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[ENTREVISTA] TABBER lança novo single e fala sobre os “sentimentos que não conseguimos explicar”

Existem artistas que fazem música para serem ouvidos. E existem artistas que criam atmosferas onde sentimentos passam a existir. TABBER pertence ao segundo grupo.

Desde seu debut, o artista da you.will.knovv construiu uma identidade que parece flutuar entre sonho, memória e silêncio. Com vocais melancólicos, produções quase cinematográficas e letras que preferem sentir ao invés de explicar, sua música encontrou espaço justamente nas emoções difíceis de nomear… aquelas que aparecem tarde da noite, no escuro, quando tudo parece mais intenso e mais honesto.

Em “New Moon”, seu mais recente lançamento, TABBER transforma a ausência de luz em metáfora para presença, intimidade e conexão. A lua desaparece dos olhos, mas continua ali. E talvez seja exatamente sobre isso que sua música sempre falou: sobre coisas que existem mesmo quando não conseguimos vê-las completamente.


Em entrevista exclusiva à KoreaIN, o artista falou sobre solidão, identidade, memória, os sentimentos por trás de sua música e a conexão inesperadamente profunda com os fãs brasileiros desde sua passagem pelo país em 2023. Entre reflexões sobre espaço, emoções e pertencimento, TABBER mostra que talvez algumas das conexões mais fortes aconteçam justamente nas partes que não conseguimos explicar.


KoreaIN: Olá, muito obrigada por dedicar seu tempo para esta entrevista conosco. Antes de tudo, como você tem estado ultimamente?

TABBER: Ultimamente tenho feito várias atividades e preparativos relacionados ao meu single recém-lançado, “New Moon”. Também continuo trabalhando no meu próximo álbum.

KoreaIN: “New Moon” fala sobre presença mesmo quando quase nada pode ser visto. Você acha que as conexões mais profundas acontecem justamente nas partes que não conseguimos explicar?

TABBER: Eu acredito que, quando distrações visuais e ruídos são completamente removidos, as pessoas começam a focar no que é essencial. Coisas como atrações inconscientes que são difíceis de explicar com palavras. O próprio termo “New Moon” se refere a um momento em que a lua não pode ser vista, mas isso não significa que ela realmente desapareceu. Eu queria expressar esse tipo de forma e sentimento através da música.

KOREAIN: Você usa muitas metáforas astronômicas no seu trabalho. O espaço representa liberdade, solidão ou algo completamente diferente para você?

TABBER: Para mim, o espaço parece ao mesmo tempo libertador e vazio, como estar sozinho em um lugar imenso.

KOREAIN: Sua música parece existir entre diferentes estados emocionais ao mesmo tempo. Você sente que existe uma única versão “real” de você, ou todas elas são reais dependendo do momento?

TABBER: Eu acho que todos os diferentes lados de mim que encontro todos os dias são genuinamente eu. Ninguém se sente feliz ou triste todos os dias. As diferentes emoções presentes na minha música são partes reais de quem eu sou.

KOREAIN: Você viveu em diferentes cidades dos Estados Unidos antes de construir sua carreira na Coreia do Sul. Existe algum lugar específico que ainda ecoa na sua música hoje?

TABBER: Em vez de escolher uma cidade específica, acho que os lugares onde morei naquela época e as músicas que eu ouvia lá permanecem nas minhas memórias. Como esses lugares estão muito ligados ao começo da minha carreira, eles continuam presentes na minha música.

KOREAIN: Você sente que pertence a uma cena musical específica ou acha que criou um espaço próprio fora delas?

TABBER: Eu não quero negar os elementos de R&B presentes na minha música. Mas, quando trabalho, eu não defino um gênero antes, então foco mais em expressar minha própria identidade e cor.

KOREAIN: Seu trabalho parece profundamente introspectivo, mas você o apresenta para milhares de pessoas. Como é transformar emoções tão privadas em algo coletivo?

TABBER: Sou sempre grato pelo fato de tantas pessoas ouvirem e apreciarem minha música. Quando crio, não penso necessariamente: “preciso fazer isso para um grande público”. Toda vez que apresento músicas que carregam emoções pessoais diante das pessoas, eu também acabo experimentando novos sentimentos.

KOREAIN: Você se apresentou no Brasil em 2023 e muitos fãs brasileiros ainda falam daquele show de forma muito emocional. Quais memórias você guarda da sua passagem por aqui?

TABBER: Considerando a enorme distância entre o Brasil e a Coreia do Sul, honestamente eu não esperava isso, mas as reações do público do começo ao fim do show são memórias inesquecíveis para mim. Mesmo falando idiomas diferentes, eu ainda lembro de como as pessoas entenderam e aproveitaram minha música.

KOREAIN: Os fãs brasileiros são conhecidos por serem muito intensos e expressivos quando se trata de música. A energia do público te surpreendeu de alguma forma?

TABBER: Eu lembro especialmente do quão alto os fãs gritavam e do quanto se divertiam durante o show. As reações criativas do público durante a introdução de “007” e nos momentos em que eu conversava com a plateia foram experiências que nunca vivi em nenhum outro país.

KOREAIN: Muitos fãs brasileiros (eu inclusa) encontram conforto na sua música durante momentos solitários. Existe algo que você gostaria de dizer para eles?

TABBER Eu acho extremamente significativo quando alguém escuta minha música e se conecta com emoções parecidas. Mesmo que não estejamos no mesmo lugar ou vivendo o mesmo momento, o fato de as pessoas conseguirem se relacionar com meus sentimentos através da música significa muito para mim. Nunca vou esquecer o carinho e apoio que vocês continuam me enviando. Estou ansioso pelo dia em que poderei voltar ao Brasil e me apresentar novamente.

por Isabela Marques Ferreira
Imagem: you.will.knovv
Não retirar sem os devidos créditos.

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  • Isabela Marques

    Jornalista do interior de SP. Basicamente metade da minha vida foi dedicada ao lado geek asiático. Quando não estou sendo uma boa fangirl, aproveito para ler bons livros e webtoons de mistério.

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