Romance, manipulação e a opulência da Dinastia Joseon se encontram em The Scandal, Escândalo e Intriga, a mais nova superprodução sul-coreana da Netflix com estreia nesta sexta-feira, 18 de setembro. A série de oito episódios é uma releitura do aclamado filme Untold Scandal (2003) que, por sua vez, adaptou o clássico romance francês do século XVIII, As Ligações Perigosas (ou Relações Perigosas), de Choderlos de Laclos, para o cenário histórico da Coreia.
Sob a direção de Jung Ji-woo (Tune in for Love, Eungyo), a trama acompanha o perigoso jogo de sedução e poder orquestrado por Lady Cho (Son Ye-jin), uma mulher astuta que desafia as rígidas convenções sociais de sua época, e seu sedutor cúmplice, Cho Won (Ji Chang-wook). O alvo da vez é a jovem viúva Hui-yeon (Nana), uma mulher determinada a manter-se fiel aos seus valores.
Com figurinos históricos impecáveis e uma marcante presença da arte tradicional do pansori, a arte de contar histórias por meio do canto coreano, a produção combina uma estética deslumbrante e uma intensa guerra psicológica. Em conversa exclusiva com a KoreaIN, os protagonistas contam como deram vida a esse triângulo repleto de camadas e analisam por que os conflitos humanos da trama ressoam com o público no mundo inteiro, do Oriente ao Brasil. Confira a seguir.
KoreaIN: Os K-dramas têm uma capacidade única de se conectar com públicos de culturas muito distintas. O que vocês acreditam que exista nos conflitos apresentados na série e, especificamente, nos personagens que interpretaram que faz com que alguém na Coreia do Sul e alguém do outro lado do mundo, como no Brasil, consigam se identificar tanto?
Ji Chang-wook: Particularmente, acredito que não se trata apenas de gerar identificação com a história, mas também de entregar muito entretenimento. Eu diria que os sentimentos são universais, e esta é uma trama que se inicia com uma aposta de amor, e o amor é o sentimento mais instintivo que existe. Além disso, o amor, o ciúme e todas essas emoções serão retratados na série. Por isso, tenho certeza de que o público não terá dificuldade em acompanhar o fluxo desses sentimentos e vai se divertir muito ao observar os conflitos e a construção psicológica dos personagens, que é repleta de camadas.
Son Ye-jin: Além disso, vale destacar que a ambientação se passa na Era Joseon. Os cenários e os figurinos da época são simplesmente deslumbrantes e extremamente fiéis ao período histórico. A trama também conta com o pansori, que é a arte tradicional coreana de contação de histórias através do canto. Talvez por eu estar um pouco mais velha, senti que foi algo realmente belo. Apesar de ser estritamente tradicional da Coreia, soou para mim como algo sutilmente exótico e muito sofisticado. Portanto, acredito que o público internacional vai apreciar o pansori, assim como a beleza dos cenários e figurinos, e descobrir um novo tipo de arte e estética na cultura coreana por meio da série.
Nana: Esta série retrata com muita precisão e riqueza de detalhes as emoções e a psicologia desses três personagens. Assim, cada um deles reage de formas completamente diferentes diante da mesma situação. Por isso, ao assistir, dependendo da sua própria personalidade e de como você enxerga o mundo, tenho certeza de que vai se identificar profundamente com pelo menos um deles. Espero que você consiga se colocar no lugar do seu personagem favorito e se divirta muito acompanhando a trama.
KIN: Seus personagens compartilham uma relação complexa, quase como um jogo de xadrez. Como foi o processo para construir essa presença cênica tão intensa juntos e como vocês abordaram a tensão implícita nas cenas em que o diálogo é secundário em relação ao que fica subentendido?
Ji Chang-wook: Em cada cena, eu conversava muito com o diretor para tentar retratar as emoções que eram essenciais para aquele momento. Para ser sincero, às vezes eu gravava uma cena e nem lembrava qual tinha sido a minha expressão facial, de tão confuso que eu ficava diante da situação. Na verdade, acredito que “confusão” é a palavra-chave para o meu personagem, Cho Won. O diretor concordou com isso, e nós conversávamos bastante sobre esse conflito interno que ele carrega. Ele me dizia que o Cho Won está frequentemente desconcertado e confuso sobre o que está acontecendo ao seu redor e dentro de si mesmo. Então, acho que essa foi a grande chave para compor o personagem.
Son Ye-jin: Pois é, eu também me perguntava: por que a Lady Cho quis começar essa aposta ousada e o que ela realmente sente pelo Cho Won? Eles eram muito próximos no passado, mas se distanciaram por alguns anos e depois se reencontraram. Havia amor, ódio, ciúmes e uma mistura de sentimentos guardados, mas eles não eram sinceros consigo mesmos, ocultavam o que sentiam um pelo outro. Assim, a aposta, que começa como um pequeno jogo de sedução, vira uma bola de neve e ganha proporções gigantescas. Acredito que todo esse percurso foi um processo de autoconhecimento para a Lady Cho. Ao longo do caminho, ela percebe o quanto estava frustrada, que tinha todos esses desejos reprimidos e um ciúme profundo. Quando se dá conta dessa frustração interna, ela nota que a única pessoa que consegue controlar é o Cho Won e sente que ele é o único que realmente a entende por inteiro. É daí que surge essa espécie de obsessão por ele. Durante as gravações, nós rodávamos muitas cenas em plano-sequência. Era quase como fazer teatro: gravávamos sequências de duas ou três páginas do roteiro de uma vez só. Nessas cenas mais longas, conforme você vai dizendo as suas falas, as emoções começam a surgir e se desenrolar naturalmente. Acho que a forma como retratamos os personagens foi muito visceral; algumas reações nem tinham sido ensaiadas ou esperadas. Acabamos entregando expressões que nem sabíamos que estávamos mostrando para a câmera. Penso que é justamente toda essa guerra psicológica que torna a série tão desafiadora, mas também extremamente dramática e envolvente.
Nana: A forma como eu quis interpretar a minha personagem, Hui-yeon, foi mantê-la como uma pessoa pura, ingênua e muito transparente com suas emoções, alguém capaz de se expressar abertamente. Manter essa essência foi o meu grande foco. Quando estava tentando compreendê-la, pensei que seria mais fácil interpretá-la se eu encontrasse partes de mim mesma que se assemelhassem a ela. Foi então que percebi que a minha personalidade durante a infância era muito parecida com a da Hyeon. Por isso, ao longo da construção e para conseguir entendê-la de verdade, eu recorria constantemente à criança que fui no passado.
Trailer
Ficha Técnica
Onde Assistir: Netflix
Estreia: 18 de setembro de 2026
Diretor: Jung Ji-woo
Gênero: Romance, Obras de época
Elenco Principal: Son Ye-jin, Ji Chang-wook, NANA
Baseado no livro: As Ligações Perigosas (ou As Relações Perigosas) de Choderlos de Laclos
Com colaboração de Duda Persson
Imagem: Netflix
Não retirar sem os devidos créditos.