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Sociedade

Estudantes afegãos são alvos de protestos em escola em Ulsan

A volta às aulas na Coreia do Sul ocorre no mês de março. Na cidade de Ulsan, a Escola de Ensino Fundamental Seoboo receberá entre seus alunos 25 crianças afegãs que receberam refúgio no país após a tomada do poder pelo Talibã. O fato vem causando reclamações da população local.


A mãe de um aluno da Seoboo, que se identificou apenas como Sra. Park, contou que está pensando até em se mudar da região onde mora: “Os refugiados muçulmanos do Afeganistão estão morando juntos em um prédio perto de onde meu filho estuda. Não quero expor meu filho ao perigo“.

A Sr. Park se diz preocupada que os novos alunos possam atrapalhar a atmosfera de aprendizagem: “É difícil para crianças afegãs, que acabaram de chegar na Coreia, se comunicarem de forma apropriada com os alunos e professores coreanos. Às vezes, isso pode atrapalhar o ambiente de aprendizagem. Eles precisam de um tempo em instituições acadêmicas para não-coreanos para se acostumarem com a língua e cultura coreana“.

As 25 crianças pertencem à 29 famílias que se instalaram na região próxima da escola após a fuga do país natal. Todas foram destinadas à Seoboo porque a distribuição dos alunos é baseada de acordo com o endereço dos mesmos. Além delas, há também outras 17 crianças que iniciarão o Fundamental 2 no país e 22 adolescentes que farão o Ensino Médio.

Um total de 157 refugiados estão agora morando em Ulsan. Eles estão entre 391 que foram classificados pelo governo sul-coreano como “contribuintes especiais” e receberam refúgio no país. O grupo inclui profissionais da saúde, treinadores vocacionais, profissionais de TI e intérpretes que trabalhavam pra Embaixada coreana em Kabul e em órgãos humanitários.

O grupo de refugiados foi distribuído em diferentes regiões pelo país, bem como as crianças em idade escolar que foram destinadas às instituições de ensino. Porém, o grupo de 25 crianças na Seoboo é, de longe, o maior em uma mesma instituição. O fato foi um dos estopins para protestos por parte dos pais de alunos da escola.

Na última sexta (18), um grupo deles se reuniu na escola com lanternas em mãos para protestar contra a admissão dos alunos refugiados. Eles alegam que a decisão de enviar as crianças para Seoboo foi “unilateral”.

Baek, responsável por uma aluna da terceira série, contou: “Em 10 de fevereiro, a Secretaria de Educação prometeu montar um comitê especial formado por autoridades educacionais e pais de alunos da Escola de Ensino Fundamental Seoboo para resolver a questão, mas esta promessa nunca foi cumprida“.

As reclamações também estão chegando à autoridade máxima do país. O site da Casa Azul tem um sistema no qual cidadãos podem fazer petições que, ao atingirem um número mínimo de assinaturas, são repassadas diretamente ao Presidente. Uma petição exigindo a interrupção da locação das famílias afegãs em Ulsan e o envio das crianças para escolas estrangeiras já ultrapassou 15 mil assinaturas.

O texto da petição reclama que a decisão de matricular as crianças afegãs nas escolas regulares foi tomada “sem ouvir a voz dos coreanos que pagam seus impostos” e que os que concordaram e assinaram o texto esperam que as autoridades locais “garantam a segurança dos residentes antes de cuidar dos refugiados”.

Apesar disso, a Secretaria de Educação de Ulsan permanece firme em sua decisão. Em um comunicado divulgado nesta quarta (23), o órgão anunciou: “Como o endereço das crianças é na região da escola, elas foram matriculadas na Escola de Ensino Fundamental Seoboo. A Secretaria de Educação não tem autoridade para mudar arbitrariamente a matricula de um aluno ignorando o sistema baseado nos endereços“.

Noh Ok-hee, superintendente educacional de Ulsan, também respondeu às queixas dos pais sobre a falta de familiaridade dos refugiados com a língua e cultura local. Em suas palavras, a Secretaria iniciará programas educacionais para que as crianças aprendam coreano e possam se adaptar bem à vida educacional.

Na contramão dos pais que participaram do protesto, muitos cidadãos classificaram como egoísmo a recusa de se abraçar aqueles que buscam asilo político no país.

Jang Jung-ki, que atua em uma ONG dedicada à proteção dos direitos humanos, conta: “Os pais se dizem preocupados com as diferenças culturais entre estudantes afegãos e coreanos. Então, eles deveriam pensar em uma solução prática com a mente aberta ao invés de fechar a porta aos refugiados“.

Jang também faz uma alerta sobre a generalização que existe na mente dos sul-coreanos em relação aos afegãos, que é baseada nas notícias internacionais que mostram os crimes envolvendo muçulmanos: “Isto pode potencializar a já galopante xenofobia na sociedade coreana“.

Fonte: (1)
Imagem: Cortesia da Sr. Park via The Korea Herald
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  • Greyce Oliveira

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