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Sociedade

Coreia do Sul se adapta ao crescente número de imigrantes em sua população

Nesta semana, o Escritório Nacional de Dados informou que a Coreia do Sul registrava cerca de 2.715.000 pessoas com histórico migratório em 1º de novembro de 2024. Essa categoria abrange cidadãos naturalizados, imigrantes de primeira e segunda geração, residentes estrangeiros de longa permanência e desertores norte-coreanos.

Esse número aumentou em 134 mil em relação ao ano anterior, elevando sua participação na população em cerca de 0,3% e superando o crescimento populacional geral, que foi de apenas 0,1%.

Atualmente, eles representam 5,2% da população de 51,8 milhões de habitantes do país. Há anos, o número de pessoas com histórico migratório cresce mais rapidamente do que o da população em geral, impulsionado em parte pelo fato de muitos estarem em sua fase de maior produtividade profissional — um perfil demográfico do qual a Coreia carece cada vez mais à medida que seu envelhecimento se acelera.

Kim Seo-young, chefe da divisão de censo demográfico, explicou que “o crescimento da população com origem migrante é impulsionado, em grande parte, pelo aumento do número de trabalhadores estrangeiros, estudantes internacionais e migrantes que se estabelecem no país por meio do casamento”, além disso, “muitos acabam se naturalizando, casando-se e criando filhos, contribuindo para a formação de famílias na Coreia do Sul”.


Destrinchando os dados

Do total de pessoas com histórico migratório (2.715.000), os cidadãos estrangeiros representavam 75,2% (cerca de 2.043.000), enquanto 672.000 eram cidadãos coreanos com histórico migratório.

Os imigrantes de segunda geração constituíam o maior subgrupo, com 381.000 pessoas, seguidos pelos cidadãos naturalizados, com 245.000.

A grande maioria (81,9%) das pessoas com histórico de migração estava na faixa de 15 a 64 anos, em comparação com 70% da população geral. Apenas 5,5% tinham 65 anos ou mais.

As pessoas na faixa dos 30 anos (24,3%) e dos 20 anos (21%) constituíam os maiores grupos etários, um contraste marcante em relação à população da Coreia do Sul, que envelhece rapidamente.

O número de crianças e jovens de até 24 anos totalizou 738 mil, um aumento de 7,9% em relação ao ano anterior. Eles representam agora 27,2% de todas as pessoas com histórico migratório, sendo aproximadamente metade cidadãos estrangeiros (50,3%) e a outra metade cidadãos coreanos de segunda geração (49,7%).

Por país de origem parental, Vietnã representa 27,2%, China, 16,5% e chineses de ascendência coreana, 12%. Juntos, estes três grupos representam 55,7% de todos os menores de origem migrante.

Em termos de localidade, Seul continua sendo o centro de gravidade, pois mais da metade de todos os residentes com origem migrante (56,8%) vive na Grande Seul, que inclui Incheon e a província de Gyeonggi.

Em nível municipal, Ansan possui a maior população de origem migrante, com 113.000 pessoas, seguida por Hwaseong (85.000) e Siheung (81.000); as três cidades estão localizadas na província de Gyeonggi e abrigam grandes distritos industriais e polos de pequenas e médias empresas que recrutam trabalhadores estrangeiros por meio do Sistema de Permissão de Emprego da Coreia.

O crescimento no número de pessoas com histórico migratório também se reflete nas escolas sul-coreanas. Os estudantes do ensino médio com histórico de migração quase triplicaram nos últimos cinco anos, ultrapassando pela primeira vez a marca de 30 mil alunos.

Dados divulgados pelo Ministério da Educação mostram que, em abril de 2025, havia 33.622 estudantes nessa categoria, um aumento de 21,5% em relação ao ano anterior. Em 2020, o número era de apenas 12.478 alunos.

A categoria inclui estudantes que possuem ou possuíam nacionalidade estrangeira, bem como aqueles cujos pais têm ou tiveram cidadania de outro país.

Enquanto o número de alunos com histórico de migração no ensino fundamental apresentou leve queda de 0,7%, os estudantes do ensino médio registraram crescimento de 6,8%, reforçando a tendência de avanço para níveis educacionais mais altos.

O aumento também traz novos desafios. Segundo o Ministério da Educação, a taxa de evasão escolar entre esses estudantes ultrapassou 2% pela primeira vez em 2023, chegando a 2,22%. A principal razão apontada foi a dificuldade de adaptação à vida escolar, especialmente em relação ao idioma.


Apoio governamental

Após a divulgação dos dados sobre as pessoas com histórico migratório, o governo da Coreia do Sul apresentou planos para ampliar o apoio governamental a famílias de origem imigrante, pais solo, domicílios unipessoais e outros grupos há muito excluídos das políticas familiares, como parte de um novo plano de políticas de cinco anos.

O Quinto Plano Básico para Famílias Saudáveis, que abrange o período de 2026 a 2030, foi aprovado em uma reunião do Gabinete na terça-feira (23). O governo descreveu o plano como uma mudança em direção a uma estrutura de política familiar mais inclusiva, concebida para refletir as transformações demográficas e as mudanças nas estruturas familiares do país.

O governo afirmou que buscaria alterações na Lei de Apoio a Famílias Multiculturais para ampliar a elegibilidade aos serviços de apoio familiar para crianças e adolescentes com histórico migratório.

As políticas atuais têm se concentrado principalmente em crianças de famílias multiculturais, definidas como núcleos familiares compostos por um cidadão coreano e uma pessoa de origem cultural diferente.

No entanto, a nova estrutura amplia o escopo para incluir uma gama mais ampla de jovens com histórico de migração.

O apoio abrangerá desde o registro de nascimento e a educação até a assistência com a regularização da residência e a conquista da autossuficiência.

As autoridades também planejam utilizar inteligência artificial generativa para fornecer informações sobre políticas voltadas às famílias e orientações para o dia a dia em 15 idiomas, visando melhorar o acesso aos serviços públicos.

Além das medidas do governo federal, o Governo Metropolitano de Seul anunciou na quinta-feira (25) que lançará dois novos programas para apoiar residentes internacionais que manifestam o desejo de permanecer na cidade, mas enfrentam dificuldades para encontrar oportunidades econômicas.

Um dos programas oferecerá treinamento prático sobre como iniciar e administrar um negócio na Coreia do Sul, abordando tributação, contabilidade, questões jurídicas e a cultura empresarial coreana.

O outro conectará empreendedores estrangeiros promissores a investidores, oferecendo aos fundadores de startups oportunidades de apresentar suas ideias de negócio e atrair financiamento.

Os programas serão realizados no Seoul Global Center, no centro de Seul, no âmbito do Sistema Geral de Assistência à Imigração para Startups (OASIS), gerido em conjunto pelo Ministério da Justiça e pelo Ministério das Pequenas e Médias Empresas e Startups.

A estrutura nacional OASIS consiste em nove programas. O Seoul Global Center irá operar oito deles, incluindo os dois novos cursos, o maior número entre os centros OASIS em todo o país.

O programa OASIS oferece vantagens a estrangeiros na solicitação do visto de startup (D-8-4) e do visto de preparação de startup (D-10-2), dependendo do histórico de conclusão do programa, tornando-se um caminho fundamental para quem deseja abrir um negócio na Coreia.

O número de residentes estrangeiros em Seul aumentou 15% nos últimos cinco anos, chegando a 279.629 em 2025. Os residentes de Myanmar, Nepal e Bangladesh registraram aumentos particularmente acentuados de 362%, 262% e 97%, respectivamente.

Fonte: (1), (2), (3), (4)
Imagem: NEWS1
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