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Política

Homem flagrado voltando para a Coreia do Norte enfrentava dificuldades financeiras no Sul

Após divulgar que uma pessoa havia sido flagrada cruzando a zona desmilitarizada, a chamada DMZ, e adentrando o território da Coreia do Norte, autoridades sul-coreanas abriram uma investigação para saber quem era a pessoa.

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Ainda na segunda (3), o Ministério da Defesa sul-coreano lançou uma nota revelando os primeiros detalhes sobre a identidade do suspeito. Trata-se de um desertor da Coreia do Norte que usou de suas habilidades como ginasta para cruzar as cercas da DMZ e entrar na Coreia do Sul pela mesma área em novembro de 2020. A identidade do suspeito não foi revelada, mas sabe-se que ele está na faixa dos 30 anos. A nota ainda revela que o desertor rastejou sob as cercas de arame farpado para chegar ao Sul.

O desertor estava morando na Coreia do Sul desde que entrou no país. A travessia que fez no sábado foi, portanto, sua volta para seu país de origem. Com isso, ele agora faz parte de uma lista de cerca de 30 pessoas que retornaram ao Norte após tentarem a vida no Sul na última década. Casos assim são chamados de “desertores duplos”.

Uma fonte militar sul-coreana confirmou que o homem trabalhava como faxineiro e aparentava estar passando por sérias dificuldades financeiras. Além disso, afirmou que não há razões para suspeitar que ele fosse um espião norte-coreano e que um inquérito foi aberto para investigar como o desertor conseguiu atravessar a DMZ mesmo tendo sido registrado pelas câmeras de segurança da área.

Uma outra fonte ligada ao Ministério da Unificação, que trata dos assuntos de fronteira, informou que o desertor recebia um auxílio do governo para suas despesas de segurança, moradia, tratamento médico e empregatícios desde que chegou ao país. Na véspera do dia da sua fuga, ele foi visto se desfazendo de seus pertences pessoais.

Um vizinho do desertor contou ao Yonhap: “Ele jogou um colchão e uma cama no lixo de entulho naquela manhã e foi estranho porque eram coisas novas. Pensei em pedir a ele que nos desse, mas não o fiz porque nunca nem dissemos oi um para o outro“.

Apesar do apoio do governo, atitudes como a do homem levantaram discussões sobre como desertores são tratados no país. Muitos deles enfrentam discriminação na hora de conseguir um emprego e até mesmo para estudar.



A vida dos desertores norte-coreanos no Sul

Desde a década de 1990, mais de 33 mil desertores norte-coreanos entraram na Coreia do Sul. A maioria veio pela China ou pelo sudeste asiático.

Alguns até chegam a se tornar bem-sucedidos, como foi o caso de Ji Seong-ho que agora é membro da Assembleia sul-coreana. Porém, estimativas apontam que cerca de 56% dos desertores são categorizados como sendo de baixa renda. Destes, 25% estão na faixa mais baixa, tornando-os aptos para receber auxílios governamentais.

Uma pesquisa divulgada mês passado pelo Centro de Dados pelos Direitos Humanos de Norte-coreanos, 18% dos 407 desertores entrevistados declararam que gostariam de voltar para o Norte. A maioria citava saudades do seu país de origem como motivo principal para isso.

De acordo com uma fonte do Ministério da Unificação: “Existe uma série de fatores, incluindo saudade da família deixada no Norte e dificuldades emocionais e econômicas que surgem durante a reinstalação. O governo tem feito esforços contínuos para melhorar nossos programas de apoio para ajudá-los a se reinstalarem melhor no Sul“.



Reforço na fronteira

A travessia também abriu uma alerta entre as autoridades militares sobre a urgência de reforçar a fronteira. Quando o suspeito fez este trajeto pela primeira vez, ele só foi detido 14 horas depois cruzar a fronteira. No caso deste sábado, a presença dele passou despercebida por quase 3 horas após as câmeras de segurança gravarem suas imagens escalando uma cerca e ativando sensores de movimento.

As tropas sul-coreanas saíram em busca do suspeito às 21:20, mas não conseguiram impedir que ele passasse novamente para a Coreia do Norte às 22:40.

Em junho, o país anunciou que acelerou a aquisição de robôs e sistema de vídeo e áudio com inteligência artificial para reforçar a segurança na fronteira.

Fonte: (1), (2)
Imagem: Park Jung Woo
Não retirar sem os devidos créditos.

Greyce Oliveira

Cearense de Fortaleza, é metade uma humana normal professora de Inglês e metade ELF(a) precisando (talvez) de tratamento para parar de falar no Super Junior toda hora.

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