JeongGa (ou Jeongga/Jeongak, 正歌) é um conjunto de gêneros vocais, gagok, gasa e sijo, canções baseadas em poesia clássica coreana, cultivadas por aristocratas letrados (yangban) durante a Dinastia Joseon (1392‑1910). O termo também aparece como sinônimo de “música legítima” (jeongak/jeongga), categoria que abarca a música da corte e das elites em contraste com a música folclórica popular.
Essas canções se caracterizam por andamento lento, dicção clara do texto poético e um ideal de contenção emocional, refletindo valores confucionistas de equilíbrio e autocontrole que marcavam a cultura de corte de Joseon.
A Dinastia Joseon
Na Dinastia Joseon havia uma hierarquia na prática musical: aristocratas e acadêmicos valorizavam repertórios associados à poesia clássica e à vida contemplativa, enquanto o povo cultivava narrativas cantadas, canções de trabalho e tradições rituais locais.
Dentro desse quadro, gagok, gasa e sijo, mais tarde apelidados de “canções corretas” ou “canções próprias” (jeongga), funcionavam como marcadores de diferença social e educação literária.
Instituições como o Jangagwon, órgão governamental de música e dança real no palácio real do fim de Joseon, consolidaram a terminologia gugak (“música nacional”) e diferenciam a música tradicional coreana da música estrangeira, reservando jeongak/jeongga para a música de corte e de elite.
As “canções corretas”
Os acompanhamentos de JeongGa utilizam um conjunto de instrumentos/gêneros de gugak, que podem variar:
- Gagok: predomínio de cordas dedilhadas (gayageum, geomungo, yanggeum) combinadas com flautas como daegeum. Há peças em que cerca de 40 sílabas poéticas se desdobram em mais de 10 minutos de música, com melodia contida em cerca de duas oitavas, o que faz de gagok a forma mais sofisticada desse grupo.
- Gasa: poemas em prosa poética, de maior extensão, com melodias mais intrincadas e extensas, geralmente acompanhadas por instrumentos de sopro (daegeum, sepiri, haegeum) com apoio rítmico do janggu.
- Sijo: poesia de três versos que também dá nome às canções derivadas; melodias mais simples, por vezes cantadas sem acompanhamento, mas ainda exigindo dicção clara e controle de respiração longa.
Na época, essa instrumentação era comum nas reuniões privadas de letrados e nos ambientes íntimos em que essas canções eram tradicionalmente ouvidas.
Jeonga e a música folclórica
As descrições modernas destacam que essas “canções próprias” se opunham explicitamente às canções do povo como pansori, minyo e japga, que tratavam de temas cotidianos com maior liberdade expressiva.
Enquanto JeongGa buscava a serenidade e o refinamento da poesia clássica e da etiqueta, os gêneros populares preservavam a voz crítica, humorística e emocional das camadas comuns da sociedade, tendo como foco a improvisação.
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Atualmente, JeongGa é preservado por mestres do gugak e por instituições culturais coreanas, aparecendo em repertórios reconhecidos como patrimônio cultural intangível e apresentado em concertos didáticos pelo mundo. E existe uma crença na Coreia de que se uma pessoa praticar Gagok (가곡) por muito tempo, terá uma vida longa e saudável, pois acredita-se que esse gênero musical “acalma a alma” e permite esquecer as preocupações.
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Imagens: The National Centre for Korean Traditional Performing Arts
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