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Curiosidades

Costumes coreanos que não são comuns para brasileiros

Apenas pelo que vemos retratados em k-dramas e no k-pop, já vemos como a cultura coreana é rica e possui costumes únicos e diferentes do que os brasileiros conhecem. Seja na culinária, na qualidade de suas produções culturais ou nos relacionamentos interpessoais, tais costumes formam a sociedade. Descreveremos alguns deles para ajudar aqueles que forem desembarcar no país.



Para esse artigo, conversamos com Choi Yujin, 22 anos. Choi estuda Língua e Literatura Francesa na Universidade de Yonsei e que atualmente está fazendo intercâmbio acadêmico nos Estados Unidos. Boa parte das observações de costumes neste artigo são baseadas nas experiências individuais dela e, portanto, podem não representar toda a população coreana, principalmente das pessoas situadas em vilas mais distantes e rurais.


A cultura do estudo

Crédito: J. Kelly Brito (reprodução)

A Coreia do Sul é conhecida por valorizar muito o estudo. O vestibular coreano Suneung (수능), que é como o Enem brasileiro, é muito concorrido e os alunos normalmente sofrem uma grande pressão para entrar em uma boa universidade. No Suneung, as matérias que pontuam mais para o aluno são matemática, inglês e coreano. Outras matérias que pontuam, mas não são tão importantes quanto as já citadas são história coreana, estudos sociais e ciência. Muitas universidades também requerem que o estudante faça a prova adicionando um teste para uma terceira língua, que pode ser espanhol, francês, alemão, russo, chinês, japonês, árabe, vietnamita ou apenas memorização de caracteres chineses.

Choi nos contou o último ano do ensino médio era realmente o mais estressante. Não existe “trotes” e as Olimpíadas escolares vão apenas até o segundo ano. Cada aula dura 50 minutos com um intervalo de descanso de 10 minutos após isso. Os alunos começam a estudar 8 da manhã e só param para almoçar ao meio-dia. Além do descanso entre aulas, não existe um recreio como aqui no Brasil.

Após o almoço, os alunos voltavam para mais aulas até quatro da tarde. Em casa, eles tinham um estudo individual obrigatório até antes do jantar. Ao terminar a refeição, alguns ainda estudavam mais, apesar de não ser obrigatório. O ambiente escolar do terceiro ano puxava Choi a continuar estudando muito, mas a principal pressão vinha dos seus pais. Sua mãe lhe dizia para estudar com afinco até entrar em uma universidade. Quando ela estivesse na universidade, poderia relaxar e curtir mais sem passar quase todo o seu tempo estudando. Ela conta que se sente mais livre como universitária e que não se sente pressionada para conseguir boas notas, mas ainda se sente ansiosa quanto ao fato de conseguir um emprego ou não.

Os trotes universitários também não são comuns. Segundo ela, a situação mais próxima de um trote universitário brasileiro foi o primeiro de abril, quando os alunos se vestiam com um uniforme do terceiro ano e iam para a aula assim. Nas primeiras semanas na faculdade, há a orientação para os calouros e os veteranos também marcam encontros para ajudar os alunos a se conhecerem. Choi conta que os veteranos do seu curso reservaram um resort para a reunião com os calouros, com direito à bebidas e muita conversa.


Relacionamentos amorosos

Créditos: Netflix

Os relacionamentos na Coreia do Sul não necessariamente incluem um beijo no começo. Em um encontro as cegas, por exemplo, é comum que o casal se encontre por três vezes e, apenas na terceira saída juntos, um deve confessar seus sentimentos. A partir disso, eles são namorado e namorada, mas isso não significa que irão ter contato físico ainda. O título vem antes do beijo na maioria dos casos.

Choi contou que seu primeiro namoro foi aos 12 anos com um colega de sala, algo que é considerado cedo na Coreia e nada comum, mas o relacionamento não chegou a durar 200 dias. Seu segundo relacionamento foi aos 14 anos e durou menos de 100 dias. Ambos, destaca Choi, não tiveram beijo algum. É interessante observar que, enquanto no Brasil é comum contar o tempo de relacionamento em meses e anos, os coreanos normalmente conta de 100 em 100 dias.

Ela também comentou sobre términos. Foi ela quem decidiu tomar a decisão de terminar nos seus primeiros três relacionamentos e, no último, foi uma decisão conjunta do casal. Ela acredita, pela a sua experiência e pela experiência das pessoas ao seu redor, que é mais comum as mulheres tomarem a iniciativa de terminar um relacionamento.


Festas e amizades

Crédito: KBS2

As festas na Coreia do Sul ganham uma conotação um pouco diferente das do Brasil. Enquanto no aqui é comum ir em uma festa só para dançar, conversar, conhecer novas pessoas ou curtir com os amigos, as festas na Coreia do Sul são mais baseadas na busca por contato físico sem compromisso. Choi conta que costuma sair mais para ir a restaurantes, cafeterias, parques e até museus. Sair com os amigos é mais uma questão de juntar um pequeno grupo e ir em um lugar onde possam conversar tranquilamente. Ela ainda revela que sua experiência com festas na Coreia do Sul foram caóticas, com muita gente fumando em ambiente fechado e homens se aproximando dela mesmo quando ela foi com o namorado.

Assim como no Brasil, as amizades na Coreia muitas vezes se formam sem serem percebidas. É comum continuar dando presentes de aniversário para os amigos mesmo quando estes já passam dos 20 anos. Durante a pandemia, o serviço de mandar presente via Kakaotalk – aplicativo semelhante ao WhatsApp – aumentou. Nele, é possível selecionar e comprar diversos produtos para presentear. A pessoa presenteada recebe uma mensagem para adicionar seu endereço depois o presente é entregue diretamente à ela. É comum também dar cupons com dinheiro para que a pessoa compre o que quiser.

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Por que os coreanos presenteiam com comida?


Costumes relacionados a comida

Os coreanos comem com os famosos “pauzinhos”, chamados de cheokarak e uma colher, chamada de sudkarak . Tanto a colher quanto os “pauzinhos” são feitos de metal e são mais longos que os hashis japoneses. Os coreanos comem entradas, chamadas banchan, junto com o prato principal. Os banchans são pequenas porções de legumes ou carne, alguns apimentados, que podem ser compartilhados com diversas pessoas. Ao comer em casa prato principal é grande o suficiente para servir a todos e, assim como os banchans, é compartilhado, com os coreanos pegando a comida dos mesmos potes.

No Brasil, quando se é maior de 18 anos, é comum se juntar com os amigos para tomar cerveja ou algo do tipo. Não é tão comum pensar muito no que vai comer enquanto toma determinado drink. Para os coreanos, é comum combinar determinada bebida com determinada comida. Yujin conta que normalmente prefere comer carnes no geral e churrasco coreano tomando cerveja com soju, o famosi chimaek. Os pratos mais tradicional são normalmente acompanhados de soju ou makkeoli. Os coreanos até criam nomes específicos para as combinações de bebidas e comidas. Um exemplo disso é o sosam, combinação de soju (so) e samgyeopsal (sam).

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Conhecendo novas pessoas

Créditos: Leo Patrizi (via iStock)

Os brasileiros têm o costume de se aproximar dos outros mais facilmente, conversar com estranhos e fazer perguntas quando necessário. Peguntar se determinado ônibus vai para determinado lugar, por exemplo, é algo comum para os brasileiros, mas Yujin se sente estranha em fazer esse tipo de pergunta. Ela diz que se sente desconfortável quando estranhos falam com ela na rua, porque normalmente são pessoas de determinada religião tentando fazê-la entrar em um culto. Ela tenta pesquisar por si mesma quando está incerta e pergunta algo para estranhos apenas quando é extremamente necessário. Quando ela pergunta algo, ela toma cuidado para não soar como alguém de um culto religioso. Conversas com estranhos sobre o clima, o dia corrido ou até sobre a vida pessoal não é nada comum.

A maneira mais comum de conhecer novas pessoas depois da escola é se envolver em clubes na universidade, conhecer pessoas que cursam a mesma graduação e também através do famoso “arba” (알바), trabalho de meio período. Os coreanos normalmente se aproximam de pessoas que estão em um ambiente comum ao deles, como escola, universidade, trabalho, etc.

Quando se trata de conhecer um novo amor, é comum encontros às cegas, chamados sogueting (소개팅) e meeting (미팅). No sogueting, é apenas um casal que vai se conhecer, enquanto no meeting é geralmente mais de um casal, um grupo de pessoas que vai se conhecer para tentar arranjar futuros namorados. Esses encontros às cegas são normalmente arranjados por amigos. A cultura do networking, de se conectar com novas pessoas através dos contatos que a pessoa já tem, é bem comum quando se trata de relacionamento sul-coreanos. Yujin nunca usou aplicativos como Tinder ou “Amanda” ou outro aplicativo de encontros. Ela não sabe dizer se é tão comum assim, apenas sabe que algumas pessoas também usam isso como uma alternativa.

A maneira de cumprimentar pessoas que um coreano acaba de conhecer normalmente envolve se curvar um pouco para frente enquanto diz “oi”. No começo, é comum o uso de uma linguagem um pouco formal que pode se tornar informal na medida em que as pessoas se aproximam. Os coreanos tem vários níveis de formalidade e polidez que são expressos na conjugação dos verbos e no uso de algumas palavras específicas. Quando se conhece os pais de um amigo ou se conversa com um professor pessoalmente, Yujin diz que é comum usar o mesmo nível de formalidade que se usa com pessoas que acabou de conhecer, com a conjugação 아/어요 (a/o yo). Quando um coreano escreve um e-mail para um professor ou vai conhecer os pais e avós do namorado ou namorada, é comum usar uma linguagem ainda mais formal, que inclui palavras diferentes e outras conjugações de verbo.

Leia mais: Curiosidades interessantes sobre o namoro na Coreia do Sul

Muitas diferenças do dia a dia parecem pequenas, mas fazem toda a diferença. Para um brasileiro adaptado a falar com estranhos só para passar o tempo no elevador ou em uma sala de espera, pode ser difícil no começo entender que os coreanos não têm o costume de falar com estranhos na rua. É sempre importante conhecer sobre a cultura alheia para evitar situações desconfortáveis e desrespeitosas. Não há como acertar tudo de primeira, porque sempre haverá choques culturais e ou individuais, mas é importante estar disposto a aprender e compreender sempre.

Fontes: (1), (2)
Fotos: J. Kelly Brito, Netflix, KBS2, Leo Patrizi (via iStock), reprodução
Escrito por Beatriz Pollo
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