anos, inserindo tais características tecnológicas interligadas com outros grupos em seu conceito. 

Em uma conferência de imprensa, a líder Karina revelou que as membros virtuais foram criadas baseadas nas informações das integrantes reais, mas que mesmo assim elas são pessoas completamente diferentes e cada uma tem sua própria personalidade e pontos carismáticos. Por mais que elas sejam iguais, cada uma das 8 integrantes do aespa tem seu estilo único.


Leia mais: ÆSPA: Conheça o novo girlgroup da SM Entertainment


APOKI

Créditos: APOKI via Twitter

APOKI é uma idol virtual sul-coreana que se intitula como uma “coelhinha de outro planeta”. Mostrando suas habilidades na dança, canto, e performance, APOKI é vista como uma artista virtual impecável e, por isso, vem ganhando cada vez mais espaço no coração do público. 

Sob a empresa VV Entertainment, ela começou como youtuber e influenciadora digital, lançando covers majoritariamente focados em seus incríveis vocais. Após chamar atenção pelo seu talento e conceito, a coelhinha espacial fez seu debut oficial em fevereiro de 2021, com a música GET IT OUT.

Como uma artista cheia de energia, a idol tem o objetivo principal de espalhar positividade por todo planeta que ela diz ter adotado como uma nova casa. Além disso, em suas diversas entrevistas, APOKI não tem medo de expressar seus pensamentos sobre a ideia do novo “entretenimento virtual” em que se insere. Ela pontua que acha mais fácil pessoas mais novas entenderem o conceito, já que cresceram com animações 3D e essa ideia de tecnologia mais presente no cotidiano, mas que tem certeza de que a popularidade dos idols não-humanos vai aumentar cada vez mais. E ela faz questão de mostrar seu melhor para que todos possam ver o quão incrível é esse universo.

APOKI também diz acreditar que um dia haverá avanços tecnológicos suficientes para os idols virtuais poderem interagir fisicamente com os fãs, com apertos de mãos ou, até mesmo, abraços. Até lá, as possibilidades de acompanhar esses artistas continuam infinitas, com plataformas digitais, redes sociais, entrevistas e milhares de conteúdos diários lançados por cada um deles.


ETERNITY

Créditos: Pulse9

Se arriscando totalmente com o novo modelo musical tecnológico, a empresa Pulse9 debutou o girl group Eternity em março de 2021. O grupo é formado por 11 integrantes: Seoa, Sujin, Minji, Jaein, Hyejin, Dain, Chorong, Jiwoo, Yeoreum, Sarang e Yejin, todas criadas totalmente através de softwares de Inteligência Artificial. Com um tom até mesmo irônico, sua música de estreia se chama I’m Real, traduzido em português como “Eu sou real”.

O grupo tem um conceito fofo e cada membro tem uma personalidade e um estilo específico e único, prometendo tornar o grupo diverso e encantador. Além do girl group completo, elas também irão trabalhar em units, solos e em atividades externas, como comerciais, entrevistas e ensaios fotográficos.


ROZY

Créditos: Esteem

Em abril de 2021, ROZY foi oficialmente divulgada como a primeira influenciadora digital sul-coreana, criada e assessorada pela Esteem em conjunto com a Sidus Studio

A iniciativa veio após o crescente sucesso dos artistas digitais, não só na Ásia, como também pelo mundo todo. ROZY foi desenvolvida para se tornar uma grande influenciadora mundial, seguindo os passos de idols digitais asiáticos e se inspirando principalmente no sucesso de uma das maiores influencers virtuais do mundo, a “meia brasileira” Miquela, que já acumula mais de 3 milhões de seguidores no Instagram, além de sua fanbase sólida e fiel. 

Seu primeiro trabalho foi uma sessão de fotos para a revista W Korea, onde ela posou com a conhecida modelo Irene Kim. Hoje, meses depois de seu lançamento, ROZY já conta com mais de 100 mil seguidores em suas redes sociais.


Reflexões causadas após a inserção da tecnologia no entretenimento

Com mudanças acontecendo desde 1990, a indústria do entretenimento asiático traz cada vez mais elementos tecnológicos para dentro de seu universo. Comparado com casos antigos como o de Aimi Eguchi, hoje o público possui maior facilidade em aceitar personalidades famosas que não existem de fato. Contudo, quanto mais lançamentos de idols virtuais são feitos, mais se reflete sobre qual será o limite ideal para a inserção dessa irrealidade na vida humana. 

O conceito de controlar um artista por inteiro pode agradar uma empresa, ou até mesmo certos fãs, já que se consegue colocar a total certeza de que essa figura não irá sair do caminho proposto inicialmente, sem se envolver em polêmicas e causar quaisquer tipos de preocupações ao seu redor, evitando se tornar uma má influência ao seu público. Contudo, há uma questão que é abordada com cada vez mais frequência: é mesmo necessário criar figuras perfeitas irreais ao invés de apenas considerar e confiar no talento e esforço humano?

Mesmo que haja possibilidade de erros no caminho, a conexão que uma pessoa consegue ter com o seu público é indescritível e, às vezes, certas falhas vindas de grandes artistas mostram ao mundo que está tudo bem errar, que ninguém é perfeito e que sempre há chance de crescer com as suas próprias imperfeições. 

Outra discussão frequentemente levantada, conectada com a anterior, é a demonstração da perfeição sendo inserida na mente dos fãs frequentemente, principalmente de jovens e crianças, criando padrões estéticos e comportamentais ainda mais inacessíveis. 

Sendo assim, ainda há uma linha tênue entre as opiniões sobre como o mundo virtual se comporta atualmente na indústria. Consegue-se ver que o acréscimo da tecnologia ao mundo do entretenimento trouxe diversas inovações inesperadas, causando uma expansão de possibilidades para este universo. Com novos elementos, caminhos e oportunidades, há uma expectativa de que essa junção ficará cada vez melhor aos olhos do público, dando a chance de experiências novas e interativas jamais vistas antes. Mas, deve-se também ter o cuidado para descobrir os limites de cada geração e tentar não ultrapassá-los, levando em consideração pontos que influenciam diretamente, e indiretamente, na sociedade como um todo.

Fonte: (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7), (8), (9), (10), (11)
Imagens: Horipro, Crypton Future Media, Shanghai Henian IT, AKB48, Riot Games, SM Entertainment, VV Entertainment, Pulse9, Esteem (reprodução)
Não retirar sem os devidos créditos.

Thainá Doble

Estudante de Rádio e TV, apaixonada por mundo pop, música, entretenimento, culturas novas (e Monsta X).

[EXCLUSIVO] Grupo de k-pop SUPER JUNIOR negocia turnê no Brasil Dramas Coreanos com mais de uma temporada Empresas de KPOP investem em NFTs Girls Planet 999: Conheça o grupo Kep1er Programas Coreanos no Youtube